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Sobe para 59 o número de mulheres que denunciam juiz por assédio em SP

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O número de mulheres que acusam o juiz do Trabalho de São Paulo Marcos Scalercio de assédio e outros crimes sexuais subiu para 59, segundo a
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O número de mulheres que acusam o juiz do Trabalho de São Paulo Marcos Scalercio de assédio e outros crimes sexuais subiu para 59, segundo a advogada Luanda Pires, diretora de Políticas Públicas da ONG Me Too Brasil. Em entrevista concedida ontem à Rádio Eldorado, ela afirmou, ainda, que três relatos podem ser tipificados como estupro, e reconhece que o número de vítimas pode crescer.

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Essa alta quantidade de episódios e as semelhanças entre os relatos fazem Luanda acreditar tratar-se de um caso de “assédio em série”. “O modus operandi (forma de agir) dele é muito parecido e as vítimas não se conhecem. Por isso que nós já estamos tratando como um caso de um assediador em série. Todos os relatos coincidem, são muito parecidos”, disse a advogada na entrevista à rádio. A defesa do juiz sustenta inocência.

Ela diz que a maioria das vítimas são mulheres na faixa dos 27 e 28 anos de idade, e que são servidoras do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) e estudantes de cursinhos preparatórios para exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e provas de concurso. Além de cumprir a função de juiz no TRT da 2ª Região, Marcos Scalercio também era professor de Direito Material e Processual do Trabalho no Damásio Educacional.

Luanda Pires explica que quando o assédio é cometido por uma pessoa próxima, e que exerce uma posição hierárquica (como juiz e professor), é mais difícil para a vítima identificar o abuso. “Óbvio que elas se sentem ameaçadas, mas leva um tempo para entender a violência da forma como ela deve ser entendida. Por isso (existe) a dificuldade das vítimas procurarem as instituições públicas por conta disso.”

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A ONG Me Too Brasil acolhe os relatos e encaminha a situação para o Ministério Público, a quem compete eventual apresentação de denúncia formal à Justiça.

DENÚNCIAS

Parte das vítimas alega que o juiz teria tentado beijá-las à força dentro do gabinete no Fórum Trabalhista Ruy Barbosa, na Barra Funda, zona oeste. No caso da estudante, o assédio teria ocorrido da mesma forma num café na região central.

Outros relatos reforçam o perfil das denúncias. A advogada Rafaella Mira, de 32 anos, foi aluna do curso Damásio em 2016, quando prestou o exame da OAB. Ela conta que começou a seguir Scalercio no Instagram para acompanhar dicas de estudo. Ele a seguiu de volta e, ao ver fotos da advogada em provas de corrida de rua, enviou mensagens sobre o assunto. “Ele faz você se sentir especial. De uma turma de 200, 2 mil alunos, ele te notou, né?”, relembra.

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Depois desse primeiro momento, Mira viu que “as conversas começaram a ficar esquisitas”. “Ele disse Está com dificuldade em Direito do Trabalho? Vem na minha vara. A gente sabe o que é vara (local de trabalho), mas ele usava com um sentido meio pejorativo”.

Ao negar as investidas, a advogada afirma que Scalercio teria começado a tratá-la de forma rude. Na época, ela afirmou ter ido à sede do curso no bairro paulistano da Liberdade, para formalizar uma reclamação. O funcionário que a atendeu teria dito “ah, é o Marquinhos”. “Deixa isso para lá, ele é brincalhão, e você está começando sua carreira agora”, afirma Mira.

Da mesma forma como aconteceu com outras mulheres, uma advogada de 25 anos relatou à reportagem que a conversa com o professor assumiu subitamente um tom mais íntimo. “Aí eu percebi que ele estava na maldade. Perguntou de que tipo de cara eu gostava, que tipo de pegada… Eu parei de responder”, conta a ex-aluna. Em transcrições, também diz que a advogada é “linda” e que “deve arrasar corações”.

DEFESA

A equipe de defesa do juiz tem negado as acusações. “As acusações que são feitas em face do Dr. Marcos Scalercio já foram objeto de crivo e juízo de valor pelo órgão correcional e colegiado do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região. O Dr. Scalercio foi absolvido pelo tribunal e o caso foi arquivado. Foram ouvidas 15 testemunhas no processo. O arquivamento, portanto, demonstrou que o conjunto probatório, obtido no exercício do contraditório, é absolutamente insuficiente para dar lastro em qualquer dos fatos relatados”, disse.

Em nota, a Damásio Educacional disse que afastou o docente das suas atividades. “A instituição esclarece que atua na promoção de um ambiente acadêmico respeitoso e repudia qualquer ação que seja contrária aos seus valores e ao código de ética”. “A instituição ressalta que não recebeu manifestação de estudantes em canais oficiais desde 2015.”

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Caio Possati e Isabella Alonso Panho, especiais para o Estadão
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