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Curada de câncer raro, cachoeirense realiza sonho de ser mãe durante a pandemia

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Uma história de superação, que deixou a tristeza para trás e transborda a família de alegria mesmo durante a pandemia do novo coronavírus. A contadora Juliana Viana de Almeida, de 31 anos, de Cachoeiro de Itapemirim, descobriu um câncer raro. Vencido o tumor, veio a gravidez e, em breve, realizará o sonho de ser mãe. Com cinco meses e à espera de Pedro, ela, claro, vive dias de angústia por conta da Covid-19, mas garante que a alegria de se tornar mãe supera qualquer medo ou preocupação. Mesmo porque ela sabe bem o que é enfrentar dias difíceis.

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Em abril de 2018, quando tinha dois anos de casada com o empresário Cristiano Barbosa de Souza, de 39 anos, Juliana recebeu a notícia de que estava grávida. Radiantes com a possibilidade de virarem pais, já que haviam planejado o bebê, Juliana teve um sangramento 15 dias após a descoberta, seguida da informação de que tinha sofrido um aborto.

“O médico disse na época que eu não devia me preocupar, pois o meu organismo iria expelir o feto, que teria vida normal e que poderia engravidar tranquilamente novamente. Só que o meu corpo não expelia nada, minha barriga começou a crescer e eu sentia sintomas de gravidez”, explica a contadora. Logo uma bateria de exames e um ultrassom viriam a mostrar que Juliana estava, na verdade, com um câncer na placenta e não grávida. Feita a curetagem, uma hemorragia exigiu que ela ficasse internada.

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Juliana conta que o diagnóstico foi desesperador. “Ainda estava processando a informação de que havia sofrido um aborto. Foi tudo muito chocante. Chorei por uma semana. Mesmo com o médico sendo muito sábio nas palavras, confesso que tomei um susto. Eu sou muito pequena e, na época, pesava 43 quilos. Mas a fé em Deus, a oração e o trabalho psicológico me ajudaram a atravessar essa fase e os meses de tratamento de forma mais tranquila”, afirma.

No período, ela foi acompanhada pelo oncologista e coordenador da Oncologia da Unimed Sul Capixaba, Raphael Luzorio Fernandes, que deu o diagnóstico de neoplasia trofoblástica gestacional. “A doença costuma ser descoberta após a suspeita de gravidez. Há o atraso menstrual, a mulher faz o exame para saber se está grávida e o resultado dá positivo. Mas, depois, o ultrassom mostra que não houve formação do feto e sim uma fusão anormal do óvulo com o espermatozoide, acometendo o tecido que formaria a placenta, chamado de tecido trofoblástico”, explica o médico.

 Tratamento

 Segundo o oncologista, esse é um tipo relativamente raro de tumor e se apresenta, na maioria das vezes, a partir de sangramento. O tratamento acontece por meio da evacuação uterina ou esvaziamento uterino, que é uma espécie de raspagem no útero realizada pelo ginecologista. “Mas, se após o procedimento, o exame Beta hCG se manter positivo em níveis elevados, essa paciente vai para quimioterapia. E foi o que aconteceu com a Juliana”, explica  Raphael Luzorio.

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Juliana recebeu quatro ciclos de quimioterapia. O protocolo adotado para o caso da paciente não ocasionou a queda de cabelo – algo que ela temia – e costuma ser bem tolerado por quem é submetido ao tratamento. “Ela teve uma boa evolução, sem efeitos colaterais importantes, e concluiu todo o tratamento em apenas quatro meses. Hoje não há nenhum vestígio da doença”, diz o oncologista.

Somente em janeiro deste ano a contadora se sentiu mais tranquila para engravidar novamente. “O médico orientou seis meses de espera para ficar grávida de novo após o tratamento, mas eu não tive coragem antes. Descobri a gravidez no dia 17 de março. Não tinha noção da gravidade da pandemia e do que ainda estava por vir. Achei que fosse passar rápido, mas isso não aconteceu. A preocupação existe, vejo muitos relatos de morte por Covid-19, mas estou tomando as devidas precauções. Estou trabalhando de casa e só saio para ir ao médico”, ressalta Juliana.

A falta do contato mais próximo com a família e os amigos em um momento tão importante é muito sentida pelo casal. Mas nem por isso deixam de compartilhar o que vivem com as pessoas que tanto amam. O chá revelação do sexo do bebê, por exemplo, foi feito a distância. “Fizemos uma live com a família pelo Instagram e foi muito emocionante”, afirma.

“É uma sensação de prazer enorme estar grávida. Em 2018 queria muito engravidar, mas não tinha noção da proporção do que é ser mãe. Agora, é como se tudo o que vivi me fortalecesse para ser uma mãe melhor para o meu filho. Sem contar que a própria relação com o meu marido melhorou. Nós trabalhávamos muito. Se a gravidez tivesse ido à frente em 2018, a nossa qualidade de família e de união seriam diferentes. Agora, estamos transformados e mais fortalecidos”, revela Juliana.

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