MÁSCARAS E MASCARADOS

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Confesso! O magnetismo do Carnaval me envolveu e tal apelo, é a justificativa para essa semana, sobressaltar os assuntos jurídicos desta coluna!
Não é de hoje, mas a humanidade sempre teve uma queda, uma paquera, pelo ato de se mascarar. Na antiguidade, as máscaras eram usadas para propósitos religiosos e rituais. Posteriormente, assumiram função cênica na dramaturgia da Grécia clássica. No Brasil são adereços da principal festa popular, o Carnaval!
Muito de tal prática ser apreciada, é pelo fato de que, anonimamente “tudo” é admitido, ao passo que de face nua, a moral e os bons costumes não permitiriam tamanho desregramento.

É no Carnaval que o folião mascarado se transforma naquilo que não é. E é exatamente aqui que a vergonha parcial de muitos dos que usam máscaras na folia de fevereiro, revela-se ainda mais íntegra do que o cinismo dos representantes do povo.

Afinal, no Carnaval, é valido sentir-se liberto das angústias, frustrações dos outros 360 dias do ano, servindo como uma boa dose de anestesia das amarras cotidianas. Ao contrário sensu das práticas corriqueiras e organizadas dos políticos brasileiros, já tão manifestas, que o uso de máscaras já não é capaz de ocultar uma fagulha sequer da corrupção, que quase que diariamente é noticiada pela mídia.
Na verdade, a deturpação atual é tão sistémica que o simples fato de negar atos ilícitos quando de suas denúncias, já se faz o bastante para as justificativas e o consequente abandono, indiferença e até mesmo anuência do povo com os males cometidos.
No Carnaval, assim como na política, a brincadeira é pra muitos e o trabalho é responsabilidade de poucos compromissados com o que se propuseram a representar.
Pois é, em 2018, o que deve importar para o brasileiro, é o que o candidato faz. A fantasia que cada um escolhe para si, não tem tanta importância mais. A personalidade que se expressa sim! A melhor forma de definir um indivíduo, afinal, não é pelo nome ou sobrenome, profissão ou função, quiçá pela aparência ou discursos prontos. E sim pela observação do agir. Se faz o bem, é boa. Se faz o mal, é má. E NÃO HÁ DISFARCE QUE TENHA O CONDÃO DE OCULTAR ISSO!
A verdade é que ficou tão escancarado o escárnio na política do Brasil, que não há mais necessidade do uso de máscaras, seja nas atribuições dos mandatos eletivos, seja no processo eleitoral, tornando-se artigo obsoleto. Os candidatos já se deram conta disso. Será que o eleitor também?

Dr. Igor Fonseca é Advogado Pós-graduado em Direito e Processo do Trabalho

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