Política Regional

CPI na Assembleia Legislativa investiga ataques a provedores de internet

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Denúncias de ataques hackers, que teriam iniciado em junho, na região sul capixaba e depois se estendido para as demais regiões do estado estão sendo apuradas na CPI de Crimes Cibernéticos. Os representantes dos provedores de internet envolvidos apresentaram suas denúncias e responderam os questionamentos dos parlamentares.

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De acordo com o administrador da Empresa New Tecnologia da Informação, com sede em Cachoeiro de Itapemirim, Carlos Henrique Borges Fassarella, esse tipo de ataque tem efeitos irreversíveis, especialmente para empresas de pequeno porte, que não conseguem investir altas quantias na proteção de suas redes de interface de programação (IP), também conhecido como protocolo de internet.

“Sem o ataque a rede funcionaria normalmente. Todo mundo que é provedor sabe o quanto isso traz transtorno pra rede. O usuário final acaba sendo leigo, ele não entende a gravidade desse problema. Você até consegue mitigar, diminuir o problema, mas o impacto é irreversível. Porque o cliente vai ficar insatisfeito com o produto e, infelizmente o provedor, a única coisa que ele pode fazer é a mitigação”, desabafou.

O convidado afirma que a empresa fica de mãos atadas com a situação. “Não tem como fazer nada além de esperar o ataque parar. Enquanto o ataque continuar, continua a lentidão. Você pode investir em equipamentos de mais densidade e mesmo assim você vai ter a lentidão no produto final e o usuário vai sofrer, vai sentir isso”, lamentou.

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O presidente da CPI, deputado Vandinho Leite (PSDB), questionou o administrador sobre a origem e sobre o direcionamento dos ataques. “De que forma, tecnicamente, que vocês sustentam serem ataques até programados por alguns que queiram prejudicar os provedores?”, indagou.

Fassarella reforçou a percepção de que aparentemente os ataques são sim coordenados. “Ele não ataca somente um IP aleatório, ele está atacando todos os blocos de IP de uma operadora. Cada operadora tem uma faixa de IPs, o ataque que está acontecendo desde o mês 6 (junho), ele é totalmente direcionado aos provedores do sul do estado. A gente pode falar porque sabe que tem colegas sofrendo com o mesmo problema”, avaliou.

Já o deputado Bruno Lamas (PSB) questionou o depoente sobre o alcance e o poder de causar prejuízos que esses ataques possuem. “A gente atende hospitais, quase todos os hospitais da rede de Cachoeiro de Itapemirim. Então, prejudica hospitais, escolas, audiências públicas, nós temos clientes de todos os tipos, estudantes, advogados, médicos, enfim, prejudica todo mundo”, afirmou Fassarella.

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Região metropolitana

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Os ataques também são recorrentes na Região Metropolitana do estado, como afirma o diretor técnico da GTI Telecomunicações, Álvaro Araújo França. A empresa tem sede em Vitória. A estimativa é que aproximadamente 100 mil usuários sejam prejudicados direta e indiretamente.

“Esses ataques realmente são contínuos e isso vem prejudicando não só a nossa rede como a rede de nossos clientes. Hoje como nós somos uma empresa que fornece link para outros provedores, a gente estima que, atrás da nossa rede, haja algo em torno de 100 mil assinantes, clientes de outros provedores que compram link com a gente. A gente se sente prejudicado porque isso afeta a qualidade do circuito. Isso tem acontecido com muita frequência e sem interrupção”, apontou.

Os parlamentares indagaram ao diretor quem seriam os principais interessados em fazer esse tipo de ataque. O representante da GTI acredita que existem três grandes principais interessados em prejudicar as empresas de menor porte.

“Existem três principais interessados nesse tipo de ataque. Um seria a concorrência, seriam os principais beneficiados com esse tipo de ataque. Seriam empresas maiores, normalmente empresas de grande porte, que têm sede fora do estado, porque a gente percebe que os ataques são destinados aos pequenos provedores da nossa região. Todos os provedores do nosso estado têm sofrido com isso, do sul ao morte, além de Vitória”, opinou.

“O segundo maior interessado seriam empresas de venda de link de grande porte, então seriam empresas nacionais e internacionais que forçariam a empresa menor a trocar o seu fornecedor. E em terceiro seriam as empresas que fornecem o serviço de mitigação, que é a própria proteção, então essas seriam as três principais”, complementou.

Sumicity

Uma empresa de maior porte e com experiência no setor em outros estados da Federação, como São Paulo e Distrito Federal, a Sumicity Telecomunicações foi representada na reunião pelo seu presidente, Alexandre Stipanich Lovecchio, e pelo diretor, Leandro Salatti dos Santos. O deputado Bruno Lamas fez uma série de perguntas aos representantes, com foco na forma como a empresa se protege desse tipo de ataque e nos valores investidos.

“O que a gente tem são os ataques que a gente também sofre. A gente pode colaborar dizendo como é que a gente se protege contra esses ataques, talvez seja um caminho de colaboração. É um investimento de mais de dezenas de milhões”, respondeu Leandro dos Santos.

Outra empresa do ramo, de maior investimento, é a K2 Telecom. O diretor técnico da empresa, Leandro Pereira Garcia, afirmou que a operadora já sofreu muito com esse tipo de ataque e afirmou ao colegiado que a empresa já acionou as esferas jurídicas no passado para punir os responsáveis.

“Ataques sempre existiram, mas eram ataques pequenos, vamos assim dizer, daqueles usuários de games e jogos que perderam e fazem lá um ataque, um hacker pequeno, mas não o que está acontecendo agora. O que está acontecendo agora, a K2 vivenciou no ano de 2020. Ela foi mais de 120 dias atacada constantemente, numa volumetria muito grande. A K2 abriu ação criminal tanto na esfera civil, quanto na federal”, disse.

Deliberações

Após ouvir as explicações, Bruno Lamas solicitou a todas as empresas ouvidas que encaminhassem um relatório com a lista de clientes que interromperam os contratos nos últimos meses e solicitou que fosse feita uma investigação para saberem para quais empresas esses clientes migraram após a interrupção desses contratos.

O presidente do colegiado, deputado Vandinho Leite, também solicitou que as empresas enviem à CPI todo material que comprove o direcionamento desses ataques para que sejam acionadas as autoridades competentes.

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