Eleições 2020

Guilherme Nascimento é o pré-candidato a prefeito de Cachoeiro pelo PSOL

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O jovem artista e educador Guilherme Nascimento deve ser o nome escolhido nas convenções partidárias do PSOL para disputar a Prefeitura de Cachoeiro de Itapemirim nas eleições deste ano.

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Guilherme é o primeiro pré-candidato a prefeito na história da cidade assumido homossexual e quer ter como vice, em sua chapa, uma mulher. O jovem, se eleito, pretende trabalhar com um Plano de Governo Colaborativo, com a participação popular.

Confira as propostas do pré-candidato!

AQUINOTICIAS.COM – Quem é o pré-candidato Guilherme Nascimento?

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Guilherme Nascimento – Guilherme Nascimento é um jovem de 26 anos, nascido no bairro Aquidaban, criado no Alto União e no Amarelo. Descobriu-se artista, tornou-se educador e formando em Gestão Pública. Da classe populista, foi criado em berço familiar humilde, católico desde criança na Comunidade Santa Rita, é ativista das causas sociais e defensor dos direitos humanos. Vindo do movimento educacional, onde como presidente estudantil do Anacleto Ramos foi referência nacional em Grêmio Escolar.

Colocar-me como primeiro pré-candidato assumidamente homossexual da história do município me orgulha, e tendo a honra de ter como vice uma mulher me deixa ainda mais feliz.

Desde menor aprendiz, trabalhou na Itapuã, na Flecha Branca, no Perim Supermercados, por isso tem sangue de trabalhador nas veias e sabe que é preciso oportunidades para a classe. Na gestão pública atuou nas prefeituras do Sul do Estado nos setores educacionais, culturais e sociais há mais de uma década. Prometendo ser uma alternativa política necessária em Cachoeiro de Itapemirim nessas eleições municipais de 2020 pelo Partido Socialismo e Liberdade 50.

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Que razões levaram você a colocar seu nome à disposição para disputar a Prefeitura?

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Três segmentos fazem parte da minha vida, e me levam a essa pré-candidatura. Primeiramente a educação; lembro-me de quando minha falecida avó Judith Pianes espantou as galinhas do quintal e começou a pedir doações de livros, montando uma biblioteca improvisada onde eu passava horas brincando de dar aulas. Hoje me formo em pedagogia, aprendendo com Paulo Freire que é preciso uma educação libertadora. A arte da dança foi válvula de escape para eu superar um mundo machista e preconceituoso.

Recordo-me que quando criança insistia para ir aos comícios na Ilha da Luz, pra mim política não é ambição, é um sonho, é minha vocação.

Como estão as articulações para viabilizar sua candidatura a prefeito?

Antes da crise pandêmica da Covid-19 realizamos uma Campanha Nacional de Filiação do Partido, e renovamos a base PSOLista Cachoeirense, a partir da Convenção Municipal aprofundamos nosso posicionamento nessas eleições, como resistência ao autoritarismo e ao fascismo que enche de ódio a política brasileira. Realizadas as plenárias, estamos estruturando no município a Equipe de Campanha Eleitoral (ECE), para dirigir uma campanha totalmente inovadora, utilizando os recursos digitais para potencializar as interações nesse momento de distanciamento social necessário.

Se o seu nome for homologado pela convenção do seu partido, quais as principais propostas que levará ao eleitor?

A principal proposta dessa pré-candidatura é oportunizar um reencontro de Cachoeiro consigo mesmo, uma forma de protestar, celebrando o Estado Democrático de Direito, mostrando que o mais do mesmo nunca funcionou. Iniciando a campanha, iremos disponibilizar a base do nosso Plano de Governo Colaborativo para consulta e contribuições livres da sociedade através de plataformas. A ideia é oferecer ao eleitor uma opção de Gestão Participativa, desde o início dessa jornada, esses conceitos serão melhores explanados durante a campanha, que será um processo de construção, uma aproximação de afinidade e confiança entre os movimentos da sociedade e essa proposta cujo tempo chegou.

Como pré-candidato para Cachoeiro, idealizo uma gestão que promova o conceito de Cidade Educativa, onde a infraestrutura permita que a qualidade dos serviços cheguem também aos distritos e as periferias. Onde o Turismo fomente a admiração e preservação por nossas belezas naturais. Sendo da área da Educação, sei que o magistério precisa de valorização, através da concretização de um plano de carreira, tornando também a escola expansão da comunidade, derrubando muros e construindo pontes, com eleições democráticas para direção, por exemplo. Na saúde, não há outro caminho a não ser o fortalecimento do atendimento familiar nas comunidades, com carácter preventivo e conscientizador, cuidando de pessoas, e isso acontece principalmente com o fortalecimento do SUS. Na Cultura, temos o privilégio de vivenciar a Lei Rubem Braga, exemplo nacional de reconhecimento aos artistas, e precisa ser expandida, tem muito jovem com talento que deve ser incentivado, assim como no Esporte, somos a Atenas Capixaba e precisamos reviver os tempos de glória. Na Segurança, o aperfeiçoamento contínuo é fundamental para fortalecer uma Guarda Municipal com carácter vigilante e pacificador na resolução de conflitos com diálogo e prevenção da desordem. Na economia, o incentivo de crédito e as parcerias são fundamentais com os setores estratégicos, lembrando-se da importância da agricultura familiar.

Essa proposta de gestão prioriza o cachoeirense, por isso conseguiremos minimizar o aparato público burocrático e ineficiente, com organização e ganho de produtividade. Temos muitas novidades a serem apresentadas e construídas com o cachoeirense durante nossa campanha. É fato de que queremos voltar a nos sentir parte dessa cidade, andar com prazer pelos espaços públicos, com segurança e satisfação, ser feliz e ter orgulho do lugar que vivemos.

De onde sairão os recursos para colocar em prática suas propostas?

Muitos recursos já são garantidos por conquistas sociais importantes, por programas, projetos de lei e parcerias entre Estado e União, que destinam esses investimentos essenciais para o progresso local. Infelizmente existi uma cultura destrutiva de não reconhecer as iniciativas que deram certo nos governos anteriores. Com objetivos de ações traçados sem essa visão retrógrada, iremos garantir que a partir do nosso Plano de Governo Colaborativo o cidadão tenha a certeza da destinação desses recursos, acompanhando através de todos os meios possíveis de transparência.

Qual o perfil ideal do vice para compor sua chapa?

Nossa vice-prefeita provavelmente será uma mulher. A jovem educadora PSOLista Miriam Teixeira é um forte nome, autora de artigos científicos sobre Educação. Mas ainda estamos estruturando e definindo nossa formulação. Porque acreditamos que política é sim espaço para mulheres, negros, para a diversidade religiosa e de gêneros. Por isso, colocar-me como primeiro pré-candidato assumidamente homossexual da história do município me orgulha, e tendo a honra de ter como vice uma mulher me deixa ainda mais feliz. Nossa teoria é nossa prática, não é apenas discurso, é uma vida, logo o jeito que se concorre a eleição será o jeito que se governa, um espaço de todos.

O que o leva a acreditar que poderá vencer as eleições deste ano?

Caso nosso Plano de Governo Colaborativo seja escolhido para ser efetivado, eu acredito que a população cachoeirense irá vencer de fato. A credibilidade, a transparência e a eficiência que tanto precisamos na política serão alcançadas quando reconhecermos os melhores da nossa terra, porque tem muita gente boa que pode contribuir para um projeto comum de futuro, que atenda principalmente os mais vulneráveis, fazendo da gestão pública de fato inclusiva, e esse é o grande diferencial do PSOL nessas eleições.

 Como você vê a sua cidade, atualmente?

Somos historicamente referência em diversos aspectos na região, um município cheio de potencialidades, infelizmente desperdiçadas. Faço parte de uma geração que cresceu acreditando ver Cachoeiro evoluir, mas isso não aconteceu como deveria, mesmo possuindo riquezas naturais que precisam de um olhar sustentável, um comércio diversificado com possibilidades de crescimento, que precisará de políticas de atenção especial para a retomada e adequação pós-pandemia. A expansão e reconhecimento que nos torna polo do mármore e granito reafirma a necessidade de parcerias com visão estratégica. E, principalmente, reconheço e me orgulho do nosso legado de riquezas humanas, com Rubem e Newton Braga, Roberto Carlos, Sérgio e Raul Sampaio, Lauro Depes, Álvaro Ramos, Levino Fanzeres, Zilma Coelho, Luz Del Fuego, e tantos outros filhos da terra que fizeram história, personalidades que nos ajudam a compreender a dimensão de nossos horizontes. Sendo assim, vejo Cachoeiro com esperança, uma Capital Secreta do Mundo a ser redescoberta.

Qual será o maior desafio para o próximo gestor, no seu ponto de vista?

O maior desafio da próxima gestão pública será pacificar as relações entre os diferentes, humanizando a política. Por isso, nossa proposta é uma Gestão Participativa, colocando o cachoeirense no centro da política municipal, escolhendo seus gestores públicos. Fortalecendo as associações de moradores, por exemplo. Eu penso que o radicalismo e o ódio não podem fazer com que a política continue atrasada. Somente com essa estabilidade baseada no respeito podemos traçar estratégias e planos concretos para o desenvolvimento de Cachoeiro.

Se eleito, como vai lidar com o Poder Legislativo?

Primeiro é preciso valorizar a Câmara Municipal como uma Casa representativa do povo, a sociedade elege uma diversidade de partidos políticos com diferentes posições e isso precisa ser respeitado, pois nossos vereadores têm a missão de criar leis para a qualidade de vida da sociedade e fiscalizar as ações da gestão pública, necessárias à população. Então eleito, com essa consciência, irei lidar com o Poder Legislativo não só o respeitando, como deve ser na democracia, mas incentivando e apoiando estrategicamente a favor do povo. Os Poderes são independentes, mas o intuito é o mesmo: viver num lugar melhor. Inclusive, o cachoeirense poderá votar numa dupla de pré-candidatos a vereadores PSOListas; Cristina Félix, feminista do movimento afro cachoeirense, já candidata ao pleito nas últimas eleições, e Anderson Valiatti, designer gráfico e digital e presidente da Associação Agrícola Familiar Monte Líbano.

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