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Marataízes. Por que as águas do mar mudam tanto de cor? Fomos atrás da resposta

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Marataízes
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A inconstância da cor do mar em Marataízes é um fato que há muito aguça a curiosidade do capixaba, especialmente dos turistas que adotaram o balneário para os dias de descanso. As colorações verde, azul, amarelada e marrom claro estão sempre se revezando.

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Para uns, o vilão é rio Itapemirim, para outros, uma questão relacionada com as correntes marítimas. Tem ainda os ventos e a ressaca do mar. Afinal, o que acontece? Fomos atrás das respostas com uma autoridade no assunto, o oceanógrafo, mestre em Engenharia Ambiental e engenheiro civil Pablo Merlo Prata.

Segundo o pesquisador, o fundo oceânico de Marataízes, na verdade, de todo o Espírito Santo, é um berçário de algas calcáreas. Especificamente, o litoral sul do Estado, que possui a maior reserva desses vegetais no Brasil. Talvez a maior da América do Sul. Essas algas, quando decompostas, produzem uma lama carbonática de coloração marrom escura, extremamente fina, que fica depositada no fundo do mar.

Com a ação dos ventos e das correntes, o mar fica agitado e o material vem para a costa, causando as mudanças na cor da água. Se muito remexido, fica marrom claro; se pouco, um tom mais verde. Em período de calmaria, que ocorre geralmente quando o vento vem do Sul, a água fica cristalina, em tom azulado.

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O detalhe é que o fenômeno das algas calcáreas ocorre em todo o litoral capixaba, onde está a maior concentração de algas. Na Bahia e no Rio de Janeiro, estados limítrofes do Espírito Santo, a concentração é menor. Daí não terem a coloração da água do mar tão inconstante.

O rio Itapemirim também pode contribuir para a mudança de cor, especialmente no período das cheias, quando carreia muita terra e matéria orgânica para o litoral. O fenômeno é mais comum durante o verão. É nesse período também que ocorre com mais constância o vento Nordeste, responsável pelo movimento das águas profundas e, consequentemente, da lama carbonática.

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Afrodisíaco

Ainda em relação às algas calcáreas, o oceanógrafo comenta que tem grande valor no mercado internacional. A reportagem apurou que um quilo de chá da alga calcárea, em promoção numa grande rede de varejo, por exemplo, não sai por menos de R$140,00. O vegetal também é utilizado em cosméticos, na indústria farmacêutica e até como afrodisíaco, para tratamento de impotência sexual.

“Vale ouro, e alguns países exploram esse nicho de negócio”. Porém, a exploração de algas marítimas no Brasil é restrita pela legislação ambiental, uma vez que pode colocar em risco o equilíbrio do ecossistema marítimo.

Algas calcáreas

As algas calcárias são plantas marinhas, impregnadas de carbonato de cálcio, que ocorrem em todos os oceanos. Estes organismos, ao lado dos corais, são os principais responsáveis pela construção de recifes naturais. Juntos, formam as maiores construções vivas do planeta, fornecendo habitat para vários seres marinhos. Apesar de ocuparem menos de 1% do fundo dos oceanos, os recifes e bancos de algas calcárias servem como lar ou recurso vital para 25% a 33% das criaturas do mar.

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