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Redação da Fuvest pergunta se mundo contemporâneo está fora de ordem

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O tema da redação da segunda fase da Fuvest, realizada neste domingo, 21, foi uma pergunta: o mundo contemporâneo está fora da ordem? Os candidatos tiveram cinco textos de apoio que levavam a uma resposta afirmativa. Segundo professores de cursinho, o tema proposto permitia aos candidatos explorar questões políticas, socioeconômicas e ambientais, além da própria pandemia.

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O primeiro dia da segunda fase para quem busca uma vaga na Universidade de São Paulo teve 7,69% de abstenção. Dos 33 mil candidatos aprovados na primeira fase, 2.563 não compareceram neste domingo. Apesar da pandemia, a taxa foi semelhante à registrada em anos anteriores. Em 2021, os candidatos disputam 11.147 vagas. Na segunda-feira, 22, os estudantes fazem as provas de disciplinas específicas.

Sobre a redação, a professora Maria Aparecida Custódio, do laboratório de redação do Objetivo, disse que o candidato poderia “ter abordado vários aspectos relacionados a aquilo que hoje chama a atenção no mundo: questões econômicas, questões sociais, questões políticas, questões relacionadas ao meio ambiente, entre outras que podem contribuir para o candidato conseguir responder a pergunta tema.”

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Fabiula Neubern, coordenadora de redação do Poliedro, comentou que a redação pedia uma análise do atual contexto das relações políticas e econômicas. “O tema tem como pano de fundo o esgotamento do modo de produção capitalista que tem passado por reinvenção de suas dinâmicas de trabalho e econômicas.”

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“Também e, principalmente com a contingência da pandemia, o mundo se vê questionando o modelo de dominação da natureza e de comportamento de consumo ocidental para que novas propostas surjam. Nesse momento, há correntes que defendem o fim do capitalismo e outras, que sua dinâmica seja mais uma vez reinventada e que os agentes de mercado se voltem para uma economia verde.”

Simone Motta, coordenadora de português do Colégio Etapa, elogiou a escolha do tema. “Foi bem atual. Foi uma redação que pedia do aluno uma posição bastante crítica em relação aos acontecimentos da atualidade, no sentido de discorrer sobre: o que se considera ordem e, por que, portanto, o mundo está fora dessa ordem.” Na visão dela, “valorizou o candidato que sabe fazer a leitura dos textos e consegue aliar informações adquiridas sobre conhecimento de mundo.”

Português

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A prova de português teve uma primeira parte com seis questões de linguagem envolvendo interpretação de texto e figuras de linguagem, para que o candidato demonstrasse conhecimento no sentido de palavras, formação de vocabulário. E uma segunda, de literatura, com mais quatro questões. “De maneira geral, a prova estava bem dividida, bem trabalhada, cobrou uma leitura atenta dos livros obrigatórios. Tinha questão de enredo do Nove Noites, por exemplo. Se o aluno não tivesse feito a leitura de fato não faz a resposta”, destacou Simone.

“A parte de interpretação pedia respostas mais elaboradas. As perguntas eram aparentemente tranquilas, mas de fato demandavam análise focada no texto. Uma das questões tinha a capa de uma revista e tinha que fazer uma leitura da imagem em relação a linguagem verbal e estabelecer o ponto de contato. Foi uma prova bem no estilo da Fuvest mesmo. Dentro do que esperava que fosse acontecer”, acrescentou Simone.

O professor Serginho Henrique, do Objetivo, considerou “a parte de gramática mais fácil e literatura mais difícil”. Ele também destacou que a Fuvest aproveitou para utilizar assuntos atuais em suas questões. “Tinha questão das queimadas, vício em smartphone, uma questão sobre processo de formação de palavra relacionada a barragem de Mariana, outra sobre tolerância e mais uma ligada à dificuldade do ensino a distância.”

João Prata
Estadao Conteudo
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