Segurança

"Falhamos ao acreditar nas desculpas dele", diz mãe de jovem morta pelo ex

COMPARTILHE
1848
Advertisement
Advertisement

Cinco dias antes de ser assassinada a facadas pelo ex-namorado, a estudante Raiane Miranda, de 20 anos, compartilhou com a família as ameaças de morte recebidas no celular. As mensagens enviadas por George Oliveira, 26, não geraram boletim de ocorrência. Dias após a tragédia, a família não se arrepende de não ter acionado a polícia, mas, sim, de ter confiado no pedido de desculpas do suspeito logo depois das ameaças.

Continua depois da publicidade

Na última sexta (31), George encurralou Raiane na frente da casa dela, em Santana, região metropolitana de Macapá (AP), e desferiu quatro facadas na jovem, com quem namorou por dois anos. A vítima havia terminado o namoro com o entregador há menos de um mês porque o então companheiro não a deixava trabalhar como operadora de caixa. A defesa alega que “se trata de um crime passional, movido pelo sentimento forte da paixão”. George está em prisão preventiva.

Dias antes do crime, George enviou mensagens de texto para Raiane. “Vai denunciar que eu vou te matar”, escreveu às 20h02 do dia 26 de julho. Segundo a mãe da vítima, a supervisora de vendas Clene Miranda, de 36 anos, o ex-genro a procurou para se desculpar depois das ameaças enviadas à filha dela.

Alegando um momento de raiva, o suspeito também pediu perdão à ex-namorada, à avó dela e à própria mãe. Isso teria dado confiança aos familiares de que nada poderia ocorrer, sobretudo em razão de George ter cumprido a promessa de não ter mais procurado a vítima nos dias seguintes, até a noite do crime.

Continua depois da publicidade

“Não me arrependo de não ter orientado a minha filha a registrar boletim de ocorrência porque nunca imaginávamos uma reação dessa. Ele pediu desculpas para mim, minhas irmãs, minha mãe, para a Raiane e para a mãe dele. Falou que era um momento de raiva e que estávamos certos”, disse a mãe da vítima. “Falhamos ao acreditar nas desculpas dele.”

Clene ainda considerou o histórico pacífico do ex-genro para não procurar a polícia. “Foi uma surpresa porque não era essa a imagem que tínhamos dele”, diz. “Isso mostra que no fundo não conhecemos ninguém.”

Independente, queria dar conforto à filha Raiane engravidou aos 16 anos. A mãe conta que a gestação motivou ainda mais a jovem a terminar os estudos e a ingressar em um curso superior. Com apoio da família, ela estava no sétimo semestre da graduação em enfermagem.

Advertisement
Continua depois da publicidade

“Ela sempre quis ser muito independente. Teve a filha dela muito cedo, mas não deixou a vida e os sonhos de lado. Depois da gravidez, a Raiane colocou na cabeça que precisava dar um futuro para a filha e não parou os estudos”, diz Clene.

Após uma temporada entregando currículos em vários estabelecimentos e empresas, a jovem conquistou pela primeira vez um emprego com carteira assinada, como operadora de caixa em um supermercado da cidade. O desejo dela era dar mais conforto para a filha, que completa quatro anos em outubro.

“Tudo foi interrompido por esse rapaz que a gente colocava dentro de casa e jamais imaginávamos que seria o assassino dela por não aceitar os sonhos da minha filha”, diz a mãe.

Leia mais em Universa Uol 

Advertisement

Ajude o bom jornalismo a nunca parar! Participe da campanha de assinaturas solidárias do AQUINOTICIAS.COM. Saiba mais.