A MORTE DAS VIRTUDES

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Estamos testemunhando a morte das virtudes, a chacina da moral e a carnificina da ética! Esta presente geração não saberá o que é bom senso, humanidade, perdão, solidariedade, empatia, verdade, lealdade, justiça, altruísmo, bondade, dignidade, honestidade, trabalho, humildade, coragem, bravura, honra e igualdade!

Também a geração anterior não deixou o prometido legado para seus esquizofrênicos sucessores! Em nome do lucro todos se perderam e ainda se perdem! Tudo se desfez e se desfaz nessa enlouquecida corrida do umbigo! Nada dura muito tempo, as relações são superficiais e os acordos são meramente descartáveis!

Temos poucos exemplos e escassas referências! Os caminhos sinuam-se e os obstáculos impedem a grande e desorientada massa de alcançar o outro lado da margem! Assim, o desespero, o choro e a agonia formam o vultoso coral do medo, do desaforo e da inescrupulosidade! Contudo, essa fingida melodia é aplaudida, ovacionada e desejada pela numerosa e escandalosa platéia que, estridentemente, berra e celebra a impiedosa caravana da destruição, que não poupará seus perfumados bajuladores, seus mimados filhos, seus desavisados defensores e seus desassistidos membros!

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A temida vergonha não é mais um comportamento indecoroso, enojante e delinquente, é mais uma viva filosofia para essa gente que não sabe ser gente e, muito menos, conhece gente! A vaidade engoliu os nobres operários do bem, que agora sentem necessidade do infoído, do oco, do famigerado reconhecimento, da tola medalha e dos admirados olhares que massageiam o ego deste grupo bestializado, panovado e sem chão! Até a bondade, outrora anônima, agora é revelada antes mesmo de nascer e acontecer, tamanha a pressa pelo lugar mais alto no pódio da loucura! E a coragem? Essa sumiu há muito tempo e não temos mais nossos valorosos ícones, bustos e espelhos!

As águas da dignidade estão turvas, amarronzadas e sem o brilho da transparência que nos permite enxergar quem somos e quem está ao nosso lado! A nossa aquietada mente, agora é uma arena impacientada, sangrenta e altamente violenta, sem lugar e sem momento para a séria e produtiva reflexão! Onde existia a calma e a lúcida voz, agora existe o turronado grito, a egoísta visão e a agitação sem sentido! O coração justo foi substituído pelo avermelhado e interesseiro órgão, que não enxerga e não mede sentimentos, e sim, as incontáveis e esverdeadas cifras, mesmo que isso custe a premiada cabeça dos inocentes! Já a verdade sofreu um duro golpe e recebeu o danoso, o ajustoso e tendencioso rótulo da conveniência, servindo apenas como acessório filosófico, para assim, justificar as mutilosas barbáries espalhadas por este mundo de dores e de sofrimento!

Enfim, ser corrupto e ser corruptível está na moda, é chique e é artigo de luxo! Por isso, ironicamente, tenho vergonha de mim, tenho vergonha de muita gente que me cerca e tenho vergonha daqueles que morreram por nós, pela liberdade e por este sofrido Brasil! Sim, tenho muita vergonha de quem prega o bem, alimenta a esperança e luta por uma sociedade justa, diferente e transformada pelo amor e pela caridade! Nós não merecemos e não somos dignos, pois, de forma veloz e cinicamente, movemos a robusta engrenagem do mal e “somos” transformados em operários da ruína, da ganância e da “aceitável” corrupção!

Como bem acentuou o saudoso Ruy Barbosa: ” … de tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto … ”

Virtude, é chegada a sua hora, já vai tarde, aqui não é o seu lugar!

Abrace a sua morte, ó virtude,

Weverton Santiago

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