Economia

"Estamos chegando ao limite da alta da taxa de juros", diz economista após aumento da Selic

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Selic vai subir mais
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O Comitê de Política Monetária (Copom) elevou a taxa Selic, juros básicos da economia, de 13,25% para 13,75% ao ano nesta quarta-feira (3), numa decisão esperada pelos analistas financeiros. A taxa está no maior nível desde janeiro de 2017. A sequência de altas, no entanto, não deve continuar por muito tempo, avalia o economista Eduardo Araújo. Mas a quebra do ciclo de aumentos vai depender, principalmente, do comportamento da inflação nos próximos meses, que já dá sinais de arrefecimento. 

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“Esse é um parâmetro para o Banco Central e, como os economistas estão prevendo uma queda na inflação, talvez o ciclo de alta esteja chegando ao fim. Mas outro fator que afeta é a alta na taxa de juros em outros países. Isso estimula o Banco Central a elevar a taxa de juros aqui a fim de tentar manter capitais, já que a fuga de capitais pode fazer a taxa de câmbio subir. Numa resposta curta, é que estamos chegando num limite da alta de juros e ela pode se estabilizar nesse patamar nos próximos meses”.

Para os consumidores, a dica é realmente ter parcimônia na hora das compras e, principalmente, fechar empréstimos e financiamentos apenas se extremamente necessário ou for algum investimento. “A taxa de juros nada mais é do que o custo do dinheiro para as pessoas. Quando ela se eleva, significa que vai ficar mais caro para as pessoas tomarem empréstimo e fazer financiamento. Essa taxa serve de parâmetro para a rentabilidade de alguns produtos financeiros. No geral, o que está por trás da alta de juro é que o Banco Central quer desestimular o consumo para controlar a inflação. É um sinal para as pessoas de que o dinheiro está mais caro e que devemos fazer um uso mais moderado dos recursos”, ressalta. 

Selic alta: momento é de pegar empréstimo?

A orientação dos economistas, de um modo geral, avalia Araújo, é de que as pessoas não devem contratar empréstimos voltados para o consumo, ou seja, esses mecanismos só são atrativos e viáveis em tempos de juros altos quando há a perspectiva de ganhos com a operação financeira. “Vamos imaginar que alguém vá trabalhar como motorista de aplicativo, por exemplo. E essa pessoa não tem dinheiro para comprar um carro. Ela pensa em fazer o empréstimo e, com o dinheiro do trabalho, paga os juros do banco e sobra renda. Então essa é uma situação em que é viável fazer um empréstimo”.

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Mas, no geral, a ideia de tomar dinheiro emprestado num país em que as taxas de juros podem chegar a 300% ao ano, caso dos cartões de crédito, significam uma transferência financeira forte demais, continua o economista. “Por isso alertamos para que as pessoas façam o uso prudente e, se puderem, pagar à vista. E se você não consegue comprar à vista, pode ser um sinal de que você não deveria comprar aquele produto no momento. Agora, se tiver recurso disponível, é o momento certo para investir”.

 

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