Espírito Santo

Entrevista | "ES tem tudo para ser um dos bons do turismo", diz vice-presidente da ABIH

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O faturamento do turismo nacional de julho ficou 25,8% abaixo do resultado consolidado no mesmo período de 2019, o que corresponde a R$ 4,4 bilhões a menos nas receitas do setor, já descontada a inflação do período. As informações são do levantamento do Conselho de Turismo (CT) com base nos dados da Pesquisa Mensal de Serviços, do IBGE. Mas os próximos meses devem ser de notícias melhores, avalia Nerleo Caus, vice-presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Espírito Santo. Ele, que já foi presidente a nível nacional e secretário de Turismo do Espírito Santo, discorre a seguir sobre os impactos da hotelaria para o turismo capixaba.

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A vice-presidente da Associação Brasileira de Agência de Viagens (ABAV) disse que já há uma “retomada da atividade turística neste segundo semestre”. Ela avalia que o momento para o setor é de “grande otimismo e esperança”.

AQUINOTICIAS.COM – Você compartilha do mesmo otimismo? O que acredita que “puxa” essa retomada agora, de setembro em diante?

Nerleo Caus – É preciso esclarecer que a agência exportadora tem o sentimento de quem está saindo, de quem está indo embora. E para quem vai sair. Nós somos os receptores. Nós temos o sentimento de quem está querendo vir para cá. É preciso diferenciar esse olhar. Os números que nós temos aqui, referente ao último ano (2020): a nossa pauta de turismo é toda inversa. O brasileiro gasta lá fora 24 bilhões enquanto o estrangeiro no Brasil gasta apenas 8 bilhões. É três por um. Ou seja, nós somos mais exportadores de turismo do que na verdade, importadores. Então, a nossa pauta de turismo é negativa. Nós temos uma vocação natural de sermos um excelente corredor de recepção turística na Região Sudeste. Nós estamos ao lado dos estados mais concentrados percapitamente, por assim dizer, no âmbito turístico. Olhando de forma prática, existe um otimismo. Nós temos possibilidade de sermos um dos bons, embora haja pouco apoio do primeiro setor. Mas o Espírito Santo, por ter praias e montanhas, belíssima estrutura hotelaria e gastronomia, todo parqueamento, há um grande otimismo e esperança que retomemos nossos números nesse restinho de ano.

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Destinos cujos hotéis tenham o chamado selo de segurança no protocolo na questão da limpeza saem na frente Agora, o que mais vai fazer a diferença para o turista?

Em primeiro lugar, o turista quando viaja ele faz três perguntas: onde eu vou ficar e dormir? Como vou ser transportado e o que vou comer? Qualquer viajante do mundo faz essas três perguntas básicas. Eu acho que a gente tem uma possibilidade real e a hotelaria capixaba também através da ABIH, uma das precursoras do nosso protocolo de segurança. Somos um dos primeiros no Brasil a sair com o selo de segurança em nossos hotéis filiados, com treinamento, embasamento e fornecimento de dados. Isso nos permitiu uma travessia muito saudável. E seguimos tomando todos os protocolos de segurança, porque a pandemia ainda não passou. A gente está trabalhando com prevenção mesmo, de evitar o contágio, com bastante assepsia, distanciamento e sistematicamente fazendo rodízio de equipamento. O protocolo de um hotel não é apenas colocar o álcool em cima da mesa, é muito mais complexo, envolve maçaneta, porta, tudo!

Dados do estudo “Monitora Turismo”, baseado no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Previdência, apontaram que o setor turístico registrou alta de 25% nas vagas formais ocupadas no mês de julho, comparado com o mês anterior. Como analisa os números neste segundo semestre. Serão ainda mais animadores para o Espírito Santo?

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Nós estamos buscando o nosso número que foi perdido em 2019, nós estamos buscando a retomada. O Espírito Santo é naturalmente um berço turístico e com a derrocada do Rio de Janeiro, isso contribuiu para o nosso crescimento. Porque quando você tem destinos como o Rio parecendo com a dificuldade de segurança, automaticamente somos beneficiados. Acredito que este ano vamos recuperar um delta interessante. Nós pretendemos contratar, a ABIH estima que até dezembro a gente vai contratar em torno de mil pessoas para iniciar a reposição do nosso quadro funcional. No verão, a hotelaria de praia fará um crescimento temporário de, no mínimo, 30% nessa região. Vale lembrar que, uma contratação nossa equivale a cinco lá fora. Aquela empresa que eu mandava lavar roupa toda semana 100 kg de roupas, passei a mandar 15kg por quinzena. Logo, ela demitiu alguém, porque não havia mais demanda. Então quando eu retomo a minha atividade e contrato mais gente, ele contrata lá também. Cada contratação direta que a hotelaria faz, ela tem no mínimo cinco indiretas. Outro exemplo que podemos dar é com o hortifruti. A hotelaria compra diariamente hortifruti. De repente, ao invés de ir diariamente, passo a ir uma vez por semana. A hotelaria é geradora de riquezas e empregos.

O que a pandemia ensina aos empresários do turismo? Qual é o legado que fica?

Para mim, o que fica é uma lição muito sólida de que nós devemos estar atentos para esses eventos sanitários. Eles não são novos, eles apenas estão ampliando a participação na vida da gente. Devemos estar muito atentos, devemos ter um protocolo de prevenção pronto para eventuais necessidades e seguirmos o curso da vida com um pouco mais de cautela, lembrando que o mundo não é mais o mesmo depois da pandemia. Ele deixa de ser presencial em muitos setores. Na própria hotelaria nós estamos sofrendo uma baixa grande baixa advinda da ocupação dos negócios, ou seja, ocupação corporativa. As empresas enxergaram o home office, então nós temos uma queda de 20 a 25% desse público que antes viajava a trabalho e agora faz tudo diante de uma tela. O legado que fica é estar atento e antenado com as medidas preventivas e sanitárias para o nosso futuro, atento às evidências, às notícias. A hotelaria é uma porta aberta, você não impede ninguém de entrar. Por isso, é preciso redobrar nossa atenção e desejo de cumprir protocolos.

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