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Cachoeirense pede demissão da Polícia Militar para empreender no ramo de moda

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Uma história de desafios, dificuldades, decisões difíceis de serem tomadas, mas de muito sucesso. Há nove anos, a cachoeirense Thais Arrais realizava o sonho de infância de entrar na Polícia Militar. No entanto, na última sexta-feira (18), ela encerrou suas atividades na corporação para se dedicar exclusivamente à sua loja de moda feminina. Mas, para isso teve de tirar a farda e vestir sua melhor roupa: a coragem.

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Trocar um emprego público estável pelo empreendedorismo num país onde a burocracia e a falta de incentivo fiscal ainda imperam, não estava nos planos de Thais. Mas, o sonho de construir a casa própria a levou a buscar uma renda extra fora da polícia. Ela não sabia a reviravolta que sua vida profissional daria pouco depois do que, para ela, seria um recurso temporário.

Thais conta que, com apoio do então namorado e servidor público, hoje marido, juntou um pouco de dinheiro e foi ao maior mercado de roupas do país: o Brás, em São Paulo. Antes disso, ela fez balas de coco para vender, mas não deu muito certo. As vendas das peças que trouxe de São Paulo foram um sucesso e, a partir daí, todo mês Thais viajava para investir em novidades.

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Ela já havia trabalhado com vendas de roupas quando mais nova, e inclusive, usava seu horário de almoço para treinar para prova da polícia. Aos 20 anos, ela foi aprovada no concurso e deixou o comércio.

O casal realizou o sonho de comprar a casa própria, mas não foi nada fácil. A casa estava em péssimas condições e eles tiveram de, praticamente, construir tudo do zero. Ela decidiu investir mais um pouco e abriu sua primeira “loja” em um quarto no apartamento que moravam de favor. Todo dinheiro que entrava ia para a obra.

Em 2017, um ano depois de começar as vendas em casa, Thais fazia um patrulhamento pelo Centro de Cachoeiro, quando decidiu comer um salgado numa lanchonete que fica em uma galeria, na 25 de Março. De frente para o estabelecimento, havia uma loja, com placa de “aluga-se”.

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A cachoeirense, sempre muito destemida, contou ao marido sobre a loja e, juntos, foram conversar com a proprietária. Saíram da conversa com o contrato de locação assinado e dali em diante, os desafios dobram de tamanho: greve da PM, a enchente que devastou a cidade em 2020 e, logo depois, a pandemia do novo coronavírus.

Depois de superado esses momentos difíceis, Thais se viu obrigada a aumentar a loja, e alugou um estabelecimento ao lado. A vida de policial militar e de empreendedora ficou cada mais cansativa e Thais precisava decidir em qual profissão permaneceria.

“Foi ficando cada vez mais difícil. Eu precisava viajar toda semana, muitas vezes ia direto do serviço, cansada. Era muita correria, muita responsabilidade. Na pandemia, eu gravava os vídeos para as redes sociais, faziam a venda e as entregas das peças. As vendas estavam bombando pelo e-comerce. E eu precisava decidir entre a PM, que sempre foi meu sonho, ou a loja. Eu me preparei financeiramente e psicologicamente para tomar essa decisão. Hoje sou grata à PM, e muito realizada com a loja.”, contou.

Em janeiro deste ano, a cachoeirense deu entrada no processo de exoneração e teve o pedido atendido na última sexta-feira. Em gratidão aos quase dez anos em que foi policial militar, ela fez um vídeo agradecendo à Instituição e recebeu muitos comentários carinhosos de familiares, amigos e clientes.

 

 

 

 

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