Política Regional

100 dias de governo: dívidas e falta de informação marcaram início de ano em Muniz Freire

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O prefeito de Muniz Freire, Gesi Antônio da Silva Júnior, o “Dito” (PDT), em entrevista ao AQUINOTICIAS.COM falou sobre as turbulências no início de mandato, destacando que assumiu o governo municipal com 60% dos servidores de férias e um cenário de desorganização geral do município.

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Apesar das dificuldades, Dito disse que pretende modernizar e estruturar a máquina pública, principalmente na área da saúde. Confira a entrevista!

AQUINOTICIAS.COM – Quais os maiores problemas encontrados na administração?

Dito – Nosso maior problema foi a desorganização geral do município. Assumimos, no dia 1º de janeiro, sem várias informações fundamentais para o funcionamento da Prefeitura, informações essas que não foram repassadas no período de transição.

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Além disso, 50% da receita de impostos arrecadadas até dia 20 de janeiro já estavam comprometidas. Quitamos a parcela devida do INSS de dezembro de 2020 e do INSS relativo ao 13º salário de 2020. Isso prejudicou bastante a receita municipal, nos obrigando a pisar no freio. Outra situação complicada foi que encontramos 60% dos servidores de férias.

Na transição, requeremos a relação dos bens patrimoniais móveis e imóveis do município, e isso não foi fornecido. Ao tomar posse, descobrimos que, estranhamente, dois ônibus em bom estado de conservação foram leiloados, enquanto outros bens notadamente inservíveis não entraram no leilão. E, nesse levantamento dos bens, que ainda não concluímos, temos notícia de dois veículos, um Sandero e uma ambulância, que estão em uma oficina particular, em Iúna. Não encontramos contrato firmado com essa empresa e ainda não obtivemos as respostas de como eles foram parar lá. Já montamos um processo administrativo com sindicância para apurar as responsabilidades. São dois veículos que estão fazendo falta para o atendimento da população.

Encontramos a Secretaria de Obras, que a gente depende dela para o município andar, totalmente desmantelada, com um terço dos servidores de férias e quase nada de maquinário em condição de rodar. Parecia um ferro-velho, tínhamos funcionando apenas uma retroescavadeira e um caminhão caçamba. Descobrimos que os carros e máquinas foram danificados ainda na chuva de janeiro de 2020, e ficaram encostados sem nenhuma manutenção. Não tinha carro funcionando nem para o deslocamento dos funcionários, tivemos que recuperar alguns que iriam para leilão. Até a única viatura da Defesa Civil já tinha passado mil quilômetros da data para troca de óleo.

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E isso tudo com o município debaixo d’água. Tomamos posse numa sexta e no fim de semana os temporais começaram. Acho que não tivemos nem 20 dias de tempo firme entre janeiro e março. Perdemos pontes, bueiros e estradas foram destruídos em todo o município. Fazíamos as intervenções num dia e no outro a chuva levava tudo embora.

E, em meio a tudo isso, ainda pegamos mais onda da Covid-19 com uma Secretaria de Saúde desestruturada, unidades básicas em situação de abandono e falta de pessoal. Também não havia carros suficientes em funcionamento para atender a população. Para garantir a vacinação domiciliar, tivemos que alugar os veículos.

Na área da educação, todas as escolas da rede municipal precisavam de reformas. Nesse tempo que elas ficaram paradas por causa da pandemia não foi feita nenhuma manutenção. Encontramos lixo, barro, mofo e muitos equipamentos e materiais perdidos.

Como o senhor avalia os 100 primeiros dias de governo?

Chegamos a esses primeiros 100 primeiros dias de gestão enfrentando muitos desafios. Nas questões de infraestrutura, tivemos alagamentos, estradas destruídas e pontes levadas pela água. Mas conseguimos agir rápido, tipo força-tarefa mesmo, e não deixamos nossa população sem atendimento, principalmente os moradores da zona rural.

Mesmo com toda a deficiência na frota, fomos para a rua e contamos com o empenho dos servidores e de voluntários. Todos se empenharam e conseguimos atuar em várias áreas. Não paramos serviços e nem interrompemos pagamento de fornecedores.

Além disso, estamos cumprindo com a obrigação do pagamento dos salários em dia. A folha de janeiro foi quitada no dia 4 de fevereiro, a de fevereiro no dia 1º de março e o salário de março, já conseguimos depositar dentro do próprio mês, no dia 31. E isso não foi graças a aumento de receita nem verba de Covid, foi organização.

Quais as principais dificuldades encontradas nestes 100 dias dentro da Prefeitura?

A falta de uma transição efetiva nos atrapalhou. Ainda estamos levantando o patrimônio do município, a situação dos prédios, das máquinas da Secretaria de Obras e até onde alguns servidores estavam lotados. Entramos sabendo que seria uma jornada difícil, conquistada passo a passo. Hoje, em Muniz Freire, é preciso refazer quase tudo, e tanto eu quanto meu secretariado temos essa visão. O importante é não ficar parado reclamando. E nós não ficamos, nós agimos.

Quais as melhorias já feitas na cidade durante este tempo?

Nesses primeiros meses trabalhamos intensamente na recuperação das estradas do município atingidas pelas chuvas desse ano e também prejudicadas por anos pela falta de manutenção. A limpeza urbana também teve reforço. Além disso, todas as escolas da rede municipal passaram por obras e melhorias, muitas delas com o auxílio da nossa população. Quando as aulas presenciais puderem ser retomadas, tenho certeza que as crianças e a comunidade terão uma boa surpresa.

Fora do campo emergencial, logo em janeiro fomos atrás da Arcellor e fechamos parceria para poder usar o revsol, um produto resistente e de baixa manutenção, nas estradas rurais. Vamos discutir com as comunidades antes da aplicação, para aplicá-lo nos pontos mais críticos. Nosso objetivo é deixar as estradas em boas condições de tráfego e facilitar a escoação da produção agrícola.

Também fomos o primeiro município do Sul do Estado a fechar parceria com o Sebrae no projeto Cidade Empreendedora, uma novidade no Espírito Santo. Já concluímos a primeira etapa de trabalho, que é o levantamento do nosso índice de capacidade de estímulo ao empreendedorismo. Queremos melhorar o ambiente de negócios e promover o empreendedorismo no município e, para isso, precisamos das melhores soluções para reduzir a burocracia e gerar emprego, renda e oportunidades para nossa população. Sei das dificuldades que a pessoa que deseja abrir um negócio, uma agroindústria ou tirar uma licença enfrenta, e isso não cabe mais no mundo de hoje.

Quais as ações que o senhor gostaria de já ter executado, mas ainda não conseguiu?

Minha maior frustração é que, por causa do sucateamento do maquinário, da deficiência de pessoal e também da chuva, não pudemos começar nossa gestão já arrumando as estradas e dando assistência adequada ao pessoal da zona rural.

Já estamos em processo de aquisição de novas máquinas com recursos oriundos de convênios, mas com uma contrapartida mais alta que o previsto, já que esse maquinário poderia ter sido adquirido no ano passado e não foi. Agora, com a subida dos preços, teremos que aportar de 50% a 70% a mais na contrapartida. Também estamos preparando as licitações para a recuperação do maquinário que ainda pode ser aproveitado.

Como tem se dado à aceitação da população deste novo governo? De que maneira a municipalidade tem sentido essa aceitação?

Sou uma pessoa comunicativa, que conversa e busca o diálogo, então nosso gabinete sempre foi aberto para atender quem nos procura.  Ando pelo município, vejo o que está sendo feito, converso com as pessoas, ouço os conselhos e recebo muito incentivo. A maioria quer ajudar. Tem uma comunidade, São Domingos, onde o pessoal não acreditou quando eu cheguei. O último prefeito que tinha passado por lá foi o Zé Maurício de Almeida, na década de 1960.

Desde o começo solicitei a minha equipe que atendesse a população com atenção e presteza, imprimindo transparência em todas as ações do governo. Por isso, profissionalizamos nossa comunicação, aumentando o diálogo com a comunidade, tanto pelo site da Prefeitura quanto nas redes sociais, e incrementamos a Ouvidoria. Durante a campanha eu senti que nossa população estava abandonada, que havia um distanciamento muito grande entre o prefeito e a comunidade.

Por isso, foi um pedido pessoal meu ao Ouvidor, que todas as demandas da população fossem encaminhadas aos setores responsáveis e que os secretários se empenhassem em responder o mais rápido e o melhor possível.

Em várias comunidades, reformamos escolas e recuperamos estradas com a participação da população. Isto nos mostrou que ainda somos a “Cidade Amizade”. Em sua maioria, o muniz-freirense veste a camisa, somos um povo ordeiro e trabalhador.

Qual a relação que o executivo estabeleceu com o legislativo nestes 100 dias de governo? Esta relação tem sido satisfatória ao executivo?

Tem sido uma relação cordial e respeitosa. Entendo que os Poderes são independentes e estamos abertos ao diálogo constante com todos os vereadores.

O senhor assumiu o governo em meio a pandemia, quais os impactos dela do município? Ela afetou os planos da administração?

Estamos em um período de incertezas. Já sabíamos que o enfrentamento da pandemia seria o maior desafio dos prefeitos este ano, mas acredito que ninguém imaginou algo tão grave quanto o que está acontecendo. Nós estamos na ponta, é no município que as pessoas vivem, trabalham e procuram o primeiro atendimento em saúde. O impacto da pandemia no emprego e na renda da nossa população nos preocupa e isso também vai impactar nossa receita. Com menos dinheiro em caixa, teremos que escolher muito bem que investimentos vamos priorizar. No momento, o importante é sair do Risco Extremo e, com consciência e respeito às normas sanitárias, reabrir nosso comércio e fortalecer nossa agricultura.

Como a administração está trabalhando para amenizar os impactos na economia e na gestão pública?

Nossa capacidade de investimento próprio é pequena. Estamos trabalhando com muito planejamento e cuidado com o recurso público. Temos cortado na carne, ninguém foi contratado sem necessidade. Estamos trabalhando sério, economizando e buscando parcerias e soluções criativas, sempre dentro da legalidade e pensando no bem da população.

Mais do que nunca, acho importantíssimo ter articulação política e buscar recursos fora, e nós estamos conseguindo isso junto aos governos estadual e federal e com o auxílio de nossos deputados e senadores.

O senhor pensa que as movimentações políticas em torno das eleições 2022 devem afetar o governo municipal?

Acredito que, para este ano, não. Até porque ainda é prematuro falar disso, já que não há um cenário político definido. Nosso compromisso primeiro é com o melhor para a população de Muniz Freire.

O que o cidadão pode esperar de sua administração nos próximos meses?

Neste momento, estamos trabalhando para a modernização e estruturação da máquina pública, com foco na eficiência, comprometimento e moralidade, principalmente nas áreas da saúde, ampliando o atendimento ambulatorial. Na infraestrutura do município, atuaremos com a pavimentação de ruas na zona urbana e aplicação de saibro e revsol nas estradas, construindo pontes e bueiros onde for necessário. Esperamos ofertar o melhor para nossa população.

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