Economia

Empreendedores driblam a crise e abrem novos negócios durante a pandemia

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A história de que a crise pode se tornar uma oportunidade de negócio ganhou novos significados com a chegada do novo coronavírus. Se, por um lado, as empresas que já existiam tiveram que mudar a forma de se relacionar com os clientes, por outro, vários empreendimentos surgiram na crise, a maior parte para atender à crescente demanda por produtos entregues em domicílio.

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Segundo uma pesquisa da Easymei, uma plataforma que auxilia os empreendedores a se organizarem, entre os dias 3 de março e 13 de junho, entre as dez principais categorias de microempreendedores individuais (MEIs), a que mais cresceu no país foi a de produção de alimentos para consumo domiciliar. O número de MEIs na atividade avançou em 10,4% no período, impulsionado principalmente pelo aumento dos pedidos via delivery.

Do olhar atento às oportunidades, uma nova empreendedora nasceu em Cachoeiro de Itapemirim. As postagens em redes sociais das pizzas que fazia para a família foram a porta de entrada de Lucicarla Delatorre no mercado de alimentos. Ela conta que cozinhava as delícias para a família e, depois de internautas verem as fotos no Instagram, muitos perguntavam se as delícias estavam à venda.

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Em maio, após o marido ter a jornada de trabalho reduzida por conta da pandemia, veio a decisão de abrir o próprio negócio, o que rendeu um incremento em torno de 40% na renda familiar. “Unimos o útil ao agradável e começamos a produzir e vender as pizzas, o que nos deu uma nova fonte de renda. Meu marido faz a massa e eu monto o recheio, faço as vendas e a mídia”, conta.

Com o início do reaquecimento da economia, o marido de Lucicarla voltou a trabalhar em período integral. Mas isso não desanimou a dupla, que continua, literalmente, a colocar a mão na massa. “Eu faço as entregas durante o dia e ele faz à noite. Tivemos de nos reorganizar para fazer massa, montar as pizzas, e está dando certo. Já estamos enviando nossos produtos para Vitória e Vila Velha, sob encomenda”, afirma a microempresária, que acredita que a qualidade é a peça fundamental para que a empresa continue a crescer.

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“Quem pretende ingressar no mercado tem de analisar os produtos que oferece. Li uma frase que me marcou muito: ‘não queira que seu produto seja conhecido como o mais barato, não seja essa referência, mas trabalhe para seu produto ser reconhecido como o melhor’. E essa é nossa meta. Quem prova nossas pizzas nos dá um feedback positivo, pois só usamos produtos de qualidade”, revela.

A microempresária Beatriz Helena Teixeira Butter também apostou no ramo alimentício. Ela, que já trabalhou com congelados, resolveu investir e reabrir o negócio durante a pandemia. Atualmente, ela oferece aos clientes de Cachoeiro empadões, tortas, panquecas e lasanhas congeladas no Food Service Bia Butter. “Os produtos têm boa saída. Hoje em dia, as pessoas nem sempre têm tempo de preparar a comida quando chegam em casa cansadas do trabalho. Então, os congelados são uma opção saudável e muito prática”, ressalta.

Ela conta que o sucesso está em priorizar a qualidade dos ingredientes, a preparação do prato e a higiene. “Temos muito cuidado no preparo, higiene total. Tentamos manter um preço justo, que atraia e facilite a vida do cliente”, conta, afirmando que a venda dos congelados já responde por 40% do orçamento doméstico.

Veja as dicas para abrir seu próprio negócio

*Busque um diferencial de mercado. O segmento de alimentação, por exemplo, tem muita concorrência. Então, pergunte-se o que você pode oferecer de diferente. Se for algo tradicional, você terá de concorrer com preço. Mas se for algo diferente, novo, seu produto estará sozinho no mercado, o que pode render boas vendas. Então, fique atento à necessidade dos clientes. Esse nicho de mercado pode ser traduzido também num consumidor que tem uma necessidade específica: alimentos para diabéticos, para quem está fazendo dieta, hipertensos.

*Saiba se há uma quantidade viável de clientes em seu nicho. Se seu produto se adequa a poucos clientes, talvez não seja viável.

*Além do delivery, que se consolidou na pandemia, há ainda o chamado drive thru, onde os consumidores podem comprar os produtos sem sair dos seus carros ou sem entrar na loja. Esse tipo de serviço também vem se consolidando num momento em que o contato pessoal não é aconselhável.

*Estamos vivendo tempos diferentes. Então tente pensar nos problemas que estão ocorrendo, e busque soluções para eles. Essas soluções podem ser uma ótima oportunidade de mercado. Explore sua capacidade de fazer diferente.

*Esteja sempre conectado às novidades que aparecem. A internet, que já era uma tendência, se consolidou de vez como meio de vendas. Há muitos aplicativos que podem ajudá-lo a mostrar seus produtos, ferramentas conhecidas em redes sociais. Há o marketplace, ou shopping virtual, que pode ser uma boa vitrine. Enfim, busque ferramentas na internet para expor seus produtos e fazer suas vendas.

*Muitos empreendedores estão trabalhando de casa neste período. Um erro comum é misturar as contas domésticas com as da empresa. Então, é preciso ter controle total das despesas e receitas da empresa. Anotar tudo, mesmo num caderno, vai dar uma noção dos gastos e ganhos.

*Saiba colocar preço no seu produto. Ter planejamento e controle financeiro ajuda nesse ponto.

*Conheça a economia da sua região. Uma grande empresa que se instala em seu município, pode ser uma oportunidade para oferecer aos funcionários seus serviços de alimentação ou estadia, por exemplo.

*Tenha controle sobre o quanto gasta e o quanto recebe.

*Tenha um planejamento a longo prazo. Um produto pode ser sazonal, vender mais no verão do que no inverno. Então, o ideal é ter esse controle de caixa para saber, ao fim de 12 meses, qual é sua real renda média mensal.

Fonte: Marcos Secchin, analista do Sebrae/ES

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