Esporte Nacional

'A atual lei dos direitos de transmissão é anacrônica', afirma Mauricio Galiotte

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O Palmeiras entrou em campo nos últimos jogos com um detalhe diferente da camisa. A mensagem do movimento “Futebol Mais Livre” presente no uniforme reforça a campanha do clube e de outros 11 participantes da Série A do Campeonato Brasileiro em mudar o regime de direitos de transmissão, proposta que o presidente da equipe alviverde, Mauricio Galiotte, defende com entusiasmo por acreditar nos impactos positivos disso para o mercado.

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Em entrevista exclusiva ao Estadão diretamente da Bolívia, onde o Palmeiras está para o compromisso pela Copa Libertadores, Galiotte afirmou que o Brasil precisa mudar a lei sobre os direitos de transmissão de jogos. O movimento quer transformar em lei a MP 984, assinada pelo presidente Jair Bolsonaro em junho. O texto alterou a Lei Pelé ao determinar que o direito da exibição da partida pertence exclusivamente ao mandante em vez de exigir que os dois times envolvidos tenham contrato com uma mesma emissora para a partida poder ser transmitida.

A MP precisa ser votada até a primeira quinzena de outubro para não perder validade. Enquanto isso, o Palmeiras e outros mais de 40 clubes brasileiros, como Santos e Flamengo, têm feito campanhas nas redes sociais e procurado conversar com congressistas. O movimento tem o intuito de defender que se a proposta virar lei, o futebol poderá movimentar mais dinheiro, pois cada clube poderá negociar o próprio contrato, além de garantir que todas as partidas tenham transmissão.

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Por que na sua avaliação a MP do Mandante pode representar um grande ganho para a torcida?

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Porque com a lei do mandante não há mais apagão no futebol brasileiro. Ela permite que todos jogos estejam disponíveis para serem transmitidos pela TV. Todos ganham com a maior disponibilidade de conteúdo e também porque, com a concorrência, os direitos valorizam, os clubes ficam mais fortes para manterem os seus craques no país e atraírem os que jogam em outras ligas.

O movimento sobre a MP do Mandante tem o apoio de vários clubes. Como vocês têm se organizado para lidar com essas discussões?

A MP beneficia todos os clubes, independente de porte ou divisão. Os clubes estão entendendo que são sócios num grande negócio e que juntos são mais fortes e mais valiosos. A rivalidade deve se restringir às quatro linhas. Recentemente tivemos uma experiência positiva onde os 40 clubes das séries A e B realizaram a venda conjunta dos direitos internacionais de transmissão do Campeonato Brasileiro (2020 a 2023), por intermédio da Comissão Nacional de Clubes (CNC) e com o apoio da CBF.

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Como tem sido o diálogo e a articulação entre vocês, dos clubes, e autoridades políticas?

Há o entendimento comum de que a legislação anterior à MP 984 é anacrônica e sem paralelo no mundo. Por essa razão, a necessidade premente de mudança, de adequação, para posicionar o futebol brasileiro em sintonia com as principais ligas do mundo, tais como, Inglaterra, Alemanha, França, Itália e França. Vamos implantar, com atraso, o que já está comprovado que é o melhor para o negócio futebol. Estamos a cerca de um mês do prazo-limite para votação da MP e conversando diariamente de maneira positiva com congressistas de todos os partidos para mostrá-los que a MP é para o fortalecimento do futebol brasileiro e seus clubes. Temos confiança que o Congresso vai debater o assunto.

O Palmeiras tem cativado a torcida a entrar também na discussão sobre o tema do direito dos mandantes. O quanto a participação popular pode representar um peso?

Os congressistas sempre olham para os interesses dos seus eleitores. A lei do Mandante é de alto interesse dos nossos torcedores palmeirenses e de todos os clubes, de qualquer série do futebol brasileiro, como se vê pela adesão ao movimento Futebol mais Livre. A participação e o engajamento do torcedor são muito importantes, para que eles entendam os benefícios da nova legislação e manifestem o seu apoio junto aos representantes no Congresso Nacional.

Na sua visão essa grande mobilização das equipes pode gerar algum tipo de retaliação e desavença ou contra a Rede Globo ou contra clubes que por enquanto não são favoráveis ao movimento?

Não acreditamos nisso. A MP 984 assegura o direito de transmissão aos seus legítimos donos: os clubes, que até então tinham 50% de um produto, mas na prática, não tinham um produto para vender, pois dependiam sempre da anuência do clube visitante e estavam limitados em suas possibilidades de negociação. A lei não traz prejuízo a nenhuma das partes, apenas benefícios. As empresas detentoras dos direitos têm um aumento no número do jogos disponibilizados sem que tenham que pagar mais por isso. A MP viabiliza a entrada de novos investidores, aumenta a disputa por direitos, a receita dos clubes e, consequentemente, deixa o futebol brasileiro mais forte.

Ciro Campos
Estadao Conteudo
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