“LEI UNIVERSAL É PARA LACAIOS (SERVOS), CONTEXTO É PARA REIS.”

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Frase dita pelo capitão Gabriel Lorca, da nave Discovery, que dá nome à nova série Star Trek, Netflix. Não entrarei em detalhes da cena. O que importa é refletir sobre os sentidos do que foi dito.

Costumamos julgar os fatos e os comportamentos das pessoas segundo o que aprendemos e adquirimos em conceitos e valores, ignorando tudo o que pode estar por trás daquilo que julgamos. Natural que seja assim, até mesmo porque assim também somos julgados e conceituados todo o tempo.

A visão que temos do mundo é limitada pela natureza da nossa própria humanidade, desde a busca pelo atendimento das nossas necessidades básicas até a suposta elevação fornecida por títulos acadêmicos. Continua sendo uma visão a partir de um único ponto de vista, enriquecido ou não por visões de terceiros e ainda assim única, fruto do nosso entendimento de tudo o que processamos em nossos pensamentos.

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Claro que há exceções, pessoas brilhantes capazes de olhar e agir além das regras e instituições, pessoas que conseguem transformar toda uma realidade por não se deixarem encaixar nos padrões esperados e comuns. Acima dos gênios, são aqueles que em definitivo provocam saltos evolucionários ao associar inteligência altíssima ao instinto, não sabendo mesmo qual deles está no comando.

Esses são os reis para os quais não existem linhas delimitadoras. Seus sonhos e visões são realizáveis até o limite do tempo de suas vidas ou de uma sociedade que os freie ou elimine. Uma fração mínima da população com potencial para tanto, precisando das condições ideais para florescer e impulsionar o que existe ao redor para novos e melhores ares.

Para muitos essas pessoas parecem loucas, mas não são. Seu patamar de valores e percepções reside em outro plano, inacessível, incompreensível até que a obra esteja pronta e aplicada. Certos momentos da história indicam com clareza que os reis existiram e fizeram diferença, não por invenções, mas através de decisões que mudaram o rumo das diversas sociedades às quais pertenciam. Mudanças substanciais que formaram ondas que as propagaram através de gerações.

Alguns deles podem ser identificados, outros não. Se olharmos detalhadamente para a realidade que nos cerca e pensá-la como uma fatia conectada às demais ao longo da história veremos com mais clareza os impulsos e as alterações. Não se pode precisar o exato ponto do salto que demos em termos de evolução social ou tecnológica, até mesmo porque o que pensamos ser a alavanca pode ter sido somente efeito da onda, distante da verdadeira origem.

Precisamos de mais reis e menos servos, de pessoas que acreditem e façam ainda mais pelo mundo, hoje em nova transição ainda confusa e cruel (como também no passado), porque os erros agora contém alta dose de risco. Há urgência, sem espaço como antes para as falhas.

Do que sei, os reis não são aqueles no poder, tão servos quanto os demais. São aqueles com capacidade de interferir positivamente nas instituições de qualquer tipo e força. Estão entre nós precisando que criemos as condições para que possam agir. Não neguemos a eles nossos ouvidos e nossas mentes, mas sejamos seletivos pois há também aproveitadores se passando por reis, fáceis de se identificar porque os verdadeiros reis estão mais atentos ao que fazem do que ao poder que possam obter. Para eles, o poder quando surge é consequência aleatória, não objetivo primário. É análise e transformação de contexto, não regras e status.

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