Política Regional

Parceiro do Governo do ES, Erick Musso apresenta as ações da Assembleia Legislativa

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Erick Musso - Foto Wanderson Amorim 3
Foto: Wanderson Amorim
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Em entrevista ao AQUINOTICIAS.COM, o presidente da Assembleia Legislativa, Erick Musso (Republicanos), falou sobre a relação institucional e política da Casa com o Governo Renato Casagrande (PSB); destacou as ações no período de pandemia, apresentando o seu olhar para o futuro do Espírito Santo e, de forma muito discreta, revelou que não será candidato a deputado estadual em 2023, deixando no ar a dúvida sobre qual cargo deverá disputar no próximo ano.

Confira a entrevista!   

A Assembleia não faltou ao governo em nenhum minuto e nem faltará, do ponto de vista institucional

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AQUINOTICIAS.COM – Como você avalia o momento que estamos vivendo e como deve ser o pós-pandemia no ES?

Erick Musso – A pandemia foi um duro golpe nos brasileiros e na população de todo o mundo. Nós tivemos que trocar o pneu com o carro andando, tivemos que aprender a conviver com a pandemia e fazer uma nova vida na sociedade. Hoje, a gente começa a ver um novo horizonte e, com a vacinação avançando, podemos planejar o pós-pandemia, a volta do novo normal.

Tivemos muito desemprego, o fechamento do comércio foi uma questão muito forte, foram milhares de desempregados no Espírito Santo. Precisamos de um plano de retomada econômica, para voltar a gerar emprego, renda e oportunidades. Tivemos problemas sociais e psicossociais, e não foi só na saúde pública, foram muitos casos de agressões à mulheres e crianças. Os pais não estavam trabalhando, ficaram em casa e isso aumentou os casos de violência doméstica. Houve aumento de evasão escolar, e agora estamos retornando às aulas. Mas é preciso um plano eficiente para que a gente possa retornar com esses jovens para as salas de aula. Foram muitos os afastados de suas atividades no período de alfabetização, de 6 a 10 anos. Depois de um ano e meio, como está a cabeça dessa criança para retornar à sala de aula? Como está a cabeça do professor, que precisa ser trabalhada para recuperar o tempo perdido?

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A pandemia nos trouxe ensinamentos com a tecnologia, a informática, que entrou na vida dos brasileiros e dos capixabas, e isso não retroage mais, avança. O poder público precisa avançar nesse mesmo sentido. O maior legado que um gestor pode deixar nessa pandemia é a transição de um governo analógico para o digital. Não dá para ter uma sociedade digital e um governo analógico, isso tem que estar conectado. É preciso implantar as políticas públicas de eficiência, de prestação de serviços. Hoje, o Estado não tem um dado preciso de quantos órfãos nós temos no Espírito Santo, têm muitas crianças que perderam o pai e mãe por causa da Covid-19.

Quantas pessoas estão com problemas psicológicos, motores e respiratórios? Não temos ainda no ES um centro de atendimento pós-Covid. Isso tudo é reflexo que a gente precisa implementar agora nessa recuperação, no plano de aceleração pós-pandemia no Espírito Santo.

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A polarização da Covid entre direita e esquerda, na sua visão, não atrapalhou a percepção das pessoas em relação à pandemia?

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Acho que toda politização e esticação de corda é ruim. O que a gente precisa é ter equilíbrio. Eu sou um homem do diálogo e do equilíbrio. Precisamos acreditar na ciência, respeitar as pessoas, as divergências de opinião, pois todo extremo é ruim, nunca é bom, na minha humilde avaliação. A ponderação, o equilíbrio, diálogo, respeito, se colocar no lugar do outro, isso tudo converge para uma melhor convivência em sociedade. Nessa esticação de corda quem perdeu foi o País. Precisamos retomar o caminho do diálogo para dias melhores.

A Assembleia Legislativa, durante a pandemia, trabalhou de forma remota e presencial. Como foi a atuação da Casa nesse período?

A Assembleia Legislativa não parou nenhum minuto. Ainda em 2020, quando teve o fechamento das atividades como um todo, quando o mapa de risco estava todo em vermelho, trabalhamos com a Casa 100% de forma remota, fizemos todas as sessões ordinárias, extraordinárias, votando todas as matérias do governo. O Governo do Estado mandou para a Assembleia 30 projetos de lei nesse período, nós aprovamos 27 e três ainda estão em tramitação por questões regimentais.

Os deputados aprovaram 112 propostas e nós tivemos ainda mais quatro ou cinco projetos de outros poderes. Aprovamos decretos de calamidade pública, que eram necessários para atacar a pandemia de forma mais célere nos municípios. Foram mais de 50 decretos dos municípios aprovados, além dos que o Governo Estadual enviou para compras diretas, dando celeridade no combate a pandemia. A Assembleia Legislativa não faltou um minuto aos capixabas na aprovação das matérias, bons debates, etc.

Depois nós voltamos de forma híbrida, pois com a vacinação avançando conseguimos abrir alguns setores administrativos. Mas as sessões ainda ficaram de forma híbrida. Agora damos mais um passo, no que tange a realização de sessões presenciais, reuniões de comissões, com todos os protocolos determinados pelas autoridades sanitárias. Seguimos a todo vapor trabalhando para o povo do Espírito Santo.

O cenário está ainda nebuloso, precisamos mais um pouquinho de caminhar de tempo para dizer se essas posições nacionais vão interferir ou não no processo estadual

Em frente ao Legislativo existe uma placa com a seguinte frase: Assembleia do povo. Como foi abrir o Legislativo para a população capixaba?             

Em 2017, quando assumi o primeiro mandato de presidente, por já ter sido servidor da Casa, e antes de ser deputado fui eleitor, ou seja, já estive do outro lado do balcão, me incomodava muito ver que o Legislativo era chamado de casa do povo, mas o povo não estava ali dentro.

Os meus colegas deputados fazem os seus trabalhos com maestria, mas o que a gente poderia fazer além, pensando fora da caixinha? Daí comecei a criar um complexo chamado de Assembleia Cidadã. Primeiro trouxemos o Procon, depois a Delegacia do Consumidor, com estrutura de Polícia Civil, delegado, etc. Colocamos a Assembleia para emitir identidade de forma gratuita, implantamos a Procuradoria da Mulher, para atender vítimas de violência doméstica, abrimos uma biblioteca, Defensoria Pública. Vamos inaugurar agora, em agosto, um núcleo de atendimento às pessoas portadoras de necessidades especiais e estou em diálogo com a Polícia Federal para que possamos emitir passaportes.

A Assembleia Cidadã já atendeu mais de 100 mil capixabas de forma gratuita, e aí colocamos o povo de fato dentro da Casa do povo, prestando um serviço de qualidade, para que as pessoas conheçam a Assembleia Legislativa.

Além disso, criamos um novo portal (site), nos tornamos a primeira Assembleia digital do Brasil, hoje é a única com inteligência artificial, que dialoga com os capixabas. Éramos a 16ª do País que mais gastava, hoje somos o Legislativo que menos gasta no País por deputado.

Casagrande, em suas visitas aos municípios, tem agradecido a parceria da Assembleia com o seu governo. Como está essa relação?

O diálogo tem que estar em qualquer lugar, sobretudo dentro de um ambiente institucional. O Espírito Santo, desde 2002, tem um ambiente institucional muito favorável, e isso nos difere de outros estados da Federação.

Tivemos uma participação efetiva do ex-governador Paulo Hartung e do atual, Renato Casagrande. Governadores do período pós-2003, onde foi criado um ambiente institucional entre Poder Judiciário, Ministério Público, Assembleia Legislativa, Tribunal de Contas e Executivo. Foi isso que deu ao ES nota A em gestão pública, em equilíbrio fiscal e proporcionou um ambiente de negócios para novos empreendimentos. Enquanto eu estiver à frente da Ales, isso será intocável.

O que for bom para o Espírito Santo, para os capixabas, que estiver colocado de interesse público à mesa, toda e qualquer divergência política e partidária tem que ser deixada de lado, pois o que importa é o que está em primeiro lugar: o povo do ES!

Todas as matérias que chegam na Casa são lidas e aprovadas de forma célere. A Assembleia não faltou ao governo em nenhum minuto e nem faltará, do ponto de vista institucional. O governador sabe que pode continuar contando com a Ales no que for importante para os capixabas.

Você faz parte de um grupo político que conta com o prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini, o prefeito de Linhares, Guerino Zanon, o ex-prefeito da Serra, Audifax Barcelos, e o ex-governador Paulo Hartung. O que esse grupo tem dialogado? Ele é oposição a Casagrande?

Quem é da política e ama esse estado tem que dialogar com todas as forças. Guerino já esteve com o governador Casagrande, Audifax já teve a oportunidade de dialogar, assim como o governador dialoga com Sérgio Vidigal. O que está colocado à mesa neste momento é o bem estar dos capixabas.

O momento é de discutir sobre como vamos retomar a economia, acelerar a vacinação, retornar com esses jovens para a sala de aula, debater a crise hídrica no Estado, pois estamos prestes e eminentemente próximos de viver novamente uma crise hídrica. Temos que debater para obter uma solução para baixar efetivamente o preço do gás de cozinha e combustível. Precisamos interiorizar os serviços públicos para que efetivamente o estado possa chegar com um braço forte ao interior, que trabalhe na Grande Vitória, mas que também chegue no interior esses serviços.

Estamos conversando, acho que política partidária e eleitoralmente tem um momento certo, data e hora para iniciar e para terminar, que é no ano que vem, num domingo, cinco horas da tarde. O diálogo é franco, aberto e verdadeiro, de pessoas que gostam e amam o ES, que criam suas famílias neste estado e querem ver o Espírito Santo cada vez mais próspero, gerando oportunidades e sendo esse ponto fora da curva, positivamente falando, a nível de Brasil.

O único lugar que não me enxergo em 2023, a não ser para rever os amigos e servidores, é na Assembleia. Agora, onde eu me vejo? o futuro pertence a Deus.

Esse debate nacional, do centro com a esquerda para tentar derrotar a direita pode influenciar as eleições a nível estadual?

Está muito cedo… Sou defensor de que o ES tem que ser um estado com conexões importantes, sejam elas no Governo Federal ou a nível de mundo, para que a gente possa fazer o Espírito Santo crescer. O estado precisa de suas conexões, se não tiver, que crie suas conexões. Não podemos viver em uma ilha isolada, mas também não podemos puxar pra lá e puxar para cá. Acho que está muito cedo, o cenário está ainda nebuloso, precisamos de mais um pouquinho de caminhar de tempo para dizer se essas posições nacionais vão interferir ou não no processo estadual.

Como você enxerga o futuro do Espírito Santo nos próximos dez anos?

Tudo valerá do planejamento que fizermos agora. A gente precisa ter um modelo audacioso de gestão pública, na minha visão. Não estou tecendo nenhum tipo de crítica pessoal, mas acho que o poder público, não estou falando de municipal, estadual ou Federal, está muito analógico para o mundo digital que estamos vivendo. A sociedade foi, as pessoas foram, o jovem está integrado, mas o poder público ainda engatinha.

Se nós não fizermos uma aceleração enquanto poder público, com inteligência, planejamento, sobretudo com audácia, no bom sentido, com efetividade nas decisões, teremos um gap geracional. Vamos ter uma sociedade altamente tecnológica, conectada, voando a jato, e um poder público analógico, e isso é muito ruim.

Nós estamos numa região (Sul do ES) que tem cafés especiais, onde a tecnologia ajudou, que as redes sociais divulgam para o Brasil e o mundo. A gente não pode falar de startup no campo, porque no campo não tem nem internet. A sociedade está muito avançada, andando a 200 km/h, enquanto o poder público está a 30 km/h. É preciso ter uma compatibilidade, na minha visão.

Com a aceleração da vacinação, a vida em sociedade retornará. Já estamos vendo a Europa com jogos abertos, vendo uma olimpíada em meio à pandemia, estádios começando a ter pessoas na torcida, shows voltando a acontecer.

Quando eu olho para o ES, em especial para a região Sul, vejo uma região belíssima, com potencial turístico, com todo norral, infraestrutura, cultura, e as pessoas daqui querendo ir para Gramado, Santa Catarina. Por que isso? Porque, na minha humilde avaliação, não tem um plano efetivo no que tange a botar e vender, entre aspas, no bom sentido, o estado para o estado e para o Brasil.

Os capixabas não conhecem as regiões e o brasileiro não conhece o ES. Isso porque está analógico! A gente tem que colocar isso: quanto tempo ficou para sair um aeroporto no Espírito Santo? Tenho 34 anos, tem 30 que ouço falar em duplicação da BR 262. Há 15 anos estamos ouvindo de uma linha férrea da Vale para trazer investimentos para o Sul do Espírito Santo. Há dez anos ouço falar de um porto de Presidente Kennedy que não sai do Power Point. Isso precisa de uma política pública de gestão de eficiência, para colocar o estado para fora, para abrir os horizontes, abrir o ES para os capixabas e os brasileiros.

Enxergo o Espírito Santo voando nos próximos dez anos, no que depender de mim. Falo isso com humildade, sendo pequenino.

Você falou em demandas que dependem do Governo Federal. Você acredita que dá para melhorar esse trabalho em Brasília, com a bancada federal?

Com certeza absoluta! É isso que falo quando cito as conexões. Os problemas federais são crônicos no Espírito Santo. Nós temos uma guerra travada, da Eco 101, com quase uma década de arrecadação com pedágios e pequeninos e pífios trechos de duplicação, com um pare e siga de nada, de tapa-buraco, em que as pessoas ficam sofrendo horas e horas na BR 101.

A gente precisa melhorar nossa interlocução do estado, independente de quem esteja no comando do Governo Federal, para destravar as coisas para o Espírito Santo. O diálogo é muito importante, o ES é muito bem visto, com equilíbrio fiscal, na capacidade de investimento, de novos investimentos, de atrair investimentos.

Temos aqui a construção do único porto que está autorizado neste País, que é lá em Aracruz. Estamos tentando a volta da Samarco em sua totalidade, efetividade de operação. Nós temos uma agricultura que representa 5% do PIB capixaba. Esse conjunto de potencialidade, que vai do mar a montanha, de café a indústria, temos uma diversificação de atividades que faz do ES um estado abençoado.

Em 2023, onde você vê o Erick Musso sentado? No Palácio Anchieta, de volta na Assembleia Legislativa, na Câmara Federal ou no Senado?

Eu tenho o maior respeito pela Assembleia Legislativa, um grande carinho, fui servidor daquela Casa, onde meu saudoso avô foi deputado. Então vou responder assim: o único lugar que não me enxergo em 2023, a não ser para rever os amigos e servidores, é na Assembleia. Agora, onde eu me vejo, o futuro pertence a Deus.

 

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