Coronavírus

Médico alerta para falta de profissionais habilitados para lidar com respiradores no Sul do ES 

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O médico intensivista Marlus Muri Thompson, que atua em hospitais do Sul do Espírito Santo, fez um alerta sobre a falta de médicos capacitados para tratar pacientes graves em ventilação mecânica.

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Segundo ele, ter somente os equipamentos de ventilação mecânica e quartos adequados para estes pacientes não é o suficiente. Thompson ressalta que é preciso profissionais, médicos e fisioterapeutas especializados em tratamento de pacientes com lesões pulmonares graves. Ainda de acordo com o médico, a falta desta especialização no combate ao coronavírus pode estar resultando no elevado número de mortes pela doença no País e, consequentemente, no Estado.

“São pacientes com lesões graves no pulmão que alteram toda a dinâmica do sistema respiratório. Colocar um tubo e acoplá-lo em um aparelho de ventilação mecânica qualquer, sob a premissa de “salvar vidas”, é uma falácia. Sem aparelhos de ventilação muito bons, que atendam as especificações mínimas publicadas pela Associação Brasileira de Medicina Intensiva, operados por médicos e fisioterapeutas com domínio amplo de fisiologia respiratória e ventilação mecânica avançada, o fim é trágico, como podemos avaliar”.

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Outra dificuldade que se enfrenta no tratamento destes pacientes infectados pelo vírus é que não há número suficiente destes profissionais. “Não há médicos e fisioterapeutas habilitados para trabalhar em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) em número suficiente para que grandes ampliações de leitos possam ser necessárias. São poucos os médicos intensivistas titulados e bem treinados para liderar dentro do campo de batalha e não à distância numa cadeira confortável. E essa falta não se restringe somente aos médicos líderes das equipes. Isso acontece em todos os setores. Faltam médicos bem treinados ao trabalho em CTI, faltam enfermeiros, fisioterapeutas e técnicos de enfermagem”.

Marlus afirma que muitos pediram demissão por medo ou se recusam a enfrentar a doença, já outros precisam de treinamento em curto tempo. “Esforços têm sido feitos para treinamentos rápidos e aumento da qualificação de pessoas, mas a verdade é que formar pessoas bem treinadas para combater uma doença grave, demanda muito tempo. E tempo é tudo que não temos agora”, conta.

Somente no Hospital Evangélico de Itapemirim, onde o médico atua, nove pacientes estão intubados em estado grave. Além disso, são pacientes que precisam de atenção reforçada, já que ficam em sedação profunda.

“São pacientes difíceis de lidar, ficam por muitos dias intubados. Eles pioram demais quando reduzimos a sedação superficialmente. Eu achava que morria gente por falta de profissionais capacitados, hoje tenho certeza”.

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Marlus, que é médico intensivista há 20 anos, nunca foi tão desafiado na profissão quanto nesta pandemia. “Nunca fui tão desafiado em 20 anos de terapia intensiva. Você não consegue sentar, tem que ficar de um lado para o outro, à beira leito o tempo todo, não dá para piscar o olho”.

O médico afirma ainda que é preciso tratar as causas que levaram o paciente para a intubação, e não só combater o vírus. E fez o último alerta: “Poucos podem comandar uma UTI com conhecimentos avançados em ventilação mecânica. Falta profissional treinado. Não adianta só a compra de equipamentos sem gente especializada para trabalhar. A demanda é muito grande. Se puder, fique em casa e ore por todos nós”, finalizou.

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