A cadeira de Casagrande e as eleições 2022

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Renato Casagrande
Renato Casagrande -Foto: Wanderson Amorim
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É mais do que óbvio que todos os políticos que ocupam cargos eletivos no Estado desejam, um dia, sentar-se na cadeira de governador no Palácio Anchieta, o que não é tarefa fácil. Muitos sonham, alguns tentam, mas poucos conseguem, pois para se sentar na principal cadeira do ES, o felizardo tem de ter, no mínimo, uma boa dose de discernimento para escolher o momento certo de pleitear a vaga mais importante da política capixaba.

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Já começamos a ver claramente os principais atores da política capixaba se movimentando em busca de um lugar ao sol nas próximas eleições estaduais. No cenário, ainda turvo, começam a aparecer nomes, principalmente, visando o Palácio Anchieta. Entre eles Carlos Manato (sem partido) e Evair de Melo (PP), representando a direita, aliados ao governo Bolsonaro e nitidamente opositores contundentes ao governo de Renato Casagrande (PSB). O prefeito de Linhares, Guerino Zanon (MDB), o ex-prefeito da Serra, Audifax Barcelos (Rede), e o presidente da Assembleia Legislativa, Erick Musso (Republicanos), correm por fora, ainda sem posicionamento.

Ainda de olho no Governo do ES, despontam nomes como o do senador Fabiano Contarato (Rede) – convidado para se filiar no PT e Cidadania, este ligado à esquerda, além do secretário da Fazenda da prefeitura de Vitória, Aridelmo Teixeira (NOVO), que já foi candidato a governador em várias oportunidades, sendo que em 2018 obteve 62.821 votos, ou seja, apenas 3,25% dos votos válidos.

O nome mais forte na corrida eleitoral em 2022, é claro, é o do atual governador Renato Casagrande, que já não esconde de ninguém que será candidato à reeleição.

Nessa corrida em torno da cadeira do Palácio Anchieta, alguns pontos precisam ser observados. Primeiro é a característica do eleitor capixaba, que não vota em lado partidário como, por exemplo, nas últimas eleições, quando o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ligado à direita, e Casagrande, ligado à esquerda, foram eleitos com ampla vantagem aos demais candidatos. Bolsonaro obteve 63,06% dos votos e Casagrande 55,49%, mais do que o dobro dos votos do segundo colocado, Carlos Manato, que tinha o apoio do atual presidente da República.

O segundo ponto a ser olhado é a conjuntura de hoje, onde o atual  governador vem se destacando nacionalmente na gestão da maior crise sanitária já vista por esse País, com a Covid-19. Casagrande implementou medidas importantes fortalecendo os hospitais estaduais e filantrópicos, não poupando investimentos na contratação de leitos e aquisição de medicamentos para a rede de saúde, dando ao capixaba a condição de apenas ver pela mídia vários estados passarem por momentos críticos e transtornos com a falta de leitos, medicamentos e até de oxigênio, situações ocorridas nos estados do Amazonas, Maranhão, Rio de Janeiro e São Paulo. Ao invés de contratar tendas para hospitais de campanha, Renato ampliou leitos nos hospitais que ficarão disponíveis para a população, uma herança positiva em meio a tragédia pandêmica.

Outro ponto a ser analisado por quem está de olho na cadeira palaciana é a boa condução das contas públicas do Espírito Santo que, diga-se de passagem, está com as finanças equilibradas, com fortes investimentos em infraestruturas. É indiscutível sua boa gerência na gestão das contas públicas do Estado, que tem nota A, do Tesouro Nacional. Esses são, sem dúvidas, os dois maiores calos do Governo Federal, liderado pelo presidente Bolsonaro, principal capital eleitoral no apoio a Manato ou Evair, em uma futura disputa da direita contra o atual governo.

Casagrande tem rodado o estado, de canto a canto, entregando e dando ordens de serviços para obras importantes de infraestruturas e não esconde de ninguém a vontade de permanecer no cargo por mais quatro anos, para poder governar com, digamos, um pouco mais de tranquilidade fora da pandemia.

Muito mais amadurecido, o socialista, em seus discursos, tem dito que seu governo de agora está muito melhor do que o do primeiro mandato, 2011/2014, talvez querendo dizer sobre sua falha naquela gestão, quando desacelerou a máquina para se situar e quando quis acelerar de novo. A questão foi mais cronológica. Não houve tempo para o governador entregar aos capixabas tudo que desejava.

No atual mandato, Casagrande fez ao contrário: acelerou as obras que vinham sendo tocadas e ainda reiniciou outras que estavam paradas, isso tudo em plena pandemia. Em suas visitas, ele faz questão de pontuar o que foi feito, lembrando que a pandemia ofuscou as ações do Governo do ES, mas que agora serão vistas pelos capixabas.

Olhando friamente o Governo do Estado, de fato enxergarmos avanços em diversas áreas já ditas acima, mas há pontos fracos sim, como, por exemplo, nas áreas da segurança pública, onde a falta de contratação de novos profissionais tem deixado delegacias sem delegados e policiais civis e, numa situação mais crítica, nos poucos SMLs pelo estado, deixando famílias desamparadas nas horas mais difíceis, que é a hora de liberar os corpos de seus parentes para  sepultamentos por ausência de médicos legistas e outros profissionais.

Outro ponto fraco do governo foi a interlocução com o setor produtivo nas restrições estabelecidas pelo governo em combate à pandemia. Foram decisões complicadas, antipáticas, inclusive reconhecidas por Casagrande, que muitas vezes foi incompreendido, justamente pela falta de uma melhor interlocução com o setor.

Mas, com a chegada de Tyago Hoffman, secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado, e a vinda de Gilson Daniel, para a Secretaria de Governo, a interlocução com o setor produtivo e com os municípios começa a acontecer e deixará de ser um dos calos. O problema maior, agora, talvez o maior deles, é a Agricultura, que tem sido, disparadamente, o ponto mais fraco do governo, com uma ausência sentida por todo o setor agropecuário do Espírito Santo, que se acostumou a sempre receber uma super atenção nos governos passados, inclusive o de Renato Casagrande, em sua última gestão à frente do Governo do Estado.

A visão, hoje, é que falta uma eternidade até as eleições de 2022. O bom é que há tempo para o Governo do Estado corrigir suas falhas e aperfeiçoar ainda mais os pontos fortes, tornando a missão da oposição ao governador Casagrande bastante difícil, ainda mais com um governo que está iniciando novos investimentos, na ordem de R$ 9 bilhões.

Resumindo, não será nada fácil tirar a cadeira de Renato Casagrande.

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