Segurança

Após horas esperando para liberar corpo do pai em Cachoeiro: “foi a pior experiência da minha vida”

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Foto: divulgação
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Entre o último domingo (12) e esta segunda (13), a família do senhor Agnaldo Antônio Marchesi passou por momentos agoniantes. Ele faleceu após um acidente entre a moto que pilotava e um carro de passeio, no km 45 da BR-262, em Marechal Floriano. Ele foi socorrido e levado para o Hospital Doutor Arthur Gerhardt, em Domingos Martins. No entanto, chegou à unidade de saúde já sem vida.

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O corpo ficou no hospital durante toda a noite de domingo e só foi liberado no início da manhã desta segunda para ser levado para o Serviço Médico Legal (SML), em Cachoeiro de Itapemirim. Diferente do habitual, quando é acionado o rabecão, veículo da Polícia Civil que realiza a remoção de vítimas de mortes violentas, um carro funerário foi usado para o traslado e chegou ao destino às 8h30. A família pagou pelo transporte e enterro o valor de R$ 3,5 mil.

No entanto, os familiares informaram que o corpo só foi recebido no SML ao meio-dia, ou seja, ficou quase quatro horas aguardando. Um outro problema constatado é que as necrópsias são feitas dentro de contêineres montados ao lado do SML. Isso porque o prédio do órgão está passando por reformas. Muitos médicos, disseram as fontes, se recusam a fazer o trabalho nos locais, que ficam muito quentes durante os dias com muito sol.

“Lá está em reforma. Há dois contêineres, um para médicos e outro para atendentes. O médico legista chegou por volta de 10h40 e entrou às 11h. Mas era preciso parar a obra para poder fazer o trabalho. Quando deu meio-dia, escutei o cara da obra falando com esse legista que eles iriam almoçar. Perguntei que horas ele iria fazer a necrópsia, e ele disse que adiantaria ao máximo. Eu estava sem dormir, sem almoço, cansada e só queria um prazo, um sinal”, conta a filha da vítima, Danieli Alves Marchesi.

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Mas, segundo ela, não havia previsão certa, um horário definido. “Cheguei lá às 8h30 e só me liberaram quase 14 horas. Não tinha lugar para beber água, nem banheiro. Foi a pior experiência da minha vida. Já é um momento super difícil e ainda acontece isso”, emociona-se.

Reforma

Em janeiro deste ano, a previsão era de que as obras no local estariam concluídas em seis meses, ou seja, em meados de junho. Mas, além de uma estrutura física problemática por conta da reforma, fontes informaram que apenas seis peritos têm de dar conta de todos os chamados em 21 municípios do Sul do Estado. A escassez de mão de obra e a nomeação dos aprovados para o cadastro de reserva no concurso da Polícia Civil de 2018 viraram temas de audiência pública na Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales) nesta segunda-feira.

O representante da Comissão de Aprovados no Concurso, Norberto Louvem, afirma que a Polícia Civil capixaba tem déficit de efetivo de 47%. O Estado já convocou 418 aprovados no concurso para o curso de formação da Academia de Polícia, mas de acordo com Louvem, o número não é suficiente para suprir a demanda.

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“Nos últimos anos, mais de 600 policiais saíram da Polícia Civil. O número de nomeados não supre nem essa defasagem. É necessária a recomposição mínima do efetivo. No caso de peritos criminais, por exemplo, são 308 cargos vagos. E temos 130 peritos que estão disponíveis pelo cadastro de reserva”, afirmou Norberto Louvem.

O que diz a PC

Em nota, a Polícia Civil informou “que os hospitais possuem um procedimento próprio, sendo, o transporte em horário noturno, realizado no outro dia pela manhã. Por não ter rabecão na região Serrana, são as funerárias que fazem os transportes dos corpos, inclusive, foi esse motivo, além de outros atendimentos, que fez com que a família desse caso aguardasse.

 As obras do Serviço Médico Legal (SML) de Cachoeiro de Itapemirim durarão cinco meses e, por enquanto, as necropsias continuam sendo realizadas no local. Quando a reforma ocorrer especificamente na Sala de Necropsia, este serviço será transferido para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Marbrasa, disponibilizada pela Prefeitura Municipal de Cachoeiro de Itapemirim e pronta para uso do SML.

A respeito dos corpos de Domingos Martins serem encaminhados ao SML de Cachoeiro de Itapemirim, a Polícia Civil informa que depende do caso. Entretanto foi elaborada uma convenção para que os corpos sejam transferidos, principalmente, ao SML de Cachoeiro, já que a demanda é inferior, se for comparado com a Região Metropolitana.

Além disso, o concurso público da Polícia Civil, cujo curso de formação está em andamento, permitirá a contratação de profissionais de diversas categorias, incluindo 76 peritos oficiais criminais, 50 auxiliares de perícia médico-legal e 30 peritos legistas, além de 29 médicos, o que vai contribuir para a recomposição dos quadros da corporação”.

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