Cidades

Cartunista cachoeirense usa humor e crítica para abordar a inclusão da pessoa com deficiência física

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Foto: Arquivo pessoal
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O cachoeirense Ricardo Ferraz, um dos maiores cartunistas do Brasil, contraiu poliomielite aos cinco anos de idade e, por conta disso, teve comprometimento dos membros inferiores. A doença o levou a viver uma infância praticamente sem contato com outras crianças e, nessa época, achou na arte um refúgio, além de usá-la como terapia para se distrair da dor das injeções aplicadas pelo pai. Foi rabiscando com carvão as embalagens de pão que Ricardo descobriu a vocação para as ilustrações.

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A experiência pessoal e a observação da realidade de pessoas que, assim como ele, possuem algum tipo de deficiência, fizeram com que Ferraz se tornasse um ativista da causa. O cartunista foi um dos fundadores da Associação Capixaba de Pessoas com Deficiência (ACPD) na década de 1980.

Sua atuação mais marcante é por meio dos cartuns que normalmente expressam situações do dia a dia revelando as barreiras físicas e o preconceito que ainda impedem o pleno acesso de pessoas com deficiência aos direitos sociais, econômicos e políticos, por exemplo. Ricardo lembra que foi o primeiro de sua profissão no país a retratar o preconceito com as pessoas com deficiência.

“É importante refletirmos sobre o convívio harmônico com as diferenças. Somos movidos pela nossa autoestima e, quando somos vítimas de preconceito, infelizmente fere o nosso direito de viver. É preciso abrir um debate na sociedade, um conjunto de ações, na qual haja uma convivência com as diferenças, sem preconceito” ressalta Ricardo Ferraz.

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Trajetória

As ilustrações com cunho inclusivo foram veiculadas, inicialmente, em Cachoeiro de Itapemirim, cidade no sul do Espírito Santo onde Ricardo Ferraz nasceu e reside. “Fiquei perplexo com aquela situação. Eu já trabalhava com cartum no jornal da Prefeitura de Cachoeiro de Itapemirim abordando diversos temas e, então, quis denunciar essa realidade. Fui o primeiro cartunista brasileiro a abordar de forma crítica e humorada as realidades das pessoas com deficiência. Através do cartum abordava as barreiras arquitetônicas, os preconceitos, tudo isso numa época em que não se falava de acessibilidade”, explica.

Um dos impulsos para divulgação em âmbito nacional de seu trabalho veio em 2001, quando a Rede Globo promoveu um concurso voltado para cartunistas profissionais e amadores. O concurso selecionou os melhores trabalhos para as vinhetas eletrônicas usadas nos intervalos da programação. “Eu na época como amador pensei que não custava nada sonhar, ver meu trabalho na Rede Globo. Fui escolhido entre os outros, me tornando o primeiro capixaba a ter um trabalho selecionado pela emissora. E foi a primeira vinheta temática falando de acessibilidade”. O concurso se repetiu por sete edições, Ricardo ganhou quatro delas.

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Seus trabalhos também foram exibidos na programação do SBT, na campanha Teleton, promovida pela emissora em prol da Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD). Hoje sua obra está presente em jornais e revistas do Brasil e outros países da América do Sul, África do Sul, Europa, Canadá e Estados Unidos. O trabalho do cartunista também é apresentado nas exposições sobre acessibilidade promovidas pela Organização das Nações Unidas (ONU).

Publicações e exposição

O trabalho reconhecido nacionalmente e internacionalmente hoje faz parte de palestras e livros didáticos. Um deles é o livro Visão e Revisão. Conceito e Pré-Conceito, que reúne cartuns feitos por Ricardo entre 1981 e 2000. O livro, que está na terceira edição, foi lançado em 2000, no XIX Congresso Mundial da Reabilitação Internacional, realizado no Rio de Janeiro. O nome da publicação é o mesmo da exposição itinerante que já percorreu várias partes do Brasil e do exterior, levando até o público, com pitadas de humor e crítica, as dificuldades enfrentadas pelas pessoas com deficiência. Outra publicação de Ferraz é o livro Bulliyng, vamos combater esse mal pela raiz?, que aborda a perspectiva da educação inclusiva.

“Fico muito feliz de saber que esses desenhos, que foram ferramentas de denúncias na década de 1980, hoje estão tendo essa utilidade neste debate permanente falando sobre cidadania. E os livros didáticos utilizam esses cartuns para provocar essa reflexão. É um tema que passa necessariamente pela educação de qualidade. Meu maior prêmio é saber que meu trabalho está dando essa contribuição”.
Veja mais trabalhos de Ricardo Ferraz:

 

 

Fonte: Por Redação Web Ales com colaboração de Rafaela Maia 

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