Política Regional

Prefeito Dorlei Fontão fala dos entraves de Presidente Kennedy e projetos futuros de sua administração

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Fotos: Bruno Fritz
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À frente da prefeitura de Presidente Kennedy desde maio deste ano, após a operação “Rubi”, que resultou na prisão da prefeita afastada Amanda Quinta, por suspeita de superfaturamento em contratos de limpeza urbana e transporte público, no período de 2013 a 2018, Dorlei Fontão (PDT) quer deixar sua marca e transformar Kennedy em uma cidade do futuro. O atual gestor quer resgatar a imagem positiva e quebrar o antigo costume de utilizar as riquezas provenientes da exploração de petróleo e gás em assistencialismo. Confira a entrevista!

Há pouco mais de três meses no comando, já foi possível saber a situação da cidade?

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Dorlei Fontão  A primeira coisa que temos que mudar em Kennedy é a imagem de cidade de crimes, de roubos, de desvios e de corrupção. Logo que assumi esse desafio já busquei os envolvidos em todos os esquemas apurados pelas autoridades e os exonerei de pronto, para que possamos trabalhar sem interferências externas e fazer uma faxina nessa história da cidade. Também determinei a imediata suspensão e completa auditoria em todos os contratos vigentes na administração municipal.

Então, o que fazer para mudar esse cenário?

Não podemos fazer com que a cidade pare. Com foco, determinação e uma equipe comprometida com a cidade e com a coisa pública, queremos fazer um bom planejamento de ação no município. Acredito que na sorte, não chegaremos a lugar algum. Tudo na nossa vida precisa ser planejado. Precisamos garantir bons e profícuos trabalhos, buscando harmonia constitucional entre os Poderes, sempre com o máximo de transparência possível. Temos que pensar a Kennedy do futuro e não apenas em eleições. Político nenhum de Presidente Kennedy tem o direito de pensar em eleições neste momento. Acho que é uma boa oportunidade de nós, políticos e cidadãos que queremos o bem da cidade, esquecermos as urnas e unirmos forças para trabalhar em prol da nossa cidade, produzindo bons resultados tanto na área econômica, quanto na social, atraindo novos investimentos e gerando oportunidades iguais para todos.

Presidente Kennedy tem uma história de assistencialismo, em que a Prefeitura oferece subsídios e diversos serviços gratuitos. Como romper com essa cultura?

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Volto a repetir: com planejamento. Justamente nesse ponto que estamos trabalhando, numa visão de futuro, preparando a cidade para essa janela de oportunidades que se abre neste momento, com grande investimentos planejados para o Espírito Santo. Temos uma população de 11 mil pessoas e que quase um terço delas são dependentes de programas assistenciais, quase 70% dos empregos são na administração pública. Temos R$ 1,4 bilhão em caixa, mas temos dificuldades em quitar a folha de pagamento. Precisamos reverter essa lógica, incentivando investimentos em nosso município, estabelecer parcerias para viabilizarmos o Porto Central, buscar apoio do Governo do Estado e da bancada federal para conquistarmos a EF 118 passando por aqui, oportunizar uma diversificação da nossa economia. Temos que fazer esse R$ 1,4 bilhão que temos em caixa chegar à população, mas com planejamento, não distribuir isso sem qualquer critério. E como se faz isso? Com serviço público de qualidade no posto de saúde, na escola, na rua bem varrida, na praça bonita para encontrar os amigos, em programas sociais preparando o povo de Kennedy para atender as demandas do mercado.

E que demandas são essas?

Isso é o que o planejamento estratégico está nos mostrando. Hoje, a cidade é extremamente dependente dos recursos oriundos da exploração de petróleo, mais de 66% da população está na zona rural, fazendo da nossa cidade a maior produtora de leite do Estado. E não há uma usina de beneficiamento do produto por aqui. Precisamos buscar esse investimento e oportunizar a organização de toda uma cadeia produtiva. Na diversificação de nossa economia, temos uma forte vocação na produção de abacaxi, cana-de-açúcar e outros. Na pecuária, temos grande produção bovina que, nos últimos dez anos, praticamente dobramos a quantidade de cabeças de gado. Temos que trabalhar em parceria com as demais instâncias de Poder, tanto estadual como federal, para viabilizarmos o Porto Central, mas sem depender e ficar esperando que isso aconteça. Precisamos incentivar outras potencialidades da nossa cidade, seja no campo ou na cidade.

Quais os entraves do desenvolvimento da cidade?

O ponto principal é a dependência da população da Prefeitura, seja por emprego ou pelos programas assistenciais. Temos uma infraestrutura precária, que não permite uma diversificação da economia. E como se criou a cultura de dependência do Poder Público, a população não se qualificou. Até temos um programa de incentivo à qualificação, mas quem se forma não fica em Presidente Kennedy e, com isso, não colhemos os bons frutos desse programa. Para se ter uma ideia, cerca de 80% da massa salarial que movimenta a economia do município é oriunda das remunerações dos servidores da Prefeitura. Precisamos fazer nossa economia girar, tornar Kennedy um polo atrativo para investidores.

Que oportunidades são essas que a administração já identificou?

Temos um potencial muito grande para crescer e desenvolver. Precisamos trabalhar para tirar Kennedy das páginas policiais e colocar nas páginas de economia, mostrando uma cidade próspera, de futuro, que recebe repasses vultosos de royalties de petróleo que podemos utilizar em infraestrutura e investimentos, temos uma localização estratégica com proximidade de rodovias e do mar, com o Porto Central prestes a entrar em operação, além de uma base agrícola consolidada e ainda temos muita área livre para expansão.

Mesmo nesse cenário, há investimentos previstos para a cidade?

Temos um potencial logístico muito forte, com o Porto Central na iminência de começar a operar, a BR 101 será totalmente duplicada, temos a expectativa da ferrovia EF 118 passar pela nossa cidade e, com isso, atrairmos grandes investimentos na área de processamento de minérios, grãos, mármore e granito, além de empresas de apoio de atividades offshore. Com essa vocação na área do petróleo e gás temos a recente informação de que a Petrobras irá investir cerca de R$ 16 bilhões no Espírito Santos nos próximos anos, e por que não pode ser aqui em Kennedy? Precisamos nos preparar para que as expectativas se tornem realidade e tenhamos uma cidade cada vez melhor.

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