Política Nacional

Candidatos fazem corpo a corpo mesmo na pandemia

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Era preciso medir a temperatura e higienizar as mãos com álcool gel para se ter acesso à convenção municipal do PSOL de São Paulo, realizada na comunidade Morro da Lua, no Campo Limpo, zona sul da cidade, no último dia 5. O espaço aberto do campo de futebol permitia a ventilação, e as cadeiras foram distribuídas de maneira espaçada. Terminado o evento, o rigor do distanciamento social diminuiu à medida que apoiadores foram até o candidato do partido à Prefeitura, Guilherme Boulos, para trocar abraços e tirar selfies.

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A situação tem se repetido em atos de pré-campanha, convenções e outros eventos de outros partidos acompanhados pelo Estadão nas duas últimas semanas. Apesar da tentativa de aplicar as regras de distanciamento social pregadas por especialistas em saúde pública para evitar o contágio do novo coronavírus, o tradicional corpo a corpo é inevitável. Muitos dos postulantes à Prefeitura admitem que sequer têm o interesse de evitar o contato físico com o eleitorado.

É o caso da deputada Joice Hasselmann, candidata do PSL. Ela relata que “não tem como impedir” o contato com eleitores que pedem selfies. “Como eu vou dizer não? Não vou fazer isso”, afirmou. A imagem de Joice abraçando, sem máscara, uma moradora de rua da Cracolândia no último dia 7, publicada nas redes sociais, chegou a virar meme de opositores e críticos. A parlamentar, no entanto, se justifica lembrando que já teve covid e, por isso, não propagaria mais a doença.

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Não há norma que impeça o corpo a corpo dos candidatos durante a pandemia. Na última semana, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgou um plano sanitário para as eleições, mas faz apenas recomendações aos partidos (mais informações nesta página). Entre as campanhas, há o receio de que passar álcool gel com frequência dê a impressão de antipatia ou nojo do eleitorado.

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Abraços e beijos – mesmo com a máscara tapando a boca – têm acontecido com frequência. O ex-governador Márcio França (PSB), que não contraiu a doença, não tem se furtado a dar apertos de mão ao aparecer em público. O anúncio de sua coligação com o Avante, em 26 de agosto, terminou com todos os presentes discursando em pé, lado a lado, dentro da mesma sala. “Mesmo a gente falando que pode fazer (a convenção) presencial, a verdade é que você perde o controle quando tem muita gente”, disse França. “Imagine se você tivesse a notícia de que foi feita a convenção e, depois, 84 pessoas pegaram covid? Ficaria a sensação de que a gente é louco”, afirmou.

O prefeito e candidato à reeleição, Bruno Covas (PSDB), que também já teve covid-19, é outro que não tem conseguido evitar o contato. O presidente do PSDB municipal, Fernando Alfredo, admite que não há como impedir que os eleitores tirem foto e se aproximem do candidato. “Com os números da covid reduzindo, vai ter mais liberdade. Não dá para negar uma foto para o eleitor, mas vamos evitar as grandes aglomerações.”

Filipe Sabará (Novo) também afirma não recusar um pedido de foto com apoiadores. Ele teve covid em março e também está imunizado, mas diz que sempre usa máscaras ao andar pela cidade a bordo de uma Kombi laranja, cor do seu partido. “As pessoas da periferia não ficaram em casa, nem teriam como. Quem ficou em casa foi a classe média e alta.”

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O deputado federal Orlando Silva, candidato do PCdoB, disse que aboliu o corpo a corpo e tem realizado apenas pequenas reuniões presenciais domiciliares. “Defendemos que o isolamento social é uma mecanismo importante no combate ao covid. Aí vamos aglomerar?” Andrea Matarazzo (PSD), pensa de maneira parecida e diz que vai sozinho às agendas. “Acho irresponsável fazer isso (corpo a corpo) hoje em dia.”

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Paula Reverbel e Pedro Venceslau
Estadao Conteudo
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