Segurança

“Nossa lei não proíbe ter armas, ela controla”, diz ex-consultor da ONU sobre armamento no Brasil

COMPARTILHE
135
Advertisement
Advertisement

Nesta quinta-feira (15) é comemorado o Dia Internacional do Desarmamento Infantil, o jornalista, sociólogo e um dos construtores do Estatuto do Desarmamento no Brasil, Antônio Rangel Bandeira, concedeu uma entrevista para o programa “Aqui nas Cidades”, e falou sobre o tema e a triste realidade em que o país se encontra.

Continua depois da publicidade

O tema esteve em pauta esta semana, após o jovem Eduardo Carvalho Vieira, perder a vida por conta de um disparo acidental que o atingiu na cabeça, quando olhava uma arma junto a dois amigos, na zona rural de Guaçuí. O jovem comemorava seu aniversário de 18 anos naquele dia.

Em sua participação ao vivo, o sociólogo afirmou que os casos de mortes por disparos acidentais de arma de fogo são comuns. Segundo Bandeira, o Brasil é recordista mundial em mortes por armas de fogo, com uma média de 130 óbitos por dia.

“Para enfrentar qualquer problema social, o governo tem políticas. Nós temos que investir em uma boa polícia que nos proteja, e não em distribuir armas. Não há crime organizado forte sem ter polícia corrupta, e aqui no Brasil nós temos o exemplo oposto”, afirma.

Continua depois da publicidade

Em sua experiência de 25 anos dedicado ao tema do desarmamento, Antônio Rangel Bandeira foi um dos percussores do estatuto e desenvolveu no Brasil um trabalho pioneiro na América do Sul, onde oito países já copiaram trechos da lei brasileira, para aperfeiçoarem as suas legislações. Porém, no Brasil a lei não é admirada pelo atual governo, segundo o sociólogo.

O Estatuto do Desarmamento, no que foi aplicado, reduziu em 15% os homicídios por arma de fogo no Brasil, deixando de morrer 197.202 brasileiros em apenas 12 anos de implantação. O que repercutiu muito no exterior e a Organização das Nações Unidas (ONU) – especificamente o escritório contra o crime organizado na Áustria – o contratou para treinar militares e civis de 19 países do mundo, em como exercer o controle de armas.

O debate se a arma de fogo protege ou não o cidadão acabou se tornando o livro “Armas Para Quê”. A obra trata-se de um guia indispensável para entender os números sobre controle de armas no mundo, e o que deu ou não deu certo na defesa da vida. Os fracassos e acertos alcançados na controversa e antiga relação entre armas de fogo, cidadãos, violência e segurança pública no Brasil e no mundo.

Advertisement
Continua depois da publicidade

“A nossa lei não proíbe ter armas, ela controla. No livro eu contrasto todos os argumentos, prós e contras, para que o próprio cidadão tome a sua própria decisão, se deve ou não usar armas de fogo”, destaca.

Um dos mitos que Antônio desmistifica no seu livro é o de que as armas, em grande maioria, utilizadas no crime são oriundas todas do exterior. “Eu provei que 82%, isto é, que de cada dez armas do crime organizado, oito são brasileiras e foram desviadas aqui dentro. O trabalho vem para mostrar para as pessoas de onde vem as armas, para onde elas vão e o que acontece quando não se tem um controle delas”, finaliza Antônio.

Advertisement

O conteúdo do AQUINOTICIAS.COM é protegido pela legislação brasileira sobre direito autoral. Não é permitida a sua reprodução total ou parcial sob pena de responder judicialmente nas formas da lei. Em caso de dúvidas, entre em contato: [email protected].