Coronavírus

Cachoeirenses no exterior falam sobre medidas rigorosas na pandemia e comparam situação com Brasil

COMPARTILHE
Cris e André
1088
Advertisement
Advertisement

O Brasil enfrentou o pior momento da pandemia do novo coronavírus neste mês de março que teve em 31 dias, 66.868 mil mortos pela doença e registrou recorde na última quarta-feira com 3.950 mil óbitos em apenas um dia. Até este sábado (3), o país já contabilizava 330.193 mil brasileiros que foram vencidos pelo vírus e perderam a vida.

Advertisement
Continua depois da publicidade

Os dois números são os mais altos registrados no Brasil desde o início da pandemia. Em um comparativo de números absolutos, com as médias de outros 10 países que lideram o número de mortes, o Brasil ultrapassa a somatória de todos juntos. Mas, a situação ainda continua crítica em outros países como, por exemplo, na Itália, que nesta segunda onda já registrou mais de 70 mil óbitos pela doença.

A contadora cachoeirense Cristiane Barone, 50 anos, mora há três anos na cidade de Verona, mais especificamente na Comune Peschiera del Garda, junto ao seu marido André Luiz Diniz Silva, e não pretendem voltar ao Brasil. Ela relembra que na primeira onda houve um grande tumulto, pois as pessoas não sabiam da gravidade da doença, com corrida aos supermercados e escassez de alguns produtos.

“Foi horrível! As pessoas não sabiam exatamente o que estava acontecendo, e na época foi o país com maior número de mortos, mais de 17 mil óbitos. Porém o controle sempre foi muito rigoroso, não podíamos sair das nossas casas, a não ser para trabalhar, ir na farmácia, hospital e supermercados”, relembra Cristiane.

Continua depois da publicidade

A Itália, assim como toda a Europa, chegou a ter um período de baixa nos casos da Covid-19, porém, devido a circulação de uma nova cepa da doença, as restrições recomeçaram em muitos países. Hoje, a Itália está com lockdown decretado, não podendo circular nas ruas após às 22h, e outras medidas restritivas.

“Estamos em lockdown também, com restrições, só que um pouco melhor. Alguns não estão respeitando o lockdown, fazem festas e tudo mais, só que as multas são severas e podem chegar a aproximadamente 1.000 Euros, dependendo da gravidade”, diz a contadora.

 

Advertisement
Continua depois da publicidade

Menos restrições

Morando há seis anos no Canadá, em Ontário, o casal cachoeirense Tainã Cunha, 35 anos, e Fernando Missi Xavier, 33 anos, presencia a pandemia no país desde o início. Eles trabalham em home office como medida protetiva contra o coronavírus, uma recomendação da empresa que prestam serviço.

Tainã relembra que, diariamente, ao meio dia, o Primeiro Ministro (que atua como Presidente), fazia um pronunciamento de como a população deveria agir diante do, até então desconhecido vírus. Com o passar do tempo as localidades foram separadas por cores de acordo com a gravidade e quantidade de casos e contaminação e estágios.

Fernando e Tainã

“Foi bem complicado no começo, pois a cada semana era uma ordem diferente que ia desde lockdown à reabertura de alguns locais e serviços. O Governo Federal criou e apresentou os programas de auxílio financeiro à pessoa física e jurídica. As pessoas ficaram meio desesperadas e praticamente esvaziaram os supermercados”, conta Tainã.

Durante a época de festas de fim de ano foi declarado um novo lockdown, como medida preventiva. Em seguida, muitos serviços voltaram a funcionar com capacidade reduzida. Empresas sustentaram a decisão por manter os funcionários em home office até que todos sejam vacinados.

“A gente sai apenas para supermercado. Inclusive muitas pessoas implicam com a gente por isso, mas eu tenho a consciência tranquila de fazer o mínimo – a nossa parte – com muito respeito a quem está na linha de frente, enfrentando a pandemia em hospitais, serviços essenciais, e também pelas famílias que foram afetadas diretamente pelo vírus”, explica Fernando.

Medidas como o controle de viagens internacionais, isolamento de pessoas que chegam ao país, viagens de turismo proibidas e a preocupação do governo canadense foram ações essenciais para conter o contágio e para que a doença hoje, de alguma forma, esteja mais controlada no Canadá, relembra Tainã.

“Eu acredito que em primeiro lugar o empenho do Governo Federal e Estadual em manter a população informada e a rapidez em preparar medidas para dar suporte financeiro aos empreendedores, empresários, trabalhadores e população em geral (incluindo turistas e estudantes estrangeiros) foi essencial para que grande parte da população entendesse e tivesse a dimensão da seriedade do vírus e da pandemia”, afirma.

 

Covid zerado

Em uma realidade totalmente diferente, a Austrália conseguiu conter a pandemia da Covid-19, após zerar o número de casos em janeiro deste ano, adotando medidas restritivas e um severo lockdown para conter o avanço da doença.

O engenheiro de software cachoeirense Thiago Salvador, 32 anos, e sua esposa, Ana Carolina Salvador, puderam viver o caos e também o alívio no país. Ele relata que a maioria esmagadora da população acatou todas as medidas e respeitou as restrições estabelecidas, pensando no próximo e na comunidade em que vive. Porém, assim como todos países, sempre há quem discorde, não respeite o próximo e muito menos as regras.

“Aqui não foi e não é diferente. Houve alguns problemas pelo país, como praias lotadas, porém medidas sérias, multas e punições extremas foram tomadas nesses casos, como fechamento da praia por tempo indeterminado”, destaca Thiago.

Thiago e Ana

Morando no país há dois anos, o casal buscou sair da zona de conforto e buscar novas experiências quando optaram pela mudança a cidade de Sydney, em New South Wales. Hoje com residência permanente, eles afirmam que a Austrália é o lar deles.

Em um comparativo com a pandemia no Brasil, Thiago destaca que população da Austrália representa pouco mais de 10% da população brasileira, e em extensão territorial o Brasil é o 5º e a Austrália o 6º maior país do mundo, sendo a densidade demográfica do Brasil 23,8 habitantes por km² e da Austrália apenas 2,7 habitantes por km².

“Diante destes dados, podemos dizer que logo a aglomeração de pessoas é muito mais fácil de se monitorar e prevenir aqui. É importante salientar que, além da Austrália ser um país rico, em que a desigualdade social é baixíssima, o governo pode auxiliar a população de baixa renda e também as empresas para manter a economia viva por um bom tempo”, afirma.

O engenheiro de software acredita que o que mais tem prejudicado o Brasil é a guerra política entre esquerda e direita, incluindo mídias, governantes e população, além da falta de união de todos. Enquanto na Austrália, o foco de isolamento social sempre foi pessoas dos grupos de risco. Quem podia trabalhar remotamente, assim o fazia.

“Eu estou trabalhando remotamente desde o início da pandemia, enquanto muitos continuavam mantendo suas rotinas com algumas restrições, sempre respeitando o distanciamento social e uso de máscaras. No momento do pico das duas ondas, medidas restritivas mais fortes foram tomadas, porém tudo com base no número de infectados de cada região”, finaliza.

Advertisement
Receba as principais notícias do dia no seu WhatsApp e fique por dentro de tudo! Basta clicar aqui.