Esporte Nacional

Gramado do Allianz Parque se transformará em 'grande salão' para final no domingo

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A torcida do Palmeiras poderá voltar ao Allianz Parque para acompanhar um jogo do seu time. No domingo, a arena vai receber até 2 mil pessoas para a transmissão especial do primeiro jogo da final da Copa do Brasil, diante do Grêmio, em Porto Alegre. O público estará acomodado em 500 mesas espalhadas pelo gramado a uma distância de 2 metros entre si para poder ver a decisão de dentro de um estádio e de olho em um telão.

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Os ingressos custam de R$ 360 a R$ 600 e estão à venda pela internet. O valor varia de acordo com a localização da mesa no gramado. Mais próxima do telão, mais caro. Cada uma delas poderá receber até quatro pessoas da mesma família. Todas terão de usar máscaras o tempo todo, respeitar o distanciamento social com os torcedores vizinhos e passar por aferição de temperatura na entrada. Cada mesa ficará dentro de um espaço delimitado por grades para evitar aglomerações, como já foi feito em outras ocasiões.

A arena realizou na semifinal do Mundial de Clubes um evento com formato parecido. Porém, naquela ocasião os torcedores acessaram o estádio dentro dos seus respectivos carros. Desta vez, a entrada será caminhando. Os portões do estádio vão abrir às 13h. A partida terá início às 16h. O jogo de volta será no domingo seguinte, no Allianz Parque, mas sem a presença de torcida, proibida no Brasil para eventos esportivos.

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“Iremos oferecer uma alternativa segura e única, atendendo rigorosamente todos os protocolos de segurança das autoridades sanitárias. Estamos buscando alternativas para trazer a torcida de volta à sua casa”, afirmou o CEO do Allianz Parque, Claudio Macedo. Ao longo da pandemia, a arena realizou também diversos eventos no formato drive-in, como shows e apresentações teatrais.

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O público vai encontrar no estádio estações com álcool em gel para a higiene das mãos e terá de obedecer um protocolo específico para o pedido de alimentos e bebidas. O cardápio só será acessado pelo celular. Quem precisar ir ao banheiro deverá ser conduzido por um funcionário da arena até o local, para evitar aglomeração de pessoas nos corredores.

Para organizar a transmissão do jogo, a administração da arena conta com alvarás da Prefeitura de São Paulo para realizar eventos até 2 mil pessoas, dentro das restrições exigidas pelo poder público. O Allianz Parque consultou também o Plano São Paulo, feito pelo governo estadual, que libera a realização de atividades culturais desde que o público não esteja em pé e se sente em locais previamente marcados e com o devido distanciamento social.

CUIDADOS MÉDICOS – Segundo Marcelo Otsuka, coordenador do Comitê de Infectologia Pediátrica da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), o principal para as pessoas irem ao jogo de forma segura é obedecer o distanciamento e, principalmente, continuarem no local marcado. “Em primeiro lugar: tem de respeitar a lei. Se ela permite (o evento), mesmo assim precisa cumprir o distanciamento das famílias. Tem de ser policiado”, disse o especialista.

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Na opinião dele, é necessário o evento ter uma estrutura para evitar que os diferentes grupos se misturem. “Mas, se o time fizer gol, essas famílias não vão no vizinho comemorar, se abraçar? Não pode. A distância preconizada (para controle de epidemia) é de pelo menos dois metros de distância. Mas eles vão ficar sentados nas mesas? Não vão se abraçar?”, disse. “Seria melhor se tudo fosse controlado, a começar pelo distanciamento. Tem de policiar”, comentou.

O médico epidemiologista Paulo Lotufo, da USP, também afirma que é difícil considerar o evento 100% seguro, principalmente por causa de possíveis aglomerações. “Tudo no papel é sempre correto. A questão é como se dará na prática. Eu não recomendo, sem saber o objetivo e conhecer o local físico”, explicou.

O infectologista Marcelo Simão também vê com reservas a realização de um evento desse porte. “Não posso falar se devem ou não realizar ou cancelar um evento desses. Mas na minha opinião existe risco (de contaminação). Apesar dos cuidados, vai haver aglomeração e não vejo muita segurança neste procedimento”, afirmou.

Ciro Campos e Fabio Hecico, especial para a AE
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