Economia

Cristhine Samorini é a primeira mulher eleita presidente da Findes

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A empresária Cristhine Samorini foi eleita, nesta quinta-feira (30), presidente da Federação das indústrias do Espírito Santo (Findes). A informação, que ainda não foi confirmada pela Findes, foi repassada por fontes de mercado.

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Formada em Administração, fez MBA em Gestão de Negócios pela Fundação Dom Cabral e em Marketing pela Fundação Getúlio Vargas. Buscou capacitação técnica para seu setor no Senai em São Paulo e fez também o curso de Educação Executiva oferecido pela Columbia University. Se dedica, há mais de duas décadas, ao associativismo, atuando na Federação, no Cindes, do qual é vice-presidente licenciada, e no Sindicato da Indústria Gráfica, que hoje preside. Já recebeu medalha Egídio Coser, concedida pela Câmara de Vereadores de Vitória, e a comenda Loren Reno, da Assembleia Legislativa.

Em dezembro do ano passado, a então candidata ao cargo deu uma entrevista ao AQUINOTÍCIAS.COM. Na conversa, a empresária fala de suas propostas de gestão, sua visão para o futuro da federação e também como levar o desenvolvimento para todos os municípios capixabas.

Confira:

 

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PROPOSTAS DE GESTÃO

Nosso plano de trabalho vem sendo construído com uma metodologia inovadora, utilizando oficinas de trabalho e o chamado “design thinking” para identificar problemas e ações possíveis. Foram mais de 30 participantes, representando 23 sindicatos, empenhados em contribuir, de forma voluntária, com o desenvolvimento da indústria capixaba.  Os desafios são muitos e buscamos identificar os mais urgentes para a realidade capixaba. A indústria precisa ser competitiva para crescer, gerando emprego e renda. Para isso, é necessário investir em produtividade e inovação para alcançar novos mercados, no Brasil e no mundo. Este diagnóstico inicial, fruto de mais de mil propostas, revelou as diretrizes básicas para a gestão 2020-2023.

Fortalecimento sindical: é preciso fortalecer os sindicatos, apoiando o reposicionamento estratégico e a oferta de serviços, que geram receita e possibilitam a convergência entre os setores. A base de informações setoriais também deve ser mais bem qualificada, porque nossa meta é atender a todas as 18 mil indústrias capixabas.

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Articulação institucional: uma agenda clara de interação com o poder em suas diferentes esferas: Executivo municipal, estadual e federal; Legislativo; universidades e instituições em geral. Um diálogo propositivo, baseado nas ações que geram impacto na indústria. Um dos melhores exemplos na atual gestão foi o lançamento da Câmara de Conciliação, Mediação e Arbitragem Cindes-Findes, que melhorou nossa interlocução com o Judiciário. Junto ao Estado e aos municípios, tivemos a vitória do Simplifica e dos licenciamentos ambientais municipais, que já começaram a ser automáticos para atividades de baixo impacto.

Gente e gestão: o desafio tem foco na Findes, enquanto organização, e na indústria em geral. Devemos capacitar pessoas, disseminar boas práticas e métodos modernos de gestão para que a Federação e as indústrias sejam competitivas. Atender demandas específicas dos setores por mão de obra qualificada e cuidar do trabalhador, fortalecendo a rede de atendimento em saúde e segurança.

Comunicação: A Findes é elo essencial entre empresas, sindicatos, organizações e a sociedade. É necessário, portanto, estar permanentemente estudando a realidade dos setores e suas necessidades, gerando e organizando informações e serviços para a indústria.

Transformação Digital. Preparar as indústrias capixabas para essa nova era é um dever da Findes, mas sabemos que as micro e pequenas empresas representam o maior volume da indústria. Por isso, temos a necessidade de tornar o assunto acessível para este segmento, desenvolvendo ações simples e didáticas, que apoiem a transformação digital das indústrias — e da própria Findes.

Por fim, acho importante ressaltar que o plano que estamos elaborando é dinâmico, fruto da colaboração das lideranças sindicais e empresariais. Ainda realizaremos novos encontros para validar tudo que foi construído até aqui, mantendo conexão permanente com aqueles que lutam para manter nossa indústria de pé todos os dias.

Esse é o nosso propósito: gerar valor para a indústria, transformando a vida das pessoas. Aproximar, conhecer, dialogar e desenvolver. Conectar para transformar.

ENTREVISTA

Na sua opinião, quais os principais desafios para a federação nos próximos anos? Quais as soluções para esses desafios?

O Sistema Findes é complexo e enfrenta uma soma de diferentes desafios. Alguns são desafios comuns a todo o setor industrial, como as rápidas transformações da indústria 4.0 e a necessidade contínua de modernização. Outros, são específicos do modelo de representação sindical no Brasil, que vem perdendo receita e associados desde a aprovação da reforma trabalhista, uma grande vitória recente do país.  Nosso primeiro diagnóstico apontou para a necessidade de intensificar a capacidade de diálogo da Federação. Desde então, temos realizado oficinas de trabalho e reuniões com dezenas de sindicatos filiados à Findes, no esforço de construir coletivamente um plano conectado às demandas reais do setor. Os encontros com as lideranças da indústria têm mostrado algumas urgências para as instituições do Sistema Findes, como Sesi, Senai, Cindes e IEL. Alguns deles são: aperfeiçoar a formação de mão de obra; melhorar o ambiente de negócios; capacitar gestores para os novos modelos de produção; facilitar o acesso ao crédito; e auxiliar na identificação de investimentos em modernização tecnológica e inovação. Em resumo, precisamos ampliar a capacidade de atendimento da Federação, dando real sentido ao que fazemos: tornar micro, pequenas e médias empresas mais fortes e competitivas, fazendo da Findes uma ferramenta para todas as 18 mil indústrias capixabas.

 A indústria passa por transformações tecnológicas. Quais qualificações aos trabalhadores são necessárias para acompanhar esse fluxo e como a Findes pode ajudar nesse processo?

O Sistema Findes precisa identificar as oportunidades do futuro. Enquanto ofertamos cursos em áreas tradicionais que continuam tendo espaço no mercado, vamos incluindo competências relacionadas aos temas da indústria 4.0, da inovação e do empreendedorismo, auxiliando na transição do modelo tradicional para o digital.

 E quanto às empresas, como a federação pode ajudar nessa transição para o digital?

Sendo cada vez mais digital. O Sistema Findes precisa acelerar o processo interno de transformação digital, ganhando escala e garantindo acesso a todas as 18 mil indústrias do Espírito Santo e seus 200 mil trabalhadores. Nosso intenção é que a FINDES: faça a diferença na vida de todas as empresas do Espírito Santo. E nossa indústria é formada, majoritariamente, por micro e pequenas empresas. O Sistema Findes precisa ser acessível em todos os aspectos, do financeiro ao educacional. Isso só será possível se unirmos a experiência e os ativos do Sistema Findes aos recursos digitais. É necessário construir uma plataforma de soluções, um espaço em que toda a sociedade possa encontrar qualificação sobre indústria 4.0, produtividade, empreendedorismo e inovação.

Qual sua opinião sobre o papel do Espírito Santo na indústria nacional? Há muito o que ser feito?

A indústria capixaba está baseada na força de setores tradicionais, como mineração, celulose e petróleo. Os grandes projetos alimentam a cadeia produtiva, gerando oportunidades para pequenas empresas em diferentes etapas. Esse é um modelo estruturado ainda nos anos 60 e que, naturalmente, passa por mudanças. Novos negócios com maior valor agregado estão diversificando a economia capixaba e têm potencial para gerar novas oportunidades. São empresas que produzem com uso intensivo de tecnologia e estimulam o aperfeiçoamento de nossos fornecedores. A Marcopolo, por exemplo, movimentou a economia no Norte do Estado e demandou investimentos até mesmo de uma empresa com o porte da Viminas. O Espírito Santo teve importantes avanços recentes, a exemplo do lançamento da Mobilização Capixaba pela Inovação. Estamos alinhando Governo, empresas e instituições de ensino — Senai incluso — para identificar novas ideias, desenvolver novos produtos e, consequentemente, gerar novos negócios. O Espírito Santo tem tudo para se tornar uma referência nacional neste novo modelo, fazendo a transição da economia tradicional para uma indústria baseada em inovação.

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