Cachoeirense, bairrista por natureza!

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Começo de carreira é um trem complicado. Capaz de distanciar um jovem de seu ninho!

Ao me formar e pegar a tão ambicionada OAB, não tive escolhas, precisei ir residir em Vitória-ES, as oportunidades revelavam-se mais prósperas, pelo menos era o que eu presumia à época.

Foram dois anos, mas pareceram vinte! Ansiava pelos finais de semana e retornar à minha cidade!

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Junto comigo nestes pequenos percursos de quase 140km, várias pessoas de aproximadamente minha idade, que por terem se criado aqui, eram mais ou menos conhecidas e, também estavam a apresentar-se na capital. Vivazes, no entanto, imaturas!

Cachoeirense fora de Cachoeiro, não tem das mais vertiginosas adaptações. Pode ser que dê certo. Mais provável que não!

Enfim, a saudade da “terrinha” me trouxe de volta!

Muito se passou, e magneticamente, minha esposa (então noiva) também transferiu seu CEP para estas bandas.

Relato esta breve via crucis, com todo saudosismo, certo de que foi necessário evadir-se, apesar de ter dúvidas se desertaria da princesinha do sul novamente!

Cachoeiro adentra a semana das festividades, habituais da última semana do mês de Junho. E é com enorme enlevo que grandes personalidades recebem da Prefeitura Municipal os agraciamentos de praxe.

Reconhecido nacionalmente devido a sua obra poética e musical, Raul Sampaio, ex-cantor do Trio de Ouro ao lado de Herivelto Martins e compositor de grandes sucessos, dentre eles “Meu Pequeno Cachoeiro” (hino simbólico da cidade), recebe da Prefeitura Municipal a homenagem exteriorizada pelo selo postal e apresentações.

O Cachoeirense Ausente da vez, trata-se do colega de profissão José Eduardo Coelho Dias, advogado residente em Vila Velha, militante na área de família, comentarista da rádio CBN de Vitória sobre o tema e professor universitário. A honraria Cachoeirense Ausente n° 1, foi criada ao final da década de 1930, pelo também advogado e poeta Newton Braga – irmão de Rubem Braga.

Retomando a homenagem a Raul, trata-se de reconhecimento especial aos quase noventa anos do seresteiro. Ícone de nossa terra, a quem muito me orgulha ter frequentado sua residência em Marataízes, quando ainda criança de tenra idade, não possuindo conhecimento da estatura do artista com quem convivia desafetadamente.

Os bons ventos culturais trazem esperança a esta terra de talentosos cidadãos. Ainda recente, pode-se citar o sucesso da 7ª Bienal Rubem Braga, que devido a abundância de erudição me fez visitar e retornar em outras tantas oportunidades.

Diante de tantos motivos de outrora e tantos outros hodiernos, que afirmo questionando: O Cachoeirense é ufanista e soberbo sim! E não deveria ser?

 

AUTOR: DR. IGOR FONSECA – Advogado

Pós-Graduado em Direito e Processo do Trabalho e… SOBRETUDO, CACHOEIRENSE!

 

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