Economia

Dólar sobe para R$ 5,38 com exterior negativo e teste de Bolsonaro

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O câmbio teve novo dia de volatilidade. O real foi pressionado pela valorização do dólar no exterior, que ganhou força nos negócios da tarde. Em dia de agenda esvaziada, voltaram a crescer as preocupações sobre o ritmo de disseminação do coronavírus e os potenciais efeitos na recuperação da atividade econômica mundial, sobretudo após projeções mais pessimistas de autoridades europeias para o Produto Interno Bruto (PIB) da região neste ano. A declaração de Jair Bolsonaro de que seu teste para o coronavírus teve resultado positivo ajudou a estressar os negócios, em dia marcado por liquidez fraca no mercado de câmbio. No mercado à vista, o dólar fechou em alta de 0,59%, cotado em R$ 5,3834.

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Nos negócios da manhã, o dólar chegou a cair, em um movimento de realização de ganhos em meio a previsão de ingresso de capitais externos no Brasil no curto prazo, por causa de novas captações de empresas brasileiras no exterior e perspectiva por ofertas de ações. Na mínima, a moeda americana foi negociada na casa dos R$ 5,28. Contudo, a notícia do teste de Bolsonaro, que teve repercussão internacional, em jornais como o britânico Financial Times e os americanos The New York Times e The Wall Street Journal, fez o dólar passar a subir.

Os estrategistas do Citi em Nova York observam que Bolsonaro tem procurado minimizar os efeitos da pandemia no Brasil, ao mesmo tempo em que confronta especialistas, governadores e dois ex-ministros da Saúde. Além disso, foi fotografado sem máscara no fim de semana com o embaixador americano no Brasil e cinco ministros, que agora estão sendo também testados.

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Para o diretor da Mirae Asset, Pablo Spyer, Bolsonaro parece estar com boa saúde, mas o mercado vai monitorar de perto seu progresso. Entre os ministros, fontes disseram ao Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, que Paulo Guedes deve fazer o teste. O titular da Economia esteve com Bolsonaro ao menos sete vezes nos últimos 14 dias.

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Além do teste de Bolsonaro, os estrategistas de moedas do banco de investimento Brown Brothers Harriman (BBH) ressaltam que o dia teve uma mais notícias negativas sobre o coronavírus, que ajudaram a pressionar os ativos de risco. Nos EUA, mais estados estão reavaliando planos de reabertura e demandando o uso obrigatório de máscaras. O jornal USA Today fala em ao menos 21 deles alterando planos de reabertura. Na Austrália, os casos dispararam em Melbourne, que está adotando novo lockdown. O reflexo dessas notícias foi o fortalecimento do dólar nesta terça-feira, ressalta o BBH. O dólar subiu 1,70% ante o peso mexicano e 1% na África do Sul. Na Austrália, a moeda americana avançou 0,27%.

Altamiro Silva Junior
Estadao Conteudo
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