A escolha da ignorância

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urnas que elegeram candidatos que receberam os votos dessas mesmas pessoas não servem e estão irregulares para a escolha do presidente
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Desde o final do segundo turno das eleições, algumas pessoas resolveram que a mesma democracia que elegeu deputados, senadores e governadores em todo o Brasil não serve para a eleição de presidente. Ou seja, as mesmas urnas que elegeram candidatos que receberam os votos dessas mesmas pessoas não servem e estão irregulares para a escolha do presidente.

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Uma negação da realidade que se espalhou pelo País, como uma doença, uma seita, com cenas que chegam ao limite das maiores ficções cinematográficas que alguém podia imaginar. De mulheres gritando histéricas, assustando seus familiares, a um louco pendurado na frente de um caminhão percorrendo rodovias. Sem falar das correntes de orações em frente a quarteis do Exército, direcionadas a Deus ou a qualquer outro ente divino ou cósmico que acreditem.

Mas o que está por trás de tudo isso é o que precisa ser analisado e investigado. Há uma organização nos bastidores dessa insanidade coletiva que tem trazido prejuízos para muitas pessoas. Prejuízos incalculáveis, não só financeiros. Muito mais do que isso. São prejuízos pessoais irrecuperáveis, como a da senhora que não conseguiu dar adeus à sua mãe, em seus últimos momentos, ou a pessoa que não conseguiu receber o órgão que iria salvar sua vida, ambos porque ficaram presos no bloqueio de uma manifestação que pede a concretização de crimes. Porque pedir intervenção nas instituições democráticas é crime contra a Constituição. É crime contra a democracia. É crime contra a decisão da maioria da população.

E o que assusta é ver até advogados defendendo tal absurdo, passando por cima de leis que utilizam para defender os direitos de seus clientes. Uma espécie de multiverso da legislação, onde só vale o que beneficie o que esse grupo maquiavélico pretende e manipula um monte de gente que perdeu completamente o juízo ou sempre foi ruim ou criminoso mesmo.

Sim. Não sou advogado, nem promotor, nem juiz de Direito, mas sou cidadão. E afirmo que eles são criminosos, porque estão cometendo um crime contra a cidadania. Não vou chamar a todos de bandidos, porque muitos estão pecando pela ignorância e a insanidade coletiva de fazer parte de uma seita mal intencionada. Mas existem bandidos que estão por trás disso que precisam ser investigados e presos. Isso não é negociável.

São pessoas que chamam o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva de ladrão e já foram processados e até presos, ficando com seus direitos políticos cassados. E agora pedem a anulação de urnas, mas só no segundo turno. Mas são urnas utilizadas no primeiro turno. Então, também devem ser anulados os votos para deputados, senadores e governadores?

Sei que alguém vai aparecer com uma grande explicação técnico-burocrática-fake-newsada para justificar tal pedido, mas sinceramente, eu não os ouço mais. Não perco mais tempo com a insanidade de gente que não quero mais conviver e conversar, porque são nocivas e não as quero perto. Alguns até já foram amigos. Mas o tempo do verbo é esse mesmo: foram.

E não me venham com discursos de que estou sendo radical, que devemos ser cristãos e perdoar, estender a mão. Eles que vão plantar batatas (para não escrever o que veio à cabeça que está mais perto das iniciais VSF)! Porque, para mim, essas pessoas mostraram o que são. E o que são causa quase uma repulsa. Infelizmente. E não é um discurso de ódio, porque, ao contrário do que muitos devem sentir por mim – ainda mais a partir de agora – não desejo o mal para eles. Apenas desejo que um dia acordem dessa alucinação em que se encontram. Mas, se quiserem permanecer assim, só posso lamentar a escolha pela ignorância.

Fora isso, acho que a grande maioria do Brasil – a grande massa de brasileiros (alguns que até não votaram em Lula) – quer tocar em frente e pensar o futuro. E, além disso, é importantíssimo e temos a obrigação de contar toda essa história para nossas crianças e jovens, porque precisamos salvar a próxima geração da insanidade fascista (que está por trás disso tudo), desse perigo que se instalou no País. Nossas crianças e jovens são o Brasil de amanhã e precisam saber que tudo isso é loucura. E que golpe não se aceita.

Eles precisam aprender que amar a pátria é amar seu povo – todos (até os loucos) – com suas diferentes cores de pele ou ideológicas, sua cultura, suas diferenças regionais, sua beleza diversificada, sua democracia, sua cidadania, seu direito de dizer não a quem quiser usurpar seus direitos. Apreender a lição de que não se negocia nossa liberdade de escolher, de votar e até de se manifestar, desde que seja dentro dos limites do processo democrático. A lição de que não existe nada maior do que o direito de sermos o que quisermos ser, trilhando os caminhos que desejarmos, porque, antes de tudo, temos e sempre vamos ter o livre arbítrio dado por esse mesmo Deus – e que alguns evocam para justificar sua insanidade e idiossincrasia – para fazermos nossas escolhas.

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