Cadastro Positivo. O que é?

COMPARTILHE
93

Sabe quando o cidadão vai a uma churrascaria sedento pra comer um rodízio? De igual forma, para acompanhar, a esposa e os filhos vão querer rodízio também! Certamente, só quem fez jus ao valor pago por aquela modalidade de alimentação, foi o pai, que comera demasiadamente e a essa altura do campeonato, deve está palitando os dentes e preocupado com a conta que virá indigesta!

Na mesma esteira, está o individuo que possui boa relação comercial e bancária, quando busca crédito junto as Instituições Financeiras, nem sempre conseguindo taxas de juros e tarifas atrativas para viabilizar a concretização do negócio, impossibilitando-o de contrair um empréstimo ou financiamento por exemplo.

A motivação para Bancos, varejistas, fintechs e financeiras negarem concessão de crédito com linhas aprazíveis ao bom pagador é o risco de calote dos maus pagadores. A vala é comum amigo!

Continua depois da publicidade

Estudos do Banco Central indicam que 25% da taxa de juros corresponde ao risco de inadimplência. As taxas de juros no comércio poderiam cair em até 20% para os clientes bom-pagadores, bem como, também, para os spreads bancários.

Trocando em miúdos, independente se o cidadão encontra-se negativado junto aos órgãos de proteção ao crédito, ou, se tem honrado religiosamente em dia com suas contas, todos estarão nivelados por baixo, com Bancos e financeiras alegando juros altos, devido ao risco de calote generalizado.

O Cadastro Positivo é um instrumento criado no ano de 2011, com escopo de listar os bons pagadores, contrapondo-se aos famosos cadastros negativos de Órgãos de Restrições ao Crédito. Ocorre que, para ser incluído neste Cadastro, o consumidor em dia com suas contas, deveria requisitar sua inclusão.

Com o Projeto de Lei (PLP 54/2019) aprovado no Senado em 13 de março e sancionado sem vetos pelo Presidente Jair Bolsonaro no último dia 08, a questão será invertida. Bastando possuir um CPF válido e encontrar-se em dia com seus compromissos econômicos ante instituições que tenha contraído alguma linha de crédito, que automaticamente já estará incluído na relação do Cadastro Positivo. Quem não quiser participar terá que pedir a retirada. Vale constar, que a regra passa valer 90 dias após a sanção. Até lá, a inclusão no cadastro permanece voluntária.

As informações pertinentes ao Cadastro Positivo, serão fornecidas por Bancos, lojas, concessionárias de luz e telefone, dentre outras empresas com as quais os consumidores tenham relação financeira. São informações como compras realizadas, datas, prazos de pagamento, valor das parcelas e pontualidade com que foram pagas, além de dados cadastrais, como CPF, endereço e contatos.

Quem fará a gestão do indigitado cadastro, serão os chamados birôs de crédito (Serasa, Boa Vista, SPC Brasil), sendo vedado por lei, a quebra de sigilo bancário do cidadão, o que vem gerando desconfiança dos críticos.

As informações do consumidor compõem o que as gestoras de crédito (birôs) denominam de “score”, uma nota de zero a 1.000 que classifica o nível de pontualidade nos pagamentos de cada um. Quanto maior a nota, mais pontuais os pagamentos e maiores as chances de o consumidor conseguir empréstimos e pagar juros mais baixos.

A bem da verdade, a expectativa é que com o Cadastro Positivo, a competição entre Bancos por perfis regulares, sejam constantes e passíveis de redução de juros a esta gama da sociedade, beneficiando-os, da mesma forma que negativa os inadimplentes.

Sendo assim, para uma sociedade habituada com a listagem negativa de crédito, onde o “NADA CONSTA” era o máximo de idoneidade alcançada, um Cadastro Positivo com a finalidade de individualizar o perfil do consumidor, com condições creditícias mais favoráveis, deve ser no mínimo considerado por alguns e aclamado pelos que fruirão de seus benefícios!

Publicidade