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Frio e calor na mesma semana: gangorra de temperaturas afeta a saúde

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Depois de um sábado de calorão, é hora de tirar o casaco do armário. De acordo com as informações do Instituto Capixaba de Pesquisa, julho
Foto: Reprodução
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Após dias de bastante calor, os habitantes das regiões Sul e Sudeste começaram a semana com tempo frio e chuvas em algumas localidades. Na capital paulista, os termômetros chegaram a marcar 30ºC no sábado (10). No domingo (11), as temperaturas caíram de forma abrupta, atingindo os 12ºC. De acordo com a Climatempo, os próximos dias também serão uma “gangorra” térmica no Estado de São Paulo.

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As variações bruscas trazem vários impactos para a saúde, do ressecamento da pele ao aumento do risco de enfarte, passando pelas alergias e infecções respiratórias. “O inverno é um período seco na maior parte do Brasil, o que leva à possibilidade de inúmeros processos inflamatórios das vias respiratórias superiores e inferiores, como a rinite e a bronquite. Essas inflamações podem levar a infecções bacterianas, como sinusite, amigdalite e pneumonia”, explica Alexandre Naime Barbosa, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI).

O frio também favorece a queda da imunidade, o que aumenta a incidência de doenças como gripes e resfriados. A diminuição das defesas do organismo ocorre porque, com o corpo se esforçando para regular e manter a temperatura adequada em meio às mudanças climáticas, ele diminui o suprimento de energia destinado ao sistema imune e à produção das células de defesa.

Embora seja comum ouvir, por exemplo, que tomar vitamina C ou comer determinados alimentos afasta as chances de pegar gripe, não existe uma solução instantânea para se proteger e evitar as doenças que se aproveitam da baixa das defesas do corpo. “A imunidade é fruto de um conjunto de ações de estilo de vida adequado. É lógico que em situações em que você está com hipovitaminose (falta de uma ou mais vitaminas no corpo), precisa repor. É importante checar se os níveis de vitaminas estão adequados, mas a reposição sem que haja diagnóstico não está indicada”, alerta Naime Barbosa, também professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

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Isso não significa que não se pode fazer nada para prevenir os impactos das variações bruscas de temperatura sobre a imunidade. Manter o corpo hidratado, alimentação balanceada com a ingestão adequada de proteínas e cuidar da qualidade do sono são algumas das medidas indicadas pelo especialista.

Além disso, é importante evitar o estresse, que pode ser físico, causado, por exemplo, por exercícios em excesso, ou psíquico. “Atividade física regular na intensidade que o seu corpo permite é fundamental”, pontua Barbosa.

Risco de enfarte aumenta no frio

Os sistemas respiratório e imunológico não são os únicos a sofrer com a oscilação térmica. Para controlar a temperatura corporal, o organismo contrai e dilata os vasos sanguíneos de acordo com as condições climáticas. Se nos dias quentes a vasodilatação provoca a perda do calor para o exterior, no frio a vasoconstrição tenta mantê-lo, o que deixa os vasos sanguíneos mais estreitos e aumenta a pressão sanguínea.

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Segundo Caroline Reigada, médica nefrologista e especializada em medicina intensiva, esse cenário favorece problemas cardiovasculares e crises hipertensivas. “Nesse processo, pode ocorrer a constrição das artérias que irrigam o coração. A cada 10% de queda na temperatura, aumenta em 7% a chance de você ter enfarte, e ainda mais para quem já teve um (ataque cardíaco) previamente ou tem fatores de risco relacionados, como diabete, hipertensão e tabagismo”, afirma.

As altas amplitudes térmicas também podem prejudicar a saúde dos rins e provocar desidratação, já que frequentemente impactam na ingestão diária de água. “Quando estamos em uma onda de frio e de repente vem uma onda de calor, muitas vezes não percebemos que isso reduz nossa capacidade de tomar água”, diz Caroline.

Para combater esses riscos, a médica lista ações como manter-se sempre aquecido, para diminuir a ação compensatória do organismo no esforço para driblar o frio e manter o corpo em equilíbrio térmico, e monitorar o consumo de água.

Cuidados com a pele

A ingestão de água é fundamental para a hidratação de todas as partes do corpo e, na pele, ela pode contar com a ajuda extra de loções e óleos hidratantes. Cláudia Merlo, médica especializada em Cosmetologia, explica que as variações climáticas muitas vezes confundem sobre os cuidados necessários com o maior órgão do corpo humano.

Mais do que o frio, ela considera que a queda de umidade é o que mais impacta na saúde da pele, que, quando fica mais seca, tende a coçar mais e agravar alergias e doenças inflamatórias, como a rosácea. Para todos os casos, a recomendação da especialista é investir na hidratação. Ela ressalta que a dica vale também para quem tem pele oleosa e tem receio de que os hidratantes possam piorar a condição.

Com a pele mais ressecada, aumentam as chances de aparecerem feridas, que podem levar a lesões e o desenvolvimento de quadros mais graves. O cuidado, segundo Cláudia, deve ser intensificado com pés e pernas e em idosos.

Veja os cuidados para minimizar danos causados pelas variações bruscas de temperatura

– Em caso de ar mais seco, usar umidificadores, evitar fazer atividades físicas ao ar livre no período das 10h às 16h e realizar lavagem nasal com soro fisiológico, o que ajuda a remover micropartículas sólidas, vírus e bactérias;

– Para a pele, hidratar todas as áreas do corpo com uma loção hidratante ou óleo, dando mais atenção aos membros inferiores e lábios;

– Tomar a vacina da gripe;

– Deixar o ar circulando quando estiver em ambiente fechado, para evitar infecções respiratórias;

– Evitar choque térmico: agasalhar-se ao sair de um ambiente aquecido e evitar ambientes muito resfriados em um dia quente;

– Ao tirar as roupas de inverno do armário, certificar-se que foram lavadas desde o último uso, para evitar alergias causadas por ácaros;

– Em caso de frente fria, manter-se bem agasalhado com várias camadas de roupa, que podem ser removidas ao longo do dia;

– Monitorar a ingestão diária de água;

– Para melhorar a imunidade, criar o hábito de se alimentar de forma saudável, dormir bem, praticar atividade física regularmente e buscar formas de manejar o estresse do cotidiano;

– Para pacientes hipertensos e com problemas cardiovasculares, cuidar para tomar os remédios regularmente;

– Para pacientes imunodeprimidos, usar máscaras para evitar doenças causadas por vírus respiratórios.M

Raisa Toledo
Estadao Conteudo
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