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Eleição de Consórcio busca retomar união entre poder público e sociedade civil no Caparaó

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“O Caparaó foi parido pelo povo do Caparaó”. A frase é de Marcos Antônio Satler, educador socioambiental e participante ativo do momento histórico que agrupou, até então, onze municípios em uma região geográfica do Espírito Santo: Dores do Rio Preto, Divino de São Lourenço, Ibitirama, Iuna, Irupi, Ibatiba, Guaçui, São José do Calçado, Alegre, Muniz Freire e Jerônimo Monteiro. Em outubro do ano passado, Jerônimo Monteiro entrou para o seleto.

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Na história do Caparaó tornando-se Caparaó, teve muitos protagonistas. E, para além das pessoas, uma instituição se mostrou forte e atuante durante o processo: o Consórcio Público Intermunicipal de Desenvolvimento Sustentável do Território do Caparaó Capixaba, que nesta sexta-feira (25) escolhe os novos diretores para o mandato de 31 de março deste ano até 31 de março de 2023.

E há desafios, um deles, recuperar a participação civil para pensar os rumos da instituição. “Tivemos pouca articulação entre as cidades no passado recente. Hoje, observo que temos prefeitos mais inteirados e trabalhando por isso. […]O consórcio tem de fortalecer via articulação dos municípios. É um novo momento, uma nova história. No passado, ele fez a figura de encabeçar as propostas para a região, numa parceria com outras entidades que ficaram alheias ao consórcio depois. Isso não pode acontecer. O consórcio só vai avançar se as entidades estiverem junto com ele”, avalia Satler.

Mudanças necessárias

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Dalva Ringuier, ex-presidente do Consórcio, permaneceu no grupo por 18 anos, de forma voluntária. “Começamos com o Fórum Pró-Caparaó em 1995, e em 1999 passou para o Consórcio Saí há quatro anos, em 2017”, conta.

O Consórcio do Caparaó durante muito tempo foi uma entidade civil, que dependia de doações e contava com ONGs, Institutos e Universidades, e tinha como intuito o desenvolvimento regional dos municípios do Caparaó. O Consórcio não administrava recursos e sim, trazia investimentos para a região.

“Quando saí, já tinha esse intuito de transformar em Consórcio Público, como se fosse uma prefeitura, tendo sua própria sustentabilidade econômica. Montamos a equipe técnica capacitada, capacitamos os municípios e todos os documentos já prontos, e com muito custo, isso foi evoluindo”, conta.

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Segundo ela, no momento há recursos em baixa, o que é uma ótima notícia para a próxima gestão. “Mudanças são sempre boas e, acredito, que a mudança da diretoria será positiva. O atual presidente ficou dois mandados e, pelo estatuto, não pode se reeleger. O novo presidente terá a missão de retomar a união dos municípios para promover o desenvolvimento de nossa região. O objetivo do Consórcio é unir os municípios e chamar a atenção do governador para nossa região”.

E essa força de mudança precisa ser retomada, avalia Elias Carvalho, um dos que estavam presentes no início das discussões sobre a formação do grupo. “O Consórcio do Caparaó foi criado de uma força muito grande pelo próprio povo que queria mudar a região. O mais importante desse processo foi a união das ONGs, que administravam junto aos prefeitos as ações do Consórcio. Isso, infelizmente, com o tempo acabou. Ficou só na mão dos prefeitos, que têm boas intenções, que trabalham, mas perdeu realmente a essência verdadeira do Consórcio, que era proteger e trabalhar pelo desenvolvimento da região do Caparaó num todo. Em um ambiente político e também socioambiental, aonde as instituições sempre tiveram muita voz. É uma pena e um lamento que tenho e acredito que seja possível, dependendo da próxima gestão, ter novamente essa essência e essa representatividade das comunidades da Região do Caparaó juntamente com o Consórcio”.

Um pouco mais de história

Além da articulação para tornar o Caparaó o que é hoje, o consórcio sempre trabalhou fortemente a educação ambiental, capacitando centenas de educadores ambientais, realizando encontros e mostras de desenvolvimento sustentável. Ações importantíssimas quando se fala de cidades que têm imensa vocação turística. “É uma instituição que, de fato, contribuiu para abertura da entrada no lado capixaba do Parque do Caparaó. O consórcio foi um aglutinador de pessoas que amavam e amam a região, que se encontraram e produziram muito”, conta Geraldo Dutra, educador socioambiental e participante dos primeiros tempos do Consórcio.

Uma das conquistas memoráveis do Consórcio, segundo Geraldo, é a Mostra Itnerante de Vídeo, o MoVa Caparaó. “Foi uma experiência riquíssima para a região e para o Espírito Santo. Serviu para a Secretaria de Estado da Cultura criar outras mostras, em outros locais. Envolveu jovens e fez com que eles fossem protagonistas do Caparaó, conhecendo as belezas, os problemas e sugerindo soluções”.

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