Economia

Contra exterior, Ibovespa emenda 2ª alta, de 1,24%, a 105,6 mil pontos

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O Ibovespa oscilou em torno dos 105 mil pontos ao longo da tarde, emendando o segundo dia de recuperação apesar do desempenho negativo em Nova York na maior parte da sessão, bem moderado à faixa de 0,13% (S&P 500) a 0,33% (Dow Jones) no encerramento, com o Nasdaq passando ao positivo (+0,06%). Ao fim, a referência da B3 mostrava ganho de 1,24%, aos 105.687,64 pontos, entre mínima de 103.578,58 e máxima de 105.707,56, saindo de abertura aos 104.395,45 pontos. Na semana, vira agora para o positivo (+0,53%) e também no ano (+0,83%), ainda acumulando queda de 2,03% no mês. O giro financeiro foi de R$ 29,2 bilhões na sessão. O dia foi de acomodação para o dólar, em baixa de 0,08%, a R$ 5,1405.

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Petrobras ON e PN operaram sem direção única ao longo da tarde, mas ambas em alta no fechamento, respectivamente de 0,38% e 0,77%, enquanto a queda em Vale ON, superior a 2% mais cedo, limitou-se a 1,00% no encerramento. Os grandes bancos, com BB ON à frente (+2,54%) após os resultados trimestrais, foram o contraponto ao desempenho majoritariamente negativo de commodities e mineração (CSN ON -5,53%), à exceção de Santander (Unit -0,40%). Na ponta do Ibovespa, destaque para Qualicorp (+10,49%), Cogna (+9,66%) e Méliuz (+8,48%). No lado oposto, Minerva (-7,54%), CSN (-5,53%) e CSN Mineração (-3,23%).

Na maior parte do dia, “as bolsas americanas deram sequência à correção, vindo na quarta já de queda bastante forte. Mesmo com o desempenho ruim lá fora, o Ibovespa já tinha conseguido voltar ontem para os 104 mil pontos, em movimento ligado a commodities, com notícias mais favoráveis então sobre a China e recuperação no petróleo, o que se refletiu ontem em Petrobras e Vale”, observa Paulo Gala, economista-chefe do Banco Master. No front doméstico, ele espera altas de 0,50 e 0,25 ponto porcentual para a Selic, respectivamente, nas duas próximas reuniões do Copom, a 13,50% ao ano, tendo em vista a elevada difusão ainda vista na inflação conforme o IPCA de abril, divulgado na quarta.

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Da quarta para a quinta-feira, no exterior, prevaleceram notícias menos favoráveis sobre a evolução de casos de covid-19 na China, que insiste na controversa política de tolerância zero ao coronavírus, o que se refletiu em pausa para as commodities na sessão, ante preocupações sobre o ritmo da segunda maior economia do mundo. Aqui, os dados de atividade surpreenderam de forma positiva nesta quinta-feira com a leitura do IBGE sobre o setor de serviços, divulgada pela manhã. “Está em patamar pré-pandemia, muito forte. Os dados de atividade econômica têm surpreendido no Brasil, e começo a acreditar que o PIB possa crescer pelo menos 1% este ano”, diz Gala, destacando, por outro lado, o efeito desta recuperação sobre a inflação.

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“Há fatores externos que explicam a persistência da aversão a risco lá fora: a inflação nos Estados Unidos e na Europa vis-à-vis crescimento, ou mesmo chance de recessão, sem que se saiba até onde os juros americanos chegarão; a incerteza sobre a atividade na China em meio à política de tolerância zero para a covid; a geopolítica no leste europeu, com a Rússia anunciando agora a interrupção de fornecimento de gás via Polônia; e o ‘sell off’ muito grande em criptomoedas, com ‘spill over’ sobre equities e dívida”, aponta Erminio Lucci, CEO da BGC Liquidez.

Por outro lado, ele observa que grandes casas estrangeiras começam a mostrar viés mais favorável aos emergentes em relação a Estados Unidos, país que sempre tende a atrair mais recursos quando o momento é de incerteza sobre a extensão do ciclo de elevação dos juros americanos. “Boa parte do ‘Sell Side’ está mais positivo para emergentes em relação a Estados Unidos. Em termos de ‘sell off’, talvez o pior já tenha ficado para trás”, acrescenta Lucci, destacando também a temporada de balanços trimestrais no Brasil, “relativamente ok”.

“Tem muito ativo barato (na B3), com algumas empresas reportando números bem interessantes (nos balanços), como o Banco do Brasil, com bom pagamento de dividendos – então tivemos um movimento corretivo, descolando do exterior”, diz Ramon Coser, especialista da Valor Investimentos.

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Lá fora, com o Bitcoin caindo a níveis de 2020 e o Tether perdendo a paridade com a moeda americana, negociado nesta quinta a 95 centavos de dólar na Europa, a correção em criptomoedas e também nas ‘stablecoins’ – ativos digitais como o Tether que buscam paridade com moeda fiduciária, como o dólar, considerados um elo fundamental para moderar a elevada volatilidade do mercado cripto – colocou a questão no topo da tela do “Financial Times’, sobrepujando assuntos como a suspensão do gás russo para a Europa ou o desejo da Finlândia de se unir à Otan mesmo sob ameaça da Rússia.

Nesta quinta, em audiência no Congresso americano, a secretária do Tesouro, Janet Yellen, chamou atenção para as ‘stablecoins’ que, segundo ela, “estão crescendo muito rapidamente e apresentam o mesmo tipo de riscos que conhecemos há séculos em conexão às corridas (para saque) em bancos”, conforme relato do FT.

Além da conjuntura externa atribulada, Lucci, da BGC Liquidez, considera que, mais do que os dados econômicos mensais, no quadro doméstico os investidores têm prestado grande atenção às pesquisas eleitorais, que têm reduzido a distância entre Lula e Bolsonaro na corrida presencial, com olhar do mercado já para 2023. O desfecho da disputa é fundamental para a antevisão da política econômica e da gestão fiscal, em momento no qual o BC ainda lida com inflação pressionada e segue elevando os juros.

Luís Eduardo Leal
Estadao Conteudo
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