Cidades

Turismo predatório não é bem-vindo em Patrimônio da Penha

COMPARTILHE
955
Advertisement
Advertisement

Nas últimas três semanas o programa Aqui nas Cidades realizou um debate sobre o turismo de Patrimônio da Penha, distrito de Divino de São Lourenço. Nesta quarta-feira (3), Tatiana Pongiluppi Souza, Fabíola Melca, Alaiza Garcia e Mirian Cavalcanti, que são lideranças da comunidade, falaram sobre o assunto.
Elas afirmaram que o desejo da comunidade, poder público e setor de serviços é impedir a expansão do turismo predatório e ampliar o turismo consciente. A ideia defendida é a de fortalecimento do diálogo entre todos os segmentos, inclusive com moradores, que são os mais prejudicados com as aglomerações, poluição sonora, problemas sanitários e o lixo que fica espalhado.
“Essa bagunça não está trazendo dinheiro para o comércio local. Não cabe a ninguém falar como o turismo deve ser feito. Cada um fala a sua opinião e a gente consegue construir o tipo de turismo que precisamos. É preciso juntar todos os outros atores e fazer algo bem bacana pelo Caparaó. Fazer um turismo que traga renda para todos os setores, não só lixo”, disse a bióloga Tatiana Pongiluppi.
Durante as festas de final de ano e no Carnaval a comunidade virou tema de debate, principalmente nas redes sociais, por causa das aglomerações e desrespeito à todas as medidas de segurança contra o novo coronavírus. Nestes feriados, Patrimônio da Penha recebeu muitas pessoas que levaram a própria bebida, caixas de som e não gastaram no local, deixando o lixo para trás e promovendo aglomerações clandestinas no meio da rua sob a justificativa que por lá pode-se tudo.
“Devido as aglomerações, subiu muito o nível de contágio e não estávamos preparados, não esperávamos que as pessoas fossem vir para cá. Achamos que fossem respeitar esse distanciamento. As pessoas têm a ideia que aqui é um lugar para se drogar, mas não, aqui é um lugar para paz e sossego. As pessoas acham que podem fazer tudo, mas a Penha é um lugar de tranquilidade”, afirma Alaiza Garcia, que nasceu e foi criada na comunidade.
“Uma coisa que me intriga é que de uma hora para outra mudou o perfil dos visitantes e turistas. Não é um tipo de pessoa, é um tipo de comportamento. As soluções já estão sendo pensadas em algumas localidades que tiveram esses problemas e conseguiram dar a volta por cima. Vim morar aqui em 1992 e fiquei encantada com o silêncio e, de repente, isso tudo muda. O único dia que conseguimos dormir com silêncio durante o Carnaval foi quando a polícia esteve aqui. Essa presença da polícia é muito importante, mas eu não quero que a Penha vire um quartel a céu aberto”, desabafou a militante ambiental Mirian Cavalcanti.
Qual o turismo que queremos para Patrimônio da Penha? A resposta unânime de todos os segmentos da sociedade e do poder público é que o distrito é maior que as festas e lotações. Existem melhorias que a comunidade precisa e só virão com o turismo que gere renda para os empreendimentos.
“A qualidade do turismo está caindo muito por causa dessa forma de ocupar a Penha, mas as dúvidas vem sobre o caminho que devemos tomar. Não se pode ver a Penha como um pavilhão de eventos, não temos estrutura sanitária para suportar um grande número de pessoas. Nossa água não serve apenas a nós, serve a milhares de pessoas. É inadmissível que uma comunidade que recebe uma água limpa do Pico da Bandeira jogue água suja para outra comunidade. Queremos um turismo que respeite a infância, a floresta, a água, que respeite tudo. A juventude merece coisa muito melhor, estamos mostrando para a juventude que o álcool, aglomerações e as drogas são as únicas formas de diversão. Não devem ser as pessoas de fora que vão falar o que pode ou não ser feito aqui, mas nós, porque uma comunidade é uma casa coletiva”, explicou a produtora de projetos socioambientais Fabíola Melca.

Continua depois da publicidade

Clique AQUI e veja os programas especiais sobre o turismo no Patrimônio da Penha.

Advertisement
Continua depois da publicidade

O conteúdo do AQUINOTICIAS.COM é protegido pela legislação brasileira sobre direito autoral. Não é permitida a sua reprodução total ou parcial sob pena de responder judicialmente nas formas da lei. Em caso de dúvidas, entre em contato: [email protected].