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Subnotificação de covid-19 em MG pode ser 10 vezes maior do que números oficiais

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A subnotificação de diagnósticos de covid-19 em Minas Gerais pode ser hoje de dez por um, ou seja, para cada caso oficial, existiriam, na verdade, dez, conforme cálculo da própria Secretaria de Estado de Saúde. Segundo boletim epidemiológico divulgado nesta sexta-feira, 29, pela pasta, o Estado já acumula 9.232 casos de infecção pelo novo coronavírus. Pelos números do governo estadual, portanto, o total de casos poderia ser de 92.320. As mortes, até o momento, somam 257.

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A relação (de dez por um) foi citada pelo subsecretário de Vigilância em Saúde do Estado, Dario Ramalho, na terça-feira, 26, e confirmada nesta sexta-feira, 29, pelo secretário da Saúde, Carlos Eduardo Amaral, apesar do titular da pasta negar existência de subnotificações de covid-19 no Estado. O que indicaria isso, conforme Amaral, seria os índices de ocupação de leitos de unidades de terapia intensiva em Minas Gerais. Os números citados pelo secretário são de 69% de ocupação geral de leitos de UTIs, e de 8,5% para leitos específicos para covid-19.

“A subnotificação, no mundo todo, pode ocorrer em pacientes assintomáticos que não procuram atendimento hospitalar. Foi justamente focando neste grupo que o subsecretário de Vigilância em Saúde, Dario Ramalho, se espelhou quando disse que apenas um em cada 10 casos suspeitos podem ser de coronavírus”, explicou Amaral. “Em qualquer doença sempre existirão inúmeras pessoas para as quais não teremos a capacidade de ter o diagnóstico de todas elas”.

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Com relação especificamente à covid-19, a situação é ainda pior. “No caso da covid-19, como é uma doença de transmissão assintomática, é muito natural supor uma taxa maior. Muitos indivíduos têm quadros leves, assintomáticos e passam despercebidos, ou seja, não passam por unidades de saúde, não realizam exames e não são detectados”, disse o secretário.

Alta

O número de casos diários de covid-19 vem aumentado de forma exponencialmente no Estado, conforme os boletins da Secretaria. Na sexta-feira, 22, foram 399 novos casos. No sábado, 23, foram anunciados mais 343. No domingo, 24, 330. Segunda, 25, 294. Na terça, 26, 554. Na quarta 27, 495. No dia 28, quinta, 675 e, hoje, 29, 546 novos casos. O total passou de 5.995 infecções na sexta, 22, para 9.232 nesta sexta-feira, 29, uma alta de 50%. As mortes passaram de 39, na semana passada, para 48.

A possibilidade de subnotificação em Minas foi levantada em estudo feito pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e divulgado no último dia 25. Os pesquisadores da instituição, para justificar as chances de haver registros a menor de casos da doença no Estado, citaram números de óbitos por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) de 2017 a 2020, categoria na qual está incluída a covid-19. Na comparação média dos três anos, com base no período compreendido entre janeiro e abril, houve, conforme os cálculos da universidade, alta de 648,61% nas mortes por SRAG no estado mineiro.

O infectologista do comitê da prefeitura de Belo Horizonte para o combate à covid-19, Unaí Tupinambás, afirma que existe a possibilidade de haver alta na circulação do vírus na cidade, principalmente por causa do fluxo de pessoas provenientes de municípios próximos às divisas do Estado com Rio de Janeiro e São Paulo – ambos registram números mais elevados de casos e mortes pela doença. “O isolamento no interior é aquém do necessário”, afirmou o especialista.

Duas entre as mais importantes cidades de Minas com contato intenso com os estados do Rio e São Paulo, Juiz de Fora, na Zona da Mata, e Uberlândia, no Triângulo Mineiro, registram alta nos casos de covid-19. A situação é mais grave em Uberlândia, que passou de 487 casos na sexta, 22, para 734 casos nesta sexta-feira, 23. Uma alta de cerca de 50%. Em Juiz de Fora, os registros foram de 488 casos na sexta, 22, para 571 casos nesta sexta, 23, representando elevação de 17%. As mortes na cidade próxima ao Rio somam 28. Em Uberlândia, 16.

O secretário de Saúde de Minas Gerais afirmou que mantém contato com os governos dos dois estados vizinhos para monitoramento da situação. Sobre o trânsito de pessoas entre as duas cidades e a capital, Amaral citou o fluxo especificamente de pacientes do interior para Belo Horizonte. “É importante observar que, por definição, o sistema de saúde é único, então é natural que haja intercâmbio de pacientes, e que Belo Horizonte receba demanda de outras cidades”.

Leonardo Augusto, especial para O Estado de S. Paulo
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