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Estudos vão apontar se há riscos geológicos em pontos turísticos do ES

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risco geológico
Fotos: Yuri Barichivich/Setur/ES
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O Espírito Santo guarda grandes tesouros naturais. São rochas esculpidas pelo tempo e que, pela beleza ou singularidade das formas, conquistam admiração das comunidades do entorno e atraem visitantes de todas as partes do mundo. Três exemplos no Espírito Santo são a Pedra Azul, em Aracê, Domingos Martins, os Pontões Capixabas, em Pancas, e a formação Frade e a Freira, em Itapemirim.

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Todos os locais já contam com um trabalho de preservação e orientação aos turistas. E, para aumentar ainda mais a segurança de quem fará a visitação, em dezembro, foi feita uma reunião onde foram discutidos os riscos geológicos em áreas turísticas do Estado. O encontro, que ocorreu sob o tema “Minimizando os Riscos Geológicos no Espírito Santo”, teve participação de dirigentes de vários órgãos de defesa e engenharia.

“Convidamos também os coordenadores municipais para participarem e para que trouxessem as demandas. Afinal, quais pontos trariam consigo riscos geológicos? Alguns dos citados para serem avaliados são a Pedra do Lagarto, Pontões Capixabas, Frade e a Freira e as falésias. A ideia é que os profissionais do Crea-ES olhem com critério técnico e tragam soluções, caso necessárias”, disse o Coordenador Estadual de Proteção e Defesa Civil, coronel Áureo Buzatto, salientando que só com os estudos finalizados será possível dizer se esses locais tem ou não pontos de risco aos visitantes.

Um dos sinais de alerta para que esse trabalho tomasse corpo foi o desastre que ocorreu em Capitólio, Minas Gerais, em janeiro de 2022. O acidente aconteceu no Lago de Furnas, quando um grupo com dez turistas, muitos da mesma família, passeava de lancha no local, que é rodeado de paredões rochosos. Uma das rochas cedeu no momento em que a embarcação estava parada próxima a ela, para que os turistas pudessem apreciar a paisagem. A ruptura da pedra terminou com dez mortos.

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Depois disso, geólogos da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e da Universidade Federal de Goiás (UFG) fizeram um mapeamento dos riscos na região dos cânions de Capitólio. Entre as possibilidades que interferiram na estabilidade das rochas, o baixo nível de água do lago, que deixou a superfície do paredão exposta o que ocasionou um maior desgaste da pedra.

Riscos geológicos

No Espírito Santo, avaliações do tipo são mais do que necessárias, mesmo com o monitoramento e sinalização feitas ano a ano. Com as mudanças climáticas, os eventos meteorológicos ficam a cada dia mais próximos uns dos outros. Exemplo são as chuvas que vêm castigando boa parte o Estado nas últimas semanas. E, terra encharcada é um sinal de alerta que não pode ser ignorado. A primeira pergunta, claro, é se realmente há algum risco de deslizamento ou desmoronamento nos cartões postais capixabas.

“Estamos na fase de diagnóstico. Por exemplo, a cabeça do frade, no monumento do Frade e a Freira, é uma pedra e não sabemos como está. Então, essa análise geológica vai nos mostrar a situação e, assim, agiremos preventivamente. Há um conjunto de locais no Estado com potencial para movimento de massa, queda de blocos, escorregamento e, no caso das falésias, erosões costeiras. Todos são locais de ampla visitação e merecem essa avaliação detalhada”, continua o coordenador.

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Claro que muitos desses locais são monitorados diariamente, especialmente os parques estaduais. Pedra Azul, Forno Grande, Frade e a Freira já limitam a aproximação do turista por serem unidades de conservação, ou seja, as trilhas são seguras e demarcadas.

“Há uma organização forte feita pelo Estado. Mas, é preciso ampliar. Nos Pontões Capixabas, em Pancas, por exemplo, a área é muito maior e há quedas de blocos. No entanto, os locais onde há deslizamentos não são para visitação. Então não são desastres, são fenômenos naturais”, explica a geóloga da Defesa Civil Estadual, Cristiane Tinoco, acrescentando que após o diagnóstico de riscos, será feito um trabalho junto ao tutor da área para que sejam feitas a preservação e a limitação de acesso.

Os cartões postais capixabas monitorados de perto:

Pedra Azul ou Pedra do Lagarto

Foto: Yuri Barichivich/Setur/ES

Um dos cartões postais do Espírito Santo, a pedra de granito que muda de cor dependendo da incidência da luz do sol fica a 1.822 metros de altitude e faz parte do Parque Estadual da Pedra Azul. A origem do nome é devido à presença de líquens na rocha que lhe dão tons azulados quando avistada ao longe. Mas, de acordo com a época do ano, a rocha pode ganhar cores com tonalidades que vão do laranja ao rosa.

A área onde está o conjunto rochoso de Pedra Azul foi declarada no decreto nº 312 de 31 de outubro de 1960 como Reserva Florestal de Pedra Azul, tornando-se uma área protegida. Em 1991, foi nomeada para Parque Estadual da Pedra Azul.

Entre as principais espécies vegetais da unidade encontram-se uma variedade de orquídeas, bromélias, ingás, cedros, ipês, canelas, entre outras. Com sorte e silêncio, alguns representantes da fauna podem ser avistados nas trilhas, como tatus, veados, iraras, arapongas, macacos barbados (bugios), saguis, serpentes, entre outros. Espécies ameaçadas de extinção também ocorrem no Parque, mas são mais difíceis de avistar, como a onça parda, o sagui-da-serra, o tamanduá-mirim, entre outros. As informações são do Instituto de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema).

Pontões Capixabas

O Monumento Natural dos Pontões Capixabas é uma unidade de conservação federal do Brasil categorizada como monumento natural e criada por decreto presidencial em 2 de junho de 2008 com a mudança de categoria do antigo Parque Nacional dos Pontões Capixabas, anteriormente criado em 19 de dezembro de 2002. É administrado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Está localizado nos municípios de Pancas e Águia Branca, no estado do Espírito Santo. As informações são da Wikipedia.

Frade e a Freira

Foto: Yuri Barichivich/Setur/ES

A Unidade de Conservação foi criada principalmente por ser um marco paisagístico e histórico do Espírito Santo. A região foi declarada como Patrimônio Natural Cultural, por meio da Resolução nº 7, do Conselho Estadual de Cultura, em 12 de junho de 1986. Apresenta um conjunto granítico de 683 metros de altitude, com uma silhueta, que segunda a lenda, lembra o perfil de um frade e uma freira. Atualmente o monumento natural é procurado por visitantes para contemplação da natureza e a prática de escalada esportiva.

Em 1860, Dom Pedro II em visita ao Espírito Santo, desenhou um esboço da rocha

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