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'Uma porta para mudança', diz Maria Gal sobre talk show

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Maria Gal estreia como apresentadora do talk show Preto no Branco, nova produção da BandNews TV com foco no protagonismo negro, que vai ao ar no dia 26 de maio, às 23h30.

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Ao Estadão, ela contou detalhes do projeto e falou sobre o longo caminho para tornar o audiovisual brasileiro verdadeiramente inclusivo e diverso.

“Vivemos em um País que até ontem acreditava no mito da democracia racial”, diz, e destaca que as discussões sobre racismo só ganharam destaque recentemente após o assassinato de George Floyd. No entanto, para ela, ainda há quem prefira não enxergar.

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“O fato é que muitas pessoas brancas não têm consciência sobre o privilégio branco e que vivemos numa sociedade de castas, na qual alguns fenótipos são vistos como inferiores, menos belos, menos inteligentes e que não devem ocupar determinadas posições de poder.”

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Em um Brasil majoritariamente negro, quando se olha para os apresentadores de programas televisivos, a representatividade é quase escassa. Maria Gal ainda aponta para a questão do colorismo. “Quanto mais preto, retinto, menos oportunidades. O racismo no Brasil é extremamente cruel”, desabafa.

Para mudar esse cenário, ela afirma que é preciso que as políticas de diversidade, que estão ganhando espaço nas empresas, cheguem também ao audiovisual.

“Falta termos mais profissionais negros e aliados em cargos de liderança, e que tenham a voz de comando da contratação das grandes emissoras e streamings do País. Que tragam oportunidades para mais apresentadores, roteiristas, diretores, produtores negros.”

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Iniciativa para mudar

O objetivo do Preto no Branco é criar um diálogo sobre diversidade, racismo e atitudes antirracistas com conversas que serão conduzidas de uma forma leve.

A apresentadora vê que existem alguns desafios a serem enfrentados, como, por exemplo, aproximar o público que não está letrado sobre a temática. Para ela, o talk show terá o papel de levar essas pessoas para um lugar de escuta e empatia sobre os temas, visando que elas se tornem aliadas da causa.

“Por meio dos entrevistados, o programa não só contribui no avanço de pautas tão relevantes como também abre uma porta para uma mudança de paradigma no audiovisual brasileiro, no qual mulheres negras podem apresentar, roteirizar, dirigir, produzir e liderar grandes obras.”

Maria reforça que existem muitas profissionais talentosas disponíveis no mercado e com muita gana para realizar projetos. “O que nos faltam são as oportunidades.”

O novo talk show é inspirado em três produções norte-americanas: Conversas Incômodas, The Oprah Conversation e EUA: A Luta pela Liberdade. E para não ficar apenas no discurso, 58% da equipe envolvida com o programa – desde cinegrafista a líderes – é negra.

Ao todo, serão seis episódios na 1ª temporada. Na lista de convidados estão Liliane Rocha, o jogador Aranha, Renato Meirelles, Julio César Andrade, Erica Malunguinho, Gabriela Moura, Felipe Silva, Cláudia Lunas e outros.

“O Preto no Branco é uma produção independente. Quando fomos procurados sobre o interesse em exibir o programa, não pensamos duas vezes. Discutir o racismo e sobretudo, o antirracismo, é fundamental é necessário em nossa sociedade”, diz Rosângela Lara, diretora-executiva do canal BandNews TV.

Marcos Leandro, especial para o Estadão
Estadao Conteudo
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