Cultura

Globelezas antiga e atual têm opiniões diferentes sobre corpo pintado ou vestido

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RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – Uma produção que levava mais de dez horas para ser finalizada, e que resultava em um corpo nu cheio de cores e purpurina. Assim foi a caracterização da Globeleza que sambou nas vinhetas de Carnaval da Globo de 1991 até 2016. De 2017 para cá, a emissora optou por incluir outras danças tradicionais carnavalescas na vinheta, além de trocar a nudez por trajes típicos.

Erika Moura, 25, sentiu a experiência na pele. Ela assumiu o posto em 2015 e já dançou tanto nua como vestida. A opinião dela sobre a mudança na caracterização é neutra.

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“Meu amor pela dança me inspira e a minha paixão pelo Carnaval me permite colocar isso em prática. Independentemente de estar vestida ou com o corpo pintado, tenho muito orgulho de representar essa grande festa, disse, em entrevista ao “F5”.

Segundo ela, a maior parte do público também se manteve imparcial. “Tivemos um retorno muito positivo desde a vinheta do ano passado. Os dois estilos agradam. O objetivo sempre é mostrar a diversidade, a alegria e a beleza que o Carnaval representa.”

Para Moura, dançarina e graduanda em educação física, alguns ritmos são mais difíceis que outros na hora de representá-los. “Todos têm o seu desafio, como dar os saltos do frevo ou sambar em cima de um salto. Para mim, o mais desafiador foi atuar como porta-bandeira, pois além dos giros com o ‘saião’, tinha que segurar e girar o pavilhão. Foi realmente incrível.”

DE OUTROS CARNAVAIS

Já Valeria Valenssa, 46, que inaugurou o posto de Globeleza no início da década de 1990, é clara ao dizer que prefere a vinheta protagonizada por uma mulata nua.

“Eu acho que a Globeleza nua tinha mais a ver. As pessoas estavam mais acostumadas com esse conceito. Acho que eles [Globo] quiseram renovar e inovar. Mas a mulata nua sem dúvida tem mais a ver”, disse.

Após aparecer sambando nas telas da Globo por tantos anos, ela escolheu deixar a função para se dedicar à família.

“Hoje vivo outro momento. Escolhi cuidar dos meus filhos. Mas tenho a consciência de que fiz um bom trabalho e criei uma imagem legal, junto com minha família.”

Mesmo há 15 anos fora do ar, Valenssa ainda figura no imaginário popular como Globeleza. “Isso acontece porque fiz um trabalho bem feito. Só eu sei o quanto foi delicado, o quanto foi difícil chegar lá.”

Neste ano, a ex-Globeleza esteve no camarote Club Arpoador, estreante na Sapucaí. Ela representou o Sol. O espaço teve identidade visual inspirada no pôr do sol do Arpoador [um dos cartões postais do Rio, localizado na zona sul da cidade], criada por Hans Donner, seu marido.

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