Coronavírus

Vacinas, medicamentos, imunidade de rebanho: o mundo trabalha para combater o coronavírus

COMPARTILHE
263
Advertisement
Advertisement

Laboratórios, universidades e centros médicos do mundo inteiro trabalham em mais de 100 vacinas contra o novo coronavírus. Há, ainda, cerca de 30 medicamentos sendo estudados para combater o patógeno em pessoas já contaminadas, segundo um estudo que envolveu cientistas norte-americanos e de Hong Kong. Desse total, 17 se mostraram seguros, em termos de dosagem e concentração, para o combate à Covid-19. Entre os 30 medicamentos, há ainda drogas que já estão sendo usadas em pacientes: o remdesivir e os derivados da cloroquina.

Caparaó e Sul do ES somam 7.955 casos do novo coronavírus; curados chegam a 5.229

Mais 190 casos do novo coronavírus foram confirmados nas regiões Sul e Caparaó do...

ES investe R$ 3 milhões em projetos efetivos e inovadores para enfrentar a Covid-19

Trinta e quatro projetos com ações efetivas e inovadoras para enfrentar a Covid-19, doença...

Brasil registra mais 1.223 mortes por Covid-19, total vai a 67.964

O Brasil registrou mais 1.223 novas mortes por Covid-19, segundo boletim atualizado divulgado pelo...

Para além da cura dos que foram infectados, há um trabalho incessante de prevenção e busca de uma vacina. No Brasil, pesquisadores do Instituto Butantan, na capital paulista, estão utilizando técnicas inovadoras de biotecnologia para desenvolver uma vacina alternativa contra a Covid-19. O instituto espera que a nova abordagem sirva como uma espécie de plano B, caso as vacinas feitas pelo modelo tradicional, já em teste em alguns países, não tenham resultado satisfatório.

“No mundo todo, e aqui no Brasil também, estão sendo testadas diferentes técnicas. Muitas delas têm como base o que já estava sendo desenvolvido para outros vírus, como o que causou o surto de Sars [síndrome respiratória aguda grave] em 2001. Esperamos que funcionem, mas o fato é que ninguém sabe se vão realmente proteger. Neste momento de pandemia, não é demais tentar estratégias diferentes. A nossa abordagem vai demorar mais para sair, mas, se aquelas que estão sendo testadas não funcionarem, já temos os planos B, C ou D”, destacou a pesquisadora Luciana Cezar Cerqueira Leite, do Laboratório de Desenvolvimento de Vacinas do Instituto Butantan.

Advertisement
Continua depois da publicidade

As perspectivas são de médio prazo. A União Europeia, por meio de sua agência regulamentadora de medicamentos, informou que uma vacina poderá ser aprovada em cerca de um ano. Mas a corrida não para. A Moderna, uma farmacêutica norte-americana, anunciou na última terça-feira que os estudos na área estão avançados e entrarão, em junho, na terceira fase de testes de uma vacina, quando o medicamento é aplicado em centenas ou milhares de pessoas. Esse é um dos passos de observação da eficácia da imunização e dos efeitos colaterais. Depois desse estudo, o medicamento poderá ou não ser aprovado para uso em toda a população.

Imunidade de rebanho

Outra possibilidade de estagnação e fim da pandemia do novo coronavírus é a chamada imunidade de rebanho. Funciona como uma vacina natural. Depois que um percentual de pessoas se infectam com o vírus, criam imunidade e formam uma barreira para que a doença não atinja aos que fazem parte dos grupos de risco, como pessoas idosas ou com comorbidades.

No Espírito Santo, a situação ainda não é confortável. Pelos dados do Painel Covid-19, do Governo do Estado, há pouco mais de 5,4 mil casos confirmados da doença, um número baixo diante de uma população de mais de 4 milhões. Além disso, o Estado tem mais de 17% da população adulta com, ao menos, uma doença crônica não transmissível e os idosos somam mais de 16% da população, segundo os dados do Monitora Covid-19, da Fiocruz.

Advertisement

Mas os assintomáticos, grupo que normalmente não é diagnosticado, podem gerar um dado positivo para o Estado. Um estudo publicado na última sexta-feira pelo Imperial College de Londres estima que, no Espírito Santo, 90 mil pessoas já se contaminaram com o novo coronavírus. A análise foi feita em cima de dados de 16 Estados brasileiros, de onde os cientistas estimaram a proporção da população infectada. No Espírito Santo, por exemplo, a taxa de contaminação, segundo os modelos, é de 2,24%. Esse percentual, retirado da população estimada no Estado, de 4,04 milhões de pessoas, daria os mais de 90 mil casos.

Apesar de assustador, há um lado bom em ter um número maior de pessoas que já tiveram a doença sem ter consequências graves. Elas formam a barreira vacinal natural. No entanto, no Estado, esse número ainda é considerado baixo pelos cientistas para dar alguma cobertura de imunização: para garantir a chamada “imunidade de rebanho”, entre 60% e 80% da população precisaria ter adquirido algum tipo de imunidade contra a doença, um percentual bem além dos 2,24% supostamente infectados no Estado.

Onde estão os assintomáticos?

Esse grande número de casos assintomáticos pode ser explicado pela circulação do vírus em território brasileiro antes do documentado. Segundo um estudo liderado pelo Instituto Oswaldo Cruz com participação da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), e publicado na revista “Memórias do Instituto Oswaldo Cruz”, o novo coronavírus começou a se espalhar no Brasil por volta da primeira semana de fevereiro. Ou seja, mais de 20 dias antes do primeiro caso ser diagnosticado em um viajante que retornou da Itália para São Paulo, em 26 de fevereiro, e quase 40 dias antes das primeiras confirmações oficiais de transmissão comunitária, em 13 de março.

Os autores destacaram que, em todos os países analisados, a circulação da Covid-19 começou antes que fossem implementadas medidas de controle, como restrição de viagens aéreas e distanciamento social. “Esse período bastante longo de transmissão comunitária oculta chama a atenção para o grande desafio de rastrear a disseminação do novo coronavírus e indica que as medidas de controle devem ser adotadas, pelo menos, assim que os primeiros casos importados forem detectados em uma nova região geográfica”, afirma o pesquisador do Laboratório de Aids e Imunologia Molecular do IOC/Fiocruz, Gonzalo Bello, coordenador da pesquisa.

Para corroborar, ou não, com o que é mostrado pelas estatísticas, o Governo do Estado está com o chamado Inquérito Sorológico nas ruas de várias cidades. Pesquisadores visitarão residências em vários municípios capixabas até o início de julho, em áreas conhecidas como setores censitários, conforme metodologia do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

De acordo com o subsecretário de Estado de Vigilância em Saúde, Luiz Carlos Reblin, o inquérito vai permitir que o governo possa obter uma fotografia da situação epidemiológica no Espírito Santo. “Nos dará a oportunidade de identificar quem já possui anticorpos para a doença. O participante responderá uma pesquisa e serão coletadas duas gotas de sangue para um teste rápido que fornecerá o resultado de 10 a 15 minutos. O teste vai verificar se essa pessoa já entrou ou ainda não entrou em contato com o coronavírus”, explicou.

Os resultados coletados servirão para abastecer uma base de dados que serão estudados, de modo a contribuir no planejamento das ações de combate à Covid-19. “Teremos um panorama epidemiológico de como a doença se espalhou e quantas pessoas já foram infectadas, e ajudará planejar ações de combate à epidemia com mais ou menos restrições à aglomeração e à movimentação de pessoas”, disse.

Advertisement

Ajude o bom jornalismo a nunca parar! Participe da campanha de assinaturas solidárias do AQUINOTICIAS.COM. Saiba mais.