Análise política Pesquisa XP/IPESPE-2021

COMPARTILHE
172
Advertisement
Advertisement

A pesquisa do Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (XP/IPESPE) publicada no último dia 06, traz importantes indicadores e o desenho inicial das próximas eleições.

Continua depois da publicidade

Os pesquisadores entrevistaram mil pessoas por telefone divididas por faixa etária, renda, sexo, região e outros aspectos sociais necessários para o apurado resultado final. As perguntas foram cientificamente elaboradas, seguindo a metodologia noutética que busca extrair o melhor conteúdo, preservando a neutralidade política do público alvo.

Destarte, vamos analisar três aspectos políticos importantes do trabalho:

01. SENTIMENTO DE MUDANÇA (Slide – 34): A onda da mudança é muito mais forte do que a marola da renovação. Sentimento de mudança é um trauma mais profundo, já a renovação pode ser apenas a substituição do personagem e não da história. Os dados são alarmantes para aqueles que buscam a reeleição, pois 53% dos entrevistados querem que mude totalmente a forma que o Brasil está sendo administrado. Apenas 15% querem a continuidade do que está posto e 28% desejam que mudem sensivelmente algumas coisas, 4% não tem opinião formada.

Desta forma, se as eleições fossem hoje os oposicionistas teriam uma larga vantagem. Contudo, não é qualquer oposição, porque o retorno de algumas figuras políticas naturalmente estão dentro do percentual de rejeição (sentimento de mudança). Essa mensagem é muito dura para a classe política e tende a aumentar com o avanço da pandemia e da crise econômica (emprego e renda).

Esses números acendem o alerta máximo para quem tem pretensão de se reeleger, pois mostram que a onda da mudança se agiganta a cada dia, frustrando as expectativas dos situacionistas.

02. ÓTIMO E BOM: O “ótimo” e “bom” do presidente Jair Bolsonaro é de 27%, o que tira sua aprovação da casa dos 35%, percentual considerado regular para emplacar uma possível reeleição. Podemos fazer um paralelo com duas outras situações. Primeiro com as eleições de 2002, quando o “ótimo” e “bom” do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso gravitou entre 25% e 28%. Naquele ano Fernando Henrique apoiou ferrenhamente o candidato José Serra, ministro bem avaliado e legítimo herdeiro da direita conservadora da época. No entanto, Serra foi derrotado por Lula no segundo turno, com cerca de 20% pontos de diferença. Segundo, as eleições de 2016, quando o “ótimo” e “bom” de Dilma Rousseff oscilava entre 31% e 36%. Mesmo assim, a sua eleição foi apertada e ela venceu as eleições com apenas 3% percentuais.

Ancorando a nossa reflexão aos cenários acima, podemos alinhar os percentuais de “ótimo” e “bom” das eleições passadas aos presentes percentuais da pesquisa (Fernando Henrique e Serra foram derrotados e Dilma sofreu muito para ganhar). Com isso, se as eleições fossem hoje, Bolsonaro e boa parte dos governadores estariam com a tarefa da reeleição bastante comprometida. Dificilmente se reverte um quadro como esse, ainda mais com as complexidades sociais que o país enfrenta (pandemia e o acelerado desemprego) e com uma forte tendência de “piora” ou com risco de estabilização negativa.

O rio encheu, a canoa está lotada e falta remo para os velhos tripulantes.

03. ATUAÇÃO DO PRESIDENTE NA PANDEMIA: Outro aspecto muito importante é a avaliação da atuação do presidente Bolsonaro na pandemia. Os efeitos são devastadores e o colapso no sistema de saúde é o maior obstáculo para a corrida da reeleição. A crise sanitária está entrelaçada com a crise econômica, na qual o desemprego ganha números assustadores. Sem falar no déficit fiscal que está alcançando os astronômicos dígitos de quase 01 trilhão de reais e o setor produtivo não mostra a mínima capacidade de reação, retrocedendo quase duas décadas.

Automaticamente, o desemprego aumentou e a pobreza extrema também vem crescendo dia após dia. Acoplado a essa drástica realidade está o desespero do comércio, que mesmo com o aval político ou sanitário para funcionar não terá o necessário oxigênio, porque a população não tem mais o poder de consumo de anos atrás. Literalmente, é enxugar gelo e chover no molhado!

Não podemos ser injustos, a crise sanitária poderia ter outros rumos, mas a economia seria afetada de todas as formas. Lógico que os impactos poderiam ser menores com atuação mais equilibrada e responsável por boa parte das nossas autoridades, o presidente é um deles. Vale lembrar que o Brasil já andava cambaleando economicamente e a pandemia acabou de derrubar as pretensões do atual governo que apostou cegamente na economia. Esse axioma atinge frontalmente milhões de brasileiros (principalmente a camada votante) e aniquila o projeto de reeleição de muitos atores políticos.

Definitivamente, a pandemia zerou o jogo, beneficiando a pedra e prejudicando a vidraça. No âmbito nacional ela transformou Bolsonaro no previsível “Kamikaze” de 2022, onde muita gente o acompanhará, uns por paixão e outros por falta de sensibilidade, leitura e interpretação política.

Concluindo a nossa avaliação, podemos esperar mudanças profundas nos Estados (governadores e deputados) e na condução do país. Resta saber quem herdará o caos que, certamente fará mais vítimas na sociedade e no encantado reino político.

Só mais uma coisa: “a fadada varinha mágica só existe nos animados gráficos da telinha, onde a fantasia e a imaginação não têm limites”.

Vamos Brasil, só não sei para onde,

Weverton Santiago

Advertisement

O conteúdo do AQUINOTICIAS.COM é protegido pela legislação brasileira sobre direito autoral. Não é permitida a sua reprodução total ou parcial sob pena de responder judicialmente nas formas da lei. Em caso de dúvidas, entre em contato: [email protected].