Política Regional

Secretário conta como conquistou destaque nacional para Alegre no setor de meio ambiente

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Por Elias Carvalho

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O secretário municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento de Alegre, Rodrigo Vargas, em entrevista ao AQUINOTICIAS.COM falou como tem conseguido dar destaque ao município no cenário nacional e feito para conciliar duas áreas tão importantes que geralmente são conflituosas. Confira!

Acompanhamos pela mídia Nacional uma autêntica queda de braço entre desenvolvimento e o meio ambiente. Como você conseguiu, dentro de sua secretaria, harmonizar essas duas áreas, que às vezes parece que quase impossível andar juntas?

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Existe uma cultura de que meio ambiente e desenvolvimento estão em lados opostos, e na realidade essa cultura precisa ser quebrada. Desenvolvimento necessita fundamentalmente de recursos naturais, em contrapartida o homem precisa constantemente se satisfazer em qualidade de vida e para isso é necessário desenvolvimento. Uma coisa está ligada a outra, é preciso que a gente trate esses dois temas, essas duas áreas de forma bem uniforme. Precisamos compreender que no século 21 não podemos mais separar o meio ambiente do desenvolvimento.

Quando eu tive a missão de criar uma secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, procurei alguns modelos e estudei bastante sobre o tema. Observei que alguns modelos no mundo afora estão dando muito certo justamente por aliar meio ambiente com desenvolvimento, para que as políticas de desenvolvimento sejam concebidas através de um viés de sustentabilidade e que as políticas ambientais também sejam planejadas de forma a oportunizar um desenvolvimento sustentável. Então a lógica é essa: é um desenvolvimento com sustentabilidade e o meio ambiente a favor das pessoas e do desenvolvimento.

Quais são os casos de sucesso que você implementou aqui em Alegre na área do meio ambiente?

Há três anos sequer tínhamos uma Secretária de Meio Ambiente e o Meio Ambiente era um departamento vinculado à Secretaria de Agricultura. A missão da gente de início era estruturar uma secretária, mas logo nos primeiros meses nós percebemos que a gente poderia ir muito além disso. Estabelecemos um planejamento onde inicialmente o nosso objetivo principal era a municipalização da gestão ambiental. O licenciamento ambiental é algo que muitos gestores não querem assumir, pois não é fácil, é um desafio. Mas nós fomos buscar isso no primeiro ano de gestão, em 2017. Nós entendíamos que a partir do momento que nós assumissimos uma responsabilidade maior e que tivessemos condição de dar um retorno maior para a sociedade, esse trabalho passaria a ter mais credibilidade, mais apoio.

Nós iniciamos a elaboração de todo o processo de municipalização da gestão ambiental e do licenciamento, e a partir daí nós estabelecemos um cronograma de trabalho tratando o que a gente já tinha e aquilo que precisava ser implantado, potencializando tudo que o município tinha, que era possível de ser potencializado para que a gente pudesse ter um trabalho para sair lá na frente. Conseguimos aí, pela primeira vez na história, colocar Alegre na presidência da Associação Nacional de Órgãos Municipais de Meio Ambiente (ANAMMA).

Hoje nós estamos presidindo a ANAMMA no Sul do Estado e este ano fomos também eleito diretor de relações institucionais desta insituição no Brasil. O município de Alegre hoje preside a ANAMMA Espírito Santo e está na diretoria nacional, e isso tudo é reflexo de credibilidade que o nosso trabalho está tendo. Nós sabemos que falta muito, estamos no início disso tudo, mas o prêmio que nós ganhamos, por exemplo, é um de destaque Nacional em Gestão Ambiental. Gestão ambiental não é você estar com tudo pronto, não é você estar com tudo resolvido, mas é você estar se esforçando e implementando as políticas e ferramentas necessárias para resolver a curto, médio e longo prazo os problemas ambientais que a sociedade enfrenta. Nós fomos premiados exatamente por isso, porque o órgão que promove essa premiação enxergou que o município de Alegre hoje possui políticas publicas e possui ferramentas implantadas para a curto, médio e longo prazo implementar aquilo que a gestão ambiental necessita.

Na área de desenvolvimento observamos que você vem com alguns projetos importantes que movimentam o agroturismo, empreendedorismo. Conte um pouco sobre esse trabalho.

Alegre é uma cidade que já ocupou um espaço muito importante na economia do Espírito Santo, na áurea do café, chegando a ser a segunda economia do Estado. Mas com o declínio da atividade cafeeira o município também acabou empobrecendo e perdendo assim aquela importância econômica que ocupava na época. Nós mudamos o nosso perfil econômico, a agricultura continua sendo muito importante, mas com o crescimento do setor educacional, com a instalação dos cursos universitários, passamos a ter no setor de serviços um importante fator econômico que precisava ser potencializado, que precisava ser capacitado e otimizado.

Quando assumimos também esse setor, fomos buscar junto a diversos parceiros como Sebrae, Aderes e Secretária de Desenvolvimento do Estado as políticas necessárias para fomentar tudo isso e estudamos muito. Percebemos que o Brasil hoje vive um período de transição econômica, onde a crise mostra para gente que ao final dela, ou pelo menos assim, ao abrandamento dela a gente vai ter uma economia um pouco diferente, onde o micro-pequeno empreendedor vãi ocupar um papel fundamental nessa nova era. Com base nessa informação, nesse estudo, nós precisávamos fortalecer esse setor e as políticas que a gente vem desenvolvendo são nesse sentido.

Nós estruturamos a nossa Sala do Empreendedor e tivemos assim, nos dois anos passados, 2017/2018, números extraordinários. Passamos a ofertar uma série de serviços que não eram antes oferecidos, criamos um cronograma de capacitação em parceria com Sebrae. Hoje, nós temos todo mês oficinas sendo ministradas por instrutores do Sebrae e uma série de ações vinculadas a Sala do Empreendedor.

São ações que fizeram com que a gente conseguisse implementar um programa de fortalecimento em empreendedorismo, e isso resultou no nosso circuito de feiras. Hoje a gente tem bem consolidado um circuito de feiras do Empreendedor. Ao todo são quatro feiras implantadas, sendo elas no distrito de Rive, que foi a primeira, na sede, no distrito de Vila do Café e no distrito de Celina. Estamos estudando a implantação de mais duas feiras em outros dois distritos, e esse é um produto consolidado, onde o micro e pequeno empreendedor tem um espaço para expor seu produto para comercializar, mas principalmente para difundir sua marca.

Através da Feira do Empreendedor empreendedores tiveram oportunidade de fortalecer uma marca e torná-la conhecida na nossa cidade e até fora. Todo esse conjunto de trabalho, com a Sala do Empreendedor que organiza isso tudo, fez nós sermos reconhecidos pelo Sebrae como uma das três melhores salas do Estado. Ganhamos na categoria Diamante esse ano e temos recebido visitantes de todas as partes do País para conhecer a nossa Sala do Empreendedor. Já recebemos até uma comitiva da Bahia e de Roraima, que conheceram a nossa sala o circuito de feiras e fortalecimento do empreendedorismo.

Os municípios de interior têm uma arrecadação pequena e em Alegre não é diferente. Qual o segredo para lidar com um orçamento tão pequeno?

É muito importante ter criatividade e acredito ser primordial fortalecer as parcerias. Nós estamos em um município que é muito rico em termos de instituições, temos aqui a UFES, o IFES, o INCAPER e IDAF, Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Sindicato Rural, a FAFIA que é uma instituição municipal, e tantas outras que nos dão a sua contribuição para o desenvolvimento da cidade. O mais importante hoje é conseguir unir as instituições em um mesmo objetivo, em um mesmo trabalho, e paralelo a isso, é preciso conseguir sistematizar isso tudo em um produto.

Estamos a menos de um ano das eleições. Como você enxerga esse processo que está por vir, já que o município passou e passa por uma das piores crises financeiras?

Eu sou bastante otimista! Em termos de País, acho estamos caminhando para nossa economia voltar a se fortalecer. Independente de posição política ou de lado político, acho as pessoas e os nossos empresários estão levando esse País para a retomada do crescimento e acredito que isso está muito próximo de acontecer, acredito que nos próximos anos vamos ter novamente um aquecimento da economia a nível nacional.

Do ponto de vista do município, penso que Alegre já há alguns anos vem sofrendo de forma muito acentuada com a queda de arrecadação, falta de estrutura, infraestrutura mesmo relacionada à operacionalização aos nossos servidores. Essa gestão tem trabalhado para poder restruturar muitas áreas e tem conseguido fazer isso, tem conseguido aparelhar as secretárias, aparelhar o município de uma forma geral. Há três anos tínhamos dificuldade de conseguir levar uma máquina para fazer melhoriuas nas estradas, pois não tínhamos o equipamento e hoje temos. Essa é uma gestão que está conseguindo restruturar a Prefeitura e acho que daqui para frente o alegrense precisa ter um olhar de futuro, nós precisamos começar a olhar para nossa cidade e imaginar qual é o Alegre que nós queremos daqui 20, 30 anos. Precisamos olhar para frente e imaginar isso, temos que estabelecer um planejamento voltado para o futuro, imaginando qual é a cidade que nós queremos para o futuro, qual é a cidade que nós queremos para os nossos filhos e para os nossos netos.

Com base nisso nós temos que estabelecer um planejamento atual, estabelecer quais são as ações que nós temos que desenvolver hoje para ter no futuro aquele Alegre que nós sonhamos para os nossos filhos, nossos netos e nossos descendentes. Eu acredito muito na minha cidade, eu sou um Alegrense apaixonado por Alegre e acredito muito que nós podemos ter uma cidade muito melhor, com qualidade de vida e com oportunidade para todos os Alegrenses.

 

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