Eleições 2020

Enquete aponta que mais de 60% dos eleitores não pretendem votar nas eleições deste ano

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DemonstraÁ¿o do uso da urna eletrÙnica para as eleiÁ¿es de 2006.
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Como já era previsto por especialistas, as eleições municipais deste ano deverão ser marcadas pela abstenção, talvez a maior da história. A pandemia é, certamente, o principal obstáculo para o eleitor chegar às urnas, avalia o doutor em Sociologia, professor e consultor, João Gualberto Vasconcellos.

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“Muitos deixarão de votar e pagarão a multa, que é irrisória. Temos uma tendência de termos a eleição da abstenção. Além disso, as campanhas serão pouco presenciais. E, nas eleições municipais capixabas, temos uma tradição presencial muito forte, que será quebrada. As campanhas se concentrarão nas redes sociais, o que dará um poder enorme ao WhatsApp, por exemplo”, avalia, dizendo que há grupos fortíssimos nos municípios, com centenas de participantes, e que podem fazer a diferença na hora de decidir um voto.

Uma enquete realizada AQUINOTICIAS.COM, no Instagram, reforça a fala de João Gualberto sobre as abstenções. Ao todo, 1.326 internautas responderam à pergunta: “Especialistas afirmam que, por conta da Covid-19, as eleições 2020 terão número alto de abstenções. Você pretende ir às urnas?

A maioria dos internautas, 64%, que participou da pesquisa disse que não virá votar este ano. Outros 36%, pretendem ir às urnas. Muitos deles, inclusive, comentaram na enquete que gostariam que o voto deixasse de ser obrigatório e há aqueles que sugeriram a possibilidade de uma votação online.

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Longe das urnas

Mesmo para uma eleição atípica, marcada por um vírus que parou o mundo, os 64% de abstenções surpreendem. Para dar uma ideia de como esse percentual é alto, em 2016, segundo dados do TSE, cerca de 27 mil dos quase 137 mil eleitores de Cachoeiro de Itapemirim, maior colégio eleitoral do Sul do Espírito Santo, não foram às urnas, ou seja, quase 20% sequer saíram de casa para o pleito.

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Há ainda aqueles que estavam presentes nas cabines de votação, mas preferiram anular ou votar em branco: cerca de nove mil eleitores optaram por isso. Na prática, o índice de pessoas que decidiu simplesmente não ir votar, ou ir às urnas e “votar em ninguém”, foi de pouco mais de 28%, bem aquém dos 64% que pretendem se abster este ano, segundo a enquete online.

Mais uma comparação: em 2018, no país, quase 30 milhões de eleitores não compareceram às urnas. O nível de abstenção recorde, de 20,3%, foi o mais alto desde as eleições de 1998, quando 21,5% do eleitorado não votou.

Ainda seguindo os números da enquete, se 64% dos cidadãos decidirem realmente não irem às urnas no dia das eleições, isso significa que quase 1,8 milhão de capixabas colocará o destino das suas cidades nas mãos de pouco mais de um milhão de pessoas.

 

Agora é oficial

O Congresso promulgou ontem a Emenda Constitucional 107, decorrente da PEC 18/2020, que adia as eleições municipais de outubro para novembro deste ano. A PEC foi aprovada na Câmara dos Deputados na noite de quarta-feira (1º).  Iniciada no Senado, a proposta determina que os dois turnos eleitorais, inicialmente previstos para os dias 4 e 25 de outubro, sejam realizados nos dias 15 e 29 de novembro. Por meio de uma emenda de redação, os deputados definiram que caberá ao Congresso decidir sobre o adiamento das eleições por um período ainda maior nas cidades com muitos casos da doença.

A proposta, de autoria do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), também estabelece novas datas para outras etapas do processo eleitoral de 2020, como registro de candidaturas e início da propaganda eleitoral gratuita. Não haverá, porém, prorrogação dos atuais mandatos. A data da posse dos eleitos permanece em 1º de janeiro de 2021.

 

Novo calendário eleitoral

A partir de 11 de agosto: vedação às emissoras para transmitir programa apresentado ou comentado por pré-candidato.

Entre 31 de agosto e 16 de setembro: realização das convenções para escolha dos candidatos pelos partidos e a deliberação sobre coligações.

Até 26 de setembro: prazo para partidos e coligações solicitarem à Justiça Eleitoral o registro de seus candidatos; após 26 de setembro: início da propaganda eleitoral, inclusive na internet.

A partir de 26 de setembro: Justiça Eleitoral convocará os partidos e a representação das emissoras rádio e de televisão para elaborarem plano de mídia.

27 de outubro: partidos políticos, as coligações e os candidatos, obrigatoriamente, deverão divulgar o relatório discriminando as transferências do Fundo Partidário e do Fundo Especial de Financiamento de Campanha, os recursos em dinheiro e os estimáveis em dinheiro recebidos, bem como os gastos realizados.

Até 15 de dezembro: encaminhamento à Justiça Eleitoral do conjunto das prestações de contas de campanha dos candidatos e dos partidos políticos, relativamente ao primeiro e, onde houver, ao segundo turno das eleições.

27 de dezembro: último prazo para realização de eleições para municípios mais afetados pela pandemia.

O texto promulgado garantiu uma “válvula de escape”. Em casos de municípios nos quais não haja condições sanitárias e seja necessário adiar as eleições para além de novembro, há possibilidade de o pleito ser feito até 27 de dezembro.

Essa mudança será possível se o Congresso editar um decreto legislativo e permitir a alteração de nova data.

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