Cultura

Escritor alegrense lança livro sobre o Brasil pós 2016 e o corpo como ato político

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Desde 2016 o Brasil se encontra em um embate político que fez todas as classes setoriais nacionais discutirem o lugar de cada um dentro deste contexto que mais atrasou do que avançou. Com este ímpeto, o poeta, músico e criminalista, Aluízio Ferreira Sueth, de Alegre, na região do Caparaó capixaba, trouxe seus próprios questionamentos e discussões para o livro Punho e a poética no corpo.

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A obra, lançada através de chamamento anual de publicação de originais promovido pela Editora Cousa de Vitória, é uma não crítica social, mas o revelar do sistema aos olhos de um poeta, que segundo ele mesmo: “se debruça sobre as manifestações/percepções do corpo enquanto instrumento fundamental da existência e que, apesar disso, é mortificado dentro de um sistema de produção e controle tão maciços de suas potências, que a consequência é o apagamento de tantas corporalidades que se atravessam dentro da própria performance corporal; uma distração deliberada que é absolutamente conveniente à captura de sua força enquanto instrumento de trabalho rentável dentro do modelo de exclusão capitalista, mas que enche-lhe de perversões e demais pecados moralistas no que diz respeito às pulsões dos afetos, dos devires, do gozo”.

Aluízio comenta que antes do nascimento de Punho e a poética no corpo, precisou respeitar seu próprio tempo e “reconhecer que sou mais poeta que prosador, o que avalio ser de cabal importância”, e que este discernimento claro ajudou para encontrar sua “voz de escritor”. “O livro saiu em bom tempo, o seu próprio. Punho e a poética no corpo é a história do nosso encontro nessa duração, minha e dele, e que agora está pronto para encontrar outras pessoas, outras histórias”, explica.

Para o autor, o lançamento do livro se torna um “ato de coragem” diante do cenário político em que vivemos, principalmente no Brasil, onde a isenção de impostos dos livros está sob ameaça pelo atual governo e também em um cotidiano onde não há qualquer estímulo a leitura. Mas tudo isso não foi suficiente para conter seus desejos em se lançar na literatura. Para Aluízio, “a cultura vive, a cultura, historicamente – e agora não é diferente -, fervilha quanto mais acossada é pelos órgãos de repressão. O Punho, inclusive, transborda esse contexto de sufocamento político, e, ainda que difícil, é muito potente engrossar as fileiras do enfrentamento que se opõem a este momento de franco ataque às instituições democráticas e aos mais básicos direitos humanos, principalmente com poesia, que é, parafraseando Deleuze, a luta com o caos a fim de torná-lo sensível. À luta, então”.

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