A escolha de Majeski

COMPARTILHE
Divulgação
203

A não ser o próprio deputado estadual Sérgio Majeski (PSB), a política capixaba inteira sabia que ele não tinha bagagem, histórico e muito menos peso eleitoral para ocupar uma vaga de senador em qualquer chapa. Mas foi levado a lançar-se pré-candidato afoitamente talvez pela própria incapacidade de avaliação política do seu mandato e do seu tamanho.

Na Assembleia Legislativa dez entre dez deputados estaduais querem distância dele devido sua postura, e essa ojeriza segue igualmente entre vários líderes partidários do estado. Logo, sem reconhecimento dos grandes atores políticos capixabas, sabia-se desde já que mesmo que fosse a última peça a ser usada no tabuleiro, ainda assim seria pedra em qualquer palanque na hora da consolidação das alianças. Deu no que deu.

Para cair subindo, antecipou-se na imprensa ao dizer que não topa dividir palanque com o senador Magno Malta (PR), nome cotado para ocupar uma vaga na chapa de Renato Casagrande (PSB), do seu partido. Na sua nota oficial, sem citar o nome do senador, afirma: “As movimentações partidárias dos últimos dias criaram a possibilidade de novos arranjos que apontam para uma direção que não pretendo caminhar”.

Continua depois da publicidade

Bom, a pergunta que fica é a seguinte: e se o Magno fechar com seu grupo político, ele mantém a coerência de não caminhar junto? Vai desistir de buscar um novo mandato como deputado por conta da presença do senador?

Não existe pecadinho e nem pecadão. Existe o pecado. Neste caso, a postura do deputado que mais encaixaria no seu senso de coerência seria a de não disputar qualquer cargo dentro de uma composição que envolva Magno Malta. Afinal, ele estará dentro da chapa, portanto dentro dos santinhos das coligações, e por sua vez com o DNA em toda a campanha.

Resumo: se for pra chapa de Casagrande, Magno será o senador de Majeski e de todos da coligação. O deputado vai ter que engolir seco, calado, como coadjuvante, colocando-se no tamanho que ele realmente tem e não no tamanho de protagonista, como achou que tivesse na política capixaba.

Essa cara na porta que levou, vem muito da falta de capacidade avaliativa do mandato. O deputado deve imaginar que faz um mandato brilhante só porque exerce severamente o papel de fiscalizador, e isso, por si só, lhe levaria a uma cadeira no Senado.

O buraco é mais embaixo. Mandato tem várias vertentes e formas de exercer. E ser bom fiscalizador, sem extrapolar esse exercício, é apenas uma maneira de beneficiar o eleitor. Há outras. A virtude está no meio.

Pode-se não gostar do atual governo e nem concordar com tudo que se faz nele, mas daí a adotar uma postura de que nada é bom, de que o Espírito Santo vive um caos, é distanciar-se dos lideres de partido e da própria população que enxergam coisas boas em alguns aspectos.  É distanciar-se do voto do eleitor e da simpatia dos partidos que orbitam em torno do governo.

Essa postura de ser crítico ao extremo, e pisar reto na sua caminhada, pode ter algum benefício, mas no geral cria em quem exerce o rótulo de linha dura, de firme nos seus propósitos e convicções. Isso pode gerar dificuldades futuras no caso de precisar rever posições, ou ser maleável.

Portanto: se a convicção de Majeski é não seguir no caminho que as movimentações partidárias se constroem dentro do seu palanque, cabe saber se o mais coerente é ele ser candidato ou desistir de uma candidatura, uma vez que faltamente caminhará junto com Magno.  Conhecendo sua postura dentro do mandato, a segunda opção é a que lhe cai melhor.

Mas, na hora de permanecer no poder, ou seja, na eleição, o coração dos políticos fica mais frágil, mais maleável, a ponto de rever posicionamentos. Fatalmente o de Majeski seguirá a regra, mostrando que há sempre o que aprender no mundo político e nas práticas alheias.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Publicidade