Sustentabilidade Capixaba

Pobreza menstrual afasta meninas das salas de aula; projeto leva itens de higiene a quem precisa

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Pobreza menstrual projeto
Foto: divulgação
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A primeira menstruação é um marco na vida de todas as meninas. O período é de mudanças no corpo e na mente. Dúvidas e mais dúvidas sobre o que está acontecendo. Apesar dos avanços das últimas décadas, com informações mais acessíveis, ainda há muito o que fazer, já que a chamada pobreza menstrual ainda é uma realidade tanto no Brasil quanto no Espírito Santo.

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Para dar uma ideia, no Brasil, 713 mil meninas vivem sem acesso a banheiros ou chuveiros em suas casas. E quatro milhões não têm acesso a itens mínimos de cuidados menstruais. E isso impacta de forma muito cruel na vida dessas meninas. No país, uma em cada quatro estudantes já deixou de ir para a escola por não ter um absorvente.

E a ajuda precisa nascer em todas as frentes. Uma ação que faz parte do projeto Sustentabilidade Capixaba conseguiu angariar, por meio de bazares e doações, mil pacotes de absorventes para serem distribuídas para meninas que não têm acesso aos produtos.

“Desse total, 600 serão distribuídos em Cachoeiro de Itapemirim, com a ajuda do Banco de Alimentos, um projeto desenvolvido pela prefeitura. Os outros 400 serão levados e distribuídos para as meninas em Guaçuí”, conta Kátia Quedevez, organizadora do movimento e do Sustentabilidade Capixaba.

O problema mora no nosso quintal

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É até difícil pensar que esse problema está no nosso quintal. Mas ele está mais próximo do que imaginamos. Em maio deste ano, a Unicef publicou o estudo Pobreza Menstrual no Brasil: desigualdade e violações de direitos. A pesquisa apontou que em Roraima, Mato Grosso, Acre, Espírito Santo, Pará, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e no Distrito Federal mais da metade das alunas do 9º ano estão ao menos parcialmente desatendidas quanto a pelo menos um dos itens investigados para a higiene pessoal nas escolas. Quanto a estarem totalmente desassistidas, os Estados com maiores percentuais são Acre, Maranhão, Roraima, Piauí e Mato Grosso do Sul.

“E a solução desse problema depende de todos nós. Sabemos que a doação de mil pacotes não vai resolver o problema, mas é uma forma de estimular a doação dos absorventes e de outros itens de higiene. Fiquem ligados nos seus municípios, procurem a ação social das cidades. Tenho certeza de que há alguém que precisa dessa ajuda”, analisa Kátia.

O que é a pobreza menstrual?

A pobreza menstrual é um fenômeno complexo, multidimensional e transdisciplinar caracterizado principalmente pelos seguintes pilares:

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  • falta de acesso a produtos adequados para o cuidado da higiene menstrual tais como absorventes descartáveis, absorventes de tecido reutilizáveis, coletores menstruais descartáveis ou reutilizáveis, calcinhas menstruais etc., além de papel higiênico e sabonete, entre outros;
  • questões estruturais como a ausência de banheiros seguros e em bom estado de conservação, saneamento básico (água encanada e esgotamento sanitário), coleta de lixo;
  • falta de acesso a medicamentos para administrar problemas menstruais e/ou carência de serviços médicos;
  • insuficiência ou incorreção nas informações sobre a saúde menstrual e autoconhecimento sobre o corpo e os ciclos menstruais;
  • tabus e preconceitos sobre a menstruação que resultam na segregação de pessoas que menstruam de diversas áreas da vida social;
  • questões econômicas como, por exemplo, a tributação sobre os produtos menstruais e a mercantilização dos tabus sobre a menstruação com a finalidade de vender produtos desnecessários e que podem fazer mal à saúde;
  • efeitos deletérios da pobreza menstrual sobre a vida econômica e desenvolvimento pleno dos potenciais das pessoas que menstruam.

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