Política Regional

Eleições municipais serão marcadas por abstenções, campanhas nas redes sociais e reflexos do Planalto

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As eleições municipais deste ano prometem ser atípicas. O Congresso está analisando a possibilidade de adiamento do pleito de 4 de outubro para 15 de novembro. O segundo turno seria em 6 de dezembro. A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 18/2020 está em discussão no Senado e vai passar pela Câmara. A decisão deve sair nas próximas semanas. A mudança na data é consequência da pandemia causada pelo novo coronavírus.

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Além da pandemia em si, que deve ditar não apenas as datas, mas as regras para que o eleitor entre na cabine de votação, outro fator que deve mudar a forma de fazer política diz respeito à propaganda. A prática das chamadas fake news, ou notícias falsas, foi criminalizada no ano passado. Segundo a nova legislação, quem publicar ou espalhar calúnias sobre um candidato durante a campanha eleitoral poderá ter uma pena de dois a oito anos de prisão. E isso inclui também eleitores.

Não para por aí. Deve entrar em pauta, no Senado, o Projeto de Lei (PL) 2.630/2020 que visa a combater a disseminação de conteúdos falsos. As regras sobre a moderação de conteúdo são as mais polêmicas do projeto. Atualmente, ele determina que as empresas responsáveis por redes sociais e serviços de mensagem interrompam a circulação de conteúdos classificados como total ou parcialmente enganosos. A medida foi criticada por senadores como censura. Outro ponto no projeto prevê restringir a atividade permitida a contas e perfis criados em anonimato.

Pandemia. Fake news. Além desses dois elementos atípicos, entra em cena a polarização política travada no Brasil nos últimos anos e que também terá um peso, ora positivo, ora negativo, nas eleições municipais. A equação tem tantas variáveis que é difícil prever algum resultado, alguma possibilidade. A resposta virá das urnas e de como cada candidato vai trabalhar a campanha.

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O principal elemento, sem dúvida, é a pandemia, avalia o doutor em Sociologia, professor e consultor, João Gualberto Vasconcellos. Muitos deixarão de votar, mesmo que as eleições sejam em dezembro, como defende o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia.

“Muitos deixarão de votar e pagarão a multa, que é irrisória. Temos uma tendência de termos a eleição da abstenção. Além disso, as campanhas serão pouco presenciais. E, nas eleições municipais capixabas, temos uma tradição presencial muito forte, que será quebrada. As campanhas se concentrarão nas redes sociais, o que dará um poder enorme ao WhatsApp, por exemplo”, avalia, dizendo que há grupos fortíssimos nos municípios, com centenas de participantes, e que podem fazer a diferença na hora de decidir um voto.

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Mesmo com a lei apertando o cerco contra as notícias falsas, certamente elas ainda estarão presentes no pleito, diz Gualberto. “O Supremo trabalha fortemente contra isso. Mas conter as mentiras durante uma eleição municipal é, hoje, impossível. Isso só será resolvido em décadas, com auxílio de leis e da tecnologia, não hoje. Então, será a campanha das redes sociais, onde nem todas as notícias falsas poderão ser contidas e os políticos com mais intimidade nas redes terão vantagem”.

E as incertezas vão continuar até o último minuto, avalia Gualberto, tanto por causa da pandemia quanto por conta da crise política. “Difícil dizer o que se passará nas coalisões de centro-direita. Se as investigações relacionadas à família Bolsonaro se aprofundarem e eles forem muito punidos, pode ser uma eleição favorável ao centrismo. Mas pode ser que não. As investigações podem não avançar e a família Bolsonaro pode ter um bom olhar da opinião pública. O que é certo é que não teremos o clima da eleição passada, que foi capitaneada pelo Bolsonaro”.

Essa resposta, só o tempo terá. E, nesse caldo de incertezas, surge mais um fator que precisa ser adicionado à equação: o humor da opinião pública. “As eleições costumam ser pendulares. Por exemplo, o PT arrumou toda aquela trapalhada, veio a direita e emplacou muitos candidatos com discurso de ruptura. Dependendo de para onde pender a opinião pública nos próximos meses, o pleito pode caminhar para a busca de pessoas mais experientes, já que a eleição de 2018 teve muitos eleitos inexperientes. E, com essa pandemia, os políticos mais conhecidos podem ser mais favorecidos. Por outro lado, esses favorecidos podem lidar mal com o ambiente de campanha virtual, que será crucial nessas eleições. Então, todos esses fatores vão equilibrando e teremos de analisar caso a caso. Há muitas incógnitas”, finaliza.

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