A tarefa da coerência

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Após definir que não deixará o cargo para ser candidato a governador pelo Rede, o prefeito da Serra, Audifax Barcelos justificou-se dizendo: “Preciso terminar minha tarefa”.

É mais que isso. Manter-se no cargo para qual foi reeleito há pouco mais de um ano é ser coerente com a própria carreira política e principalmente com o eleitor que o elegeu.

É impensável, improvável, acreditar que um gestor com apenas um ano e quatro meses no poder foi capaz de concluir as tarefas administrativas que se comprometeu com o eleitorado. Não concluiu. E com um olhar de lupa sobre os mandatos da pra dizer mais: a grande maioria sequer começou a honrar seus compromissos. Portanto é descabido imaginar que um deles possa deixar o cargo para concorrer a outro.

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A decisão de Audifax, independentemente de qual motivo o tenha levado para isso, é coerente e merece reflexão porque há outros casos de prefeitos que sonhando em ser governador querem abandonar os mandatos que acabaram de conquistar. Só para citar alguns famosos: o de Salvador, ACM Neto (DEM), o de São Paulo, João Dória (PSDB)…e aqui mais perto de nós (Pasmem!), Max Filho (PSDB), de Vila Velha.

Desses três casos, o menos grave, embora também não deixe de ser, é o caso de ACM, por se tratar de um prefeito reeleito (mesma situação de Audifax). Um prefeito em segundo mandato já tem uma estrada administrativa traçada e consolidada, de forma que deixar a missão para um vice-prefeito, que seja do mesmo grupo político, não seria de tudo estranho. Neste caso o povo perde menos.

Mas casos estapafúrdios como o de João Dória e Max Filho fogem da lógica. O que leva um prefeito que acabou de ser eleito abandonar sua cidade, seus compromissos, suas promessas, em troca de uma outra aventura eleitoral? Mal sentou na cadeira, mal pôs em prática suas ações, mal apresentou resultados positivos, e já quer sair?

Ora, nada convence. Isso não pode ser outra coisa senão a própria ambição eleitoral. O desejo pueril e narcisista de ser maior do que o atual tamanho que se encontra, ofendendo gravemente o eleitor que lhe confiou o voto e depositou nele os sonhos de uma cidade melhor. Pergunto: como esse prefeito que foi incapaz de honrar seus compromissos de agora vai olhar nos olhos do eleitor e firmar outros compromissos?

Puxando para o nosso quintal, o caso de Max Filho extrapola todo o bom senso e ofende a sua bela carreira política. Vila Velha é uma cidade problemática, de difícil gestão. Quem duvida disso basta perguntar ao ex-prefeito Rodiney Miranda (DEM). Por isso é inimaginável crer que o atual prefeito já tenha resolvido todos os problemas que encontrou a ponto de se dar ao luxo de abandoná-la.

A missão de terminar a tarefa para qual foi designado, como bem lembrou o prefeito Audifax, é ser coerente com a democracia, cumprindo rigorosamente o compromisso das últimas eleições. Fugir das responsabilidades administrativas assumidas no pleito passado, sob qualquer pretexto, é inadmissível para a opinião pública e incompreensível para o eleitor, este sim, principal vítima dessas aventuras eleitorais.

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“E eu que agora moro nos braços da paz / Ignoro o passado que hoje você me trás / Acreditar, eu não / Recomeçar, jamais” – Dona Ivone Lara / Delcio Carvalho

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