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Outubro Rosa: 16 novos casos de câncer de mama são diagnosticados todos os meses em Cachoeiro

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Cerca de 16 novos casos de câncer de mama são diagnosticados por mês no Hospital Evangélico de Cachoeiro de Itapemirim (Heci), referência em oncologia no Sul do Espírito Santo.

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De acordo com a médica oncologista Sabina Aleixo, somente em 2018, 1.243 casos de câncer foram diagnosticados no hospital. Deste número, 198 foram de neoplasia mamária.

Neste mês acontece a campanha Outubro Rosa, que tem como objetivo alertar mulheres para a prevenção e o diagnóstico precoce da doença.

A médica explica que há dois tipos de prevenção: a primária e a secundária. “A prevenção primária é constituída pela atividade física, manter o peso adequado, não comer muita gordura, não fumar, não beber, evitar o sedentarismo. Coisas simples e que todas pessoas devem fazer. Já a secundária está relacionada ao autoexame, ir ao médico periodicamente, se informar e, principalmente, fazer a mamografia. Seguindo todos esses protocolos é possível descobrir o câncer ainda em fase inicial, antes do tumor estar palpável”, explica a especialista.

Mamografia

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“A mamografia é o único exame que consegue detectar o câncer em estágio inicial. Precisamos educar as mulheres sobre a importância deste exame. Descobrindo cedo é possível tratar com mais eficácia”, diz a médica.

A recomendação, segundo Sabina, é que a mamografia seja feita de dois em dois anos, a partir do 50 anos, de acordo com o Ministério da Saúde. Já a Sociedade Médica orienta que o exame deve ser feito anualmente, a partir dos 40 anos.

“Há essa controvérsia quanto à idade. O importante é se cuidar. Quanto antes, melhor. Já nos casos em que a mulher possui casos de câncer na família, a mamografia, quanto outros exames devem ser antecipados. Por exemplo, se a mãe teve câncer de mama aos 45 anos, deve-se subtrair 10 anos, ou seja, a filha deve fazer a mamografia a partir dos 35 anos”, recomenda.

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A médica também explica que a tecnologia tem ajudado no diagnóstico ainda mais preciso e precoce. “Hoje temos exames genéticos, que diagnostica, onde e em que idade a pessoa terá propensão ao câncer. Um exemplo é a atriz Angelina Jolie, que fez exames genéticos que constataram que ela tinha 90% de chances de desenvolver câncer de mama. Com isso, ela optou pela remoção total das mamas, antes mesmo de ter a doença”.

Medo

Para Sabina, o medo do diagnóstico ainda influencia na descoberta precoce do câncer. “As pessoas ainda associam o câncer a morte. Infelizmente temos muitas pacientes, principalmente do interior do Estado, que sentem o nódulo, sintomas, mas só procuram o médico quando o tumor já está em tamanho avançado e com sintomas mais importantes. Normalmente quando elas chegam, o nódulo já está palpável. Essas mulheres vão deixando, deixando, deixando, porque têm medo do diagnóstico, de saber que têm câncer. E com o diagnóstico correto e antecipado é possível evitar procedimentos mais invasivos, com mais chances de cura”, ressalta.

Dificuldades

“Ter acesso ao exame de rastreamento não é uma coisa tão simples, apesar de ser um direito da mulher. Na medida que ela recebe o exame com alteração, ainda há falta de agilidade neste atendimento, que é a biópsia, consulta com especialista, até ser encaminhada para o tratamento. Em alguns casos, a mulher leva até um ano para receber o diagnóstico preciso sobre a doença. Essa peregrinação dificulta ainda mais o acesso ao tratamento”, relata doutora Sabina.

Acolhimento

Referência em oncologia, a médica salienta que o Heci dispõe de uma equipe multidisciplinar que apoia e cuida da paciente com câncer. “A mulher diagnosticada com câncer é atendida por nutricionistas, psicólogos, médicos especialistas, fisioterapeutas, farmacêuticos e assistentes sociais, que ajudam essa paciente a enfrentar o mal-estar, os efeitos colaterais do tratamento, a perda do cabelo e o abalo emocional. Essa paciente precisa ser cuidada e abraçada pela equipe médica e pela família, o que é muito importante neste momento”, salienta.

Além de médica, Sabina é voluntaria na Casa de Apoio aos Portadores de Câncer, que é uma Ong que oferece moradia, alimentação, oficinas e cursos, banco de perucas, lenços e promove encontros para pacientes da oncologia.

Superação

A empregada doméstica Rosane de Mendonça, 57 anos, conta como descobriu o tumor e superou a doença.

“Descobri que estava com câncer em janeiro de 2018, durante o banho, fazendo o autoexame senti um nódulo. Logo procurei o médico, fiz os exames e fui diagnosticada com câncer de mama. No início fiquei triste, mas não fiquei desesperada. Enfrentei o tratamento, a cirurgia, perdi os cabelos e, hoje, estou livre do câncer e muito feliz. Minha família me apoiou e nunca perdi a fé. Depositei minhas esperanças em Deus e hoje vivo uma vida normal, sem dor, faço tudo e sou muito feliz”, conta.

Rosane relata que precisou remover a mama e superou as dificuldades. “Tive que remover uma das mamas. No início a gente fica um pouco abalada, mas orei e pedi a Deus para me ajudar a enfrentar esse momento. Aceitei numa boa e hoje estou muito bem. Mais vale perder uma mama do que perder a vida. Decidi não fazer a reconstituição, não me sinto mal, nem pior do que ninguém. Temos um Deus que nos ama e nós precisamos nos amar do jeito que somos”, finalizou.

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