Política Regional

Eleições 2020: a guerra sem fim contra as fake News

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Crédito: Reprodução
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As notícias falsas tomaram as redes sociais nas eleições dos últimos anos. Tanto que foram base para a chamada Lei das fake news, um texto aprovado em maio do ano passado pelo Congresso Nacional e que modificou o Código Eleitoral. A nova legislação foi publicada em 12 de novembro, após o Congresso derrubar um veto do presidente Jair Bolsonaro ao projeto aprovado pelos parlamentares.

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A Lei 13.834/2019 já é válida para o pleito municipal de 2020. O texto prevê que quem acusar falsamente um candidato com o intuito de prejudica-lo nas eleições pode pegar de dois a oito anos de prisão, além de ter de pagar uma multa. A pena aumenta se o caluniador agir anonimamente ou com nome falso.

Se as notícias falsas foram muito debatidas por conta do pleito nacional, em 2018, nas eleições municipais não foi diferente. Muitos candidatos foram prejudicados pelos boatos e calúnias que invadiram as redes sociais.

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João Paulo Nali, que disputou a vaga de chefe do Executivo em Castelo nas eleições de 2012 e foi vítima de fake news, conta que foi vítima desse tipo de manobra. Além da internet, os municípios menores também contam com outra forma de disseminação: o boca a boca.

“As notícias falsas sempre foram usadas. Em 2012, adversários juntaram um certo número de pessoas, forjaram uma notícia falsa e esse grupo foi para ruas e locais de grande concentração para passar essa notícias falsas. A cada hora, uma pessoa do mesmo grupo repassava a mesma fake news”, relembra.

As calúnias foram além e chegaram à panfletagem, conta Nali. “Às vésperas da eleição, de sexta para sábado, jogaram cerca de 100 mil panfletos nas ruas da cidade, durante a madrugada. Tivemos de recolher todos os papéis com notícias falsas e que denegriam nossa imagem. E, de uns tempos pra cá, com as redes sociais, percebemos que essa prática se potencializou. Há muitas imagens, textos e perfis falsos e distorcidos, com o intuito de influenciar as eleições”, afirma.

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Em 2016, segundo ele, a prática se repetiu. “Nesta última eleição, eles escolheram pessoas com rejeição e espalharam que elas vão ocupar cargos em uma eventual gestão”, conta.

A estudante e auxiliar pedagoga, Anna Paula Serrano Perrut, 19 anos, acredita que as fake news influenciam diretamente no processo eleitoral. Em diversos, as pessoas criam manchetes falsas com o claro intuito de desviar o foco para algum acontecimento, ou até mesmo mudar um cenário que estabelece uma grande diferença de votos, no caso das eleições, ou para difamar a imagem de uma pessoa, fazendo com que a mesma passe a cair em descrédito.

“Se tornou comum que isso aconteça, principalmente, durante períodos eleitorais. Determinados boatos são criados e espalhados nas redes sociais e outros meios, alcançando milhões de usuários. Existem até grupos específicos que trabalham espalhando boatos”, destaca Anna Paula.

O que pode ser feito?

Além da lei, que já está em vigor, há o trabalho da imprensa, que visa a desmentir notícias falsas. Mas nada disso terá eficácia sem o comprometimento de cada cidadão, avalia o cientista político João Gualberto Vasconcellos. Ele enfatiza ainda que a notícia falsa sempre existiu.

Ele cita o caso da Alemanha Nazista. Para conseguir invadir a Polônia com o apoio da opinião pública, Hitler usava jornais e meios de comunicação do governo para informar à população que, em certa parte da Polônia, alemães estavam sofrendo nas mãos de judeus poloneses. O povo alemão, com ódio, aprovou os bombardeios.

“Isso é lugar comum na política. Mas vale ressaltar que essa lógica da produção de uma verdade por meio da mentira se potencializou com as redes sociais.  Esse caso da Alemanha nazista deixa isso muito claro”, ressalta.

E há alguma forma de acabar, ou ao menos reduzir as fake news? “Há saída, mas só consigo vê-la no longo prazo. A responsabilidade pela extensão social da fake news é de quem repassa. Sabemos que a notícia falsa se alimenta da ignorância, mas também da má fé. Acredito que, para as eleições deste ano, ainda estamos longe de ter uma consciência social sobre isso”, avalia.

No que depender da representante comercial Lucineia Shumaker Peterle Módolo Stein as notícias falsas não seguem em frente. Ela diz que, quando está em suas redes sociais, logo elimina as postagens que são falsas e só busca informações em fontes confiáveis. “Eu não dou importância para fake news”, conta.

“Além disso, tenho uma informação formada em política. Na escolha do meu voto, gosto de olhar o histórico do candidato, saber o que ele já fez. Normalmente voto em alguém que já conheço, que sei da história de vida. Gosto de olhar também o passado da pessoa, para saber se é ela é capacitada e se tem responsabilidade para assumir um cargo tão importante. Na área da política, na minha opinião, o candidato tem de ter uma história em favor da comunidade”.

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